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Arquivo NippoBrasil - Edição 088 - 25 a 31 de janeiro de 2001
 
Yamato Takeru no Mikoto: O Príncipe Valente - Parte 2

(Por Claudio Seto)

CAMPANHAS SEM FIM
Cada vez que voltava à capital, imediatamente era enviado por seu pai para empreender novas campanhas. Assim ele chegou a idade adulta, incessantemente dirigindo-se de uma região para outra. Seu pai, aparentemente receava tê-lo a seu lado, devido à disposição impetuosa do príncipe. Desta forma, para garantir a segurança do Estado, o príncipe foi forçado a viver uma existência de dificuldades, tristeza e saudades de sua terra natal. O Kojiki, o mais antigo livro histórico do Japão, contém poemas atribuídos a Yamato Takeru no Mikoto, onde ele relembra sua terra:

Deixem que aqueles cuja vida é segura
retirem folhas dos grandes carvalhos dos montes Heguri
(atapetados de juncos) e as usem nos cabelos
Oh! Rapazes!

O Kojiki apresenta com grande força e efeito o drama dos seres humanos que vivem plenamente e que lutam e resistem ao se defrontarem com o avassalador poder do destino. Yamato Takeru poderá ser melhor visualizado, não como um indivíduo real, mas como figura heróica simbolizando toda a era, uma encarnação das emoções das pessoas comuns como um todo. Muitas vezes foi sugerido que sua história representa uma combinação de um certo número de lendas de heróis. Nos poemas antigos ele é retratado como “destemido e impetuoso”, enquanto as poesias de sua autoria, revelam a ingenuidade e a doçura de sua natureza íntima. O seu mais famoso waka (poesia de 31 sílabas) composta quando ele recordava sua terra natal diz o seguinte:

Yamato é a parte mais alta do mundo;
Suas montanhas verdes divisórias
Arranjadas em camadas superpostas.
Aninhada em meio às montanhas,
Como é bela Yamato!

OTOTACHIBANA HIME
A passagem de sua vida que mais amargurou o príncipe Takeru foi quando levava seus guerreiros em viagem marítima a Kazussa no Kuni. Durante a expedição, quando iniciava a travessia da baía de Tóquio, vendo a outra margem, disse arrogante: “Este mar é tão pequeno que se poderia pular de uma margem para outra”.

Quando a nau atingiu o meio do caminho, foi envolvida por uma violenta tempestade. Incontrolável o naufrágio era Iminente. A princesa Ototachibana, esposa do príncipe Takeru, que o acompanhava na jornada guerreira, decidiu se sacrificar para acalmar a ira dos deuses do mar.

No livro VIII do Nihon Shoki, o segundo registro histórico mais antigo do Japão, a passagem é narrada da seguinte maneira:

A princesa Ototachibana , filha do senhor de Oshiyama, do clã dos Hoizumi, dirigiu-se ao príncipe nestes termos: “Eis que o vento se levantou, que as ondas se enfurecem. Seu navio está prestes a soçobrar. Tudo isto é obra do deus do mar. Peço-lhe permissão para entrar no mar em troca da augusta vida de Vossa Alteza! “ Quando acabou de falar, mergulhou nas ondas. A tempestade no mesmo instante se acalmou e o navio pôde atingir a costa.

O herói e seus homens puderam desembarcar com segurança. Porém, o suicídio de Ototachibana aumentou ainda mais a amargura no coração do guerreiro angustiado. O semblante do príncipe apresentava uma sombra de melancolia. Tornara-se um combatente solitário. Passava horas e horas com triste olhar para o mar, na direção onde Ototachibana havia desaparecido.

