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Editorial - Edição 516 - Jornal NippoBrasil
Os novos rumos do NippoBrasil

Desde que colocou em circulação sua edição de número 500, na semana de 11 a 17 de fevereiro, o NIPPOBRASIL vem procurando adequar-se à nova e inquietante realidade global que se estabeleceu após a hecatombe financeira, cujas consequências deverão continuar fazendo parte do nosso dia-a-dia durante um bom tempo. Diante do obscuro cenário que se descortinou, construído pelo espírito de ganância desmedida e de total desrespeito pelos direitos e pela vida dos outros, uma importante decisão interna foi tomada pela direção do NIPPOBRASIL: assumir uma nova postura editorial, com o propósito maior de incentivar e de juntar-se à comunidade do bem na busca do desenvolvimento econômico e social de forma ética e moralmente saudável. Assim, nossa prioridade será sempre a divulgação da notícia, da história e do perfil humano que transmitam os valores capazes de contribuir para que nos tornemos mais prósperos e melhores como pessoas e como cidadãos.

O primeiro passo do jornal nesse sentido foi o lançamento do caderno RECOMEÇAR NO BRASIL, que, em sua estreia, acompanhou a edição de número 509. O propósito foi e continua sendo o de prestar um serviço emergencial aos milhares de brasileiros que estão retornando do Japão, em sua maioria desempregados e sem saber como reiniciar a vida no Brasil.

Novos colunistas – psicólogos, médicos, educadores, economistas e religiosos – juntaram-se a nós nesse esforço.

No mais, estamos abertos a críticas e a sugestões. Precisamos delas para alcançarmos o nosso objetivo: a sua satisfação.


Editor-Responsável
Sérgio Oyama (Mtb 3.492)
E-mail: editor@nippobrasil.com.br

Opinião - Edição 516 - Jornal NippoBrasil
Dólar em baixa, real em alta

Teruo Monobe*

No final de abril de 2006, fazíamos um comentário a respeito do dólar, cotado na época a R$ 2,02, com tendência de baixa. Algum tempo antes disso, escrevíamos outro artigo a respeito do dólar, com o título “O dólar furado”; o leitor já pode tirar as conclusões porque o título era autoexplicativo. As semelhanças das duas situações anteriores eram grandes com o atual momento, mas a crise exige uma análise diferente. O que passou, passou.

Nestas últimas semanas, com a queda da cotação do dólar, ficou curiosa a “briga” que o fato provoca entre o staff do Ministério da Fazenda e o Banco Central. Enquanto o Ministério da Fazenda faz pressão para que não se reduza o ritmo de queda das taxas de juros, o pessoal do Banco Central, relutante a baixar mais os juros, alega, com razão, que o dólar está perdendo valor em todo o mundo, ou seja, ele não tem nada a ver com os juros. Coisa de economistas; os dois lados parecem ter razão.

O que estaria ocorrendo com a baixa do dólar seria a volumosa entrada de dinheiro estrangeiro no Brasil, por conta das perspectivas do mercado de ações e até da renda fixa. A equipe do Ministério da Fazenda prega que a única forma de frear a entrada desse dinheiro é baixar a taxa de juros. Com isso, seria possível conter os especuladores de se aproveitarem da diferença de juros no Brasil e no exterior, a chamada operação de arbitragem, como já citada em artigos anteriores.

Ocorre que os fundamentos da economia mundial são outros. No ano passado, o mundo vivia o pico da especulação, com tudo em alta: ações, títulos, commodities, petróleo e muitas e muitas operações com derivativos. Hoje, o dólar perde valor não só em relação ao Real, mas em comparação com outras moedas fortes, depois de breve alta. Uma das causas dessa queda é a grande emissão de dólares promovida pelo Tesouro, que inundou o mercado e fez baixar o preço.

Também, estaria havendo certa desconfiança em relação aos títulos do Tesouro norte-americano. Como esses títulos têm juro irrisório, muitos investidores e até governos estariam mudando as suas aplicações. Além disso, o dólar tem perda generalizada de confiança no resto do mundo, sua rejeição é um fato que começa a preocupar autoridades de vários países. A China já até propôs a substituição da moeda pelos Direitos Especiais de Saque (DES), conforme comentado nesta coluna anteriormente.

O professor David Kupfer, do Instituto de Economia da UFRJ, explica que as contas externas brasileiras mostram bom desempenho, considerando-se a atual crise econômica mundial. A balança comercial mostra evolução em relação a 2008, embora o saldo acumulado seja resultado da brutal queda das importações, revelando a baixa atividade econômica. O professor enfatiza ainda a volta do capital de risco ao País e, principalmente, a indesejável entrada de dinheiro para operações de arbitragem.

Obviamente, a partir do exposto, fica a questão: para onde vai o dólar? Qual é a ideia que vai prevalecer: a do Banco Central ou a do Ministério da Fazenda? Qualquer que seja o “vencedor” da discussão, a preocupação continua, porque as decisões decorrentes vão afetar as empresas e a população. Dólar baixo significa desestímulo ao exportador, que vai se desinteressar pelo mercado externo. Dólar alto provoca aumento de preços dos produtos importados. Duro é achar o equilíbrio.

Enquanto membros do governo mostram satisfação pelo aumento das reservas apesar da crise global, de imediato não se pode visualizar nenhuma grande vantagem. Com o dólar com cotação baixa, além do juro irrisório do Tesouro norte-americano, não se tem nenhum ganho. Enquanto isso, o Tesouro nacional vai continuar a pagar um bom juro para os dólares que entram no país e se desvalorizam. Como o dinheiro não é investimento de longo prazo, qualquer agitação no mercado é motivo para a expatriação de capital. Já vimos esse filme antes. De diferente, talvez os novos atores.




*Mestre em Administração Internacional e doutor pela USP
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