
Okinawa soba
(sôki soba), macarrão com costela de porco: um dos
pratos mais populares |
(Fotos: Ricardo
Hara/RH Fotografias e Shoko Yoshida)
Até
1879, as ilhas que compõem a atual província de Okinawa
formavam uma nação independente chamada Reino de Ryûkyû,
que desenvolveu uma cultura única, com forte influência chinesa
e de outros países do Sudeste Asiático, com quem mantinha
um próspero comércio. Por este motivo, a culinária
de Okinawa é vista mais como uma cozinha étnica do que propriamente
japonesa, com diferenças no tempero, nos ingredientes e na apresentação.
Segundo dados de 2004 do Ministério da Saúde, Trabalho e
Bem-Estar Social japonês, o Japão é o país
mais longevo do mundo