Em Owari no Kuni tomou conhecimento de que no monte Ibuki existia um Warui Kami (Deus Malvado) e por essa razão todos da localidade estavam passando mal. Takeru resolveu capturar essa entidade malevolente para ajudar o povo local e subiu o monte Ibuki. No meio da floresta deparou-se com um enorme javali branco. Os guerreiros que o acompanhavam ficaram todos assustados e o príncipe disse:

- Ora não se assustem com esse bicho, deve ser o mensageiro do Warui Kami. E seguiu subindo o monte. Porém o animal era o Deus da Floresta e não gostou nada de ser chamado de mensageiro do mal e atacou Takeru com suas enormes presas. Sendo travado uma luta feroz entre dois titãs. Num dado momento o javali branco desapareceu e Takeru estava bastante enfraquecido. Foi se arrastando até um pequeno riacho para beber água gelada e refrescar sua cabeça que estava zonza. Enquanto descansava sentiu vontade louca de voltar para Yamato, sua terra natal.

REBELIÃO DOS DEMÔNIOS
Após outras aventuras, Takeru voltou para Yamato e ouviu falar de uma rebelião de Oni. Seres humanóides de outra raça (provavelmente Vikings), que por desconhecer na época a existência de países ocidentais, os japoneses os consideravam demônios. Novamente seu ânimo guerreiro se sentiu atiçado a enfrentar o desafio. Mas desta vez não teve sucesso. Ao travar contato com os demônios foi tomado por “maus espíritos” que o fez arder em febre (a gripe era uma doença desconhecida no Japão). Enfraquecido, conseguiu chegar em Ise no Kuni. Numa localidade chamada de Nobono, não conseguindo mais se mover e faleceu em 90 aC. , com 30 anos de idade, olhando para o vale de Yamato.

Conta a lenda que na corte de Yamato, ao chegar a notícia da morte de Takeru, todos correram para Nobono para preparar o funeral do príncipe. Quando a primeira porção de terra foi atirada na sua cova, um pássaro cantou. Na segunda e terceira pás de terra o fenômeno se repetiu. Em seguida, de seu túmulo saiu uma enorme ave branca, sobrevoou a praia e subiu ao céu.

A ave voou para Kawachi no Kuni e ficou sobrevoando em círculo um determinado local. O povo cavou uma cova para o Príncipe Valente e a ave voou cada vez mais alto até desaparecer no infinito. Era a alma do guerreiro angustiado que viveu e morreu solitário.

 

COMENTÁRIOS:
Yamato Takeru sempre foi o herói da antigüidade preferido dos japoneses. Teve todos os ingredientes para cair na preferência popular: era príncipe, jovem, bonito, forte, corajoso e valente. Um herói melodramático que serviu de modelo para as primeiras peças teatrais de No e Kabuki.

Apesar de grande conquistador e ampliador do território Yamato, sempre foi vítima da injustiça de seu pai, o Imperador Keiko. Consta em quase todos os livros de autores que analisaram o Kojiki e o Nihon Shoki, as duas primeiras obras escritas no Japão, que o imperador Keiko, tinha medo que seu filho, sendo um grande guerreiro, lhe tomasse o trono. Por isso, vivia mandando-o em campanhas guerreiras, para mantê-lo afastado da capital.

COMENTÁRIOS MALDOSOS:
A popularidade de Takeru como um dos principais heróis do Japão, durou quase dois milênios. Porém, anda atualmente em baixa, porque os gays orientais resolveram elegê-lo “o grande deus gay do Japão”, baseando a pesquisa sobre o seguinte argumento psicológico:

1) “Desde jovenzinho ele gostava de nadar (pelado) no riacho com homens rudes”.
2) “Gostava de usar a roupa da tia e dançar para os bárbaros Kumaso. Era um perfeito travesti, tanto que tomado por mulher, foi convidado para orgia”.
3) “Tinha o costume de botar flor atrás das orelhas”.
4) “Assim que descobriu a preferência sexual de Takeru, a recém esposa, princesa Ototachibana, se atirou no mar”.
5) “Deve ter dormido com os Oni, por isso contraiu o vírus da gripe”.
6) “Imperador Keiko era preconceituoso. Mandava seu insaciável filho para longe, com medo de passar vexame na corte”.

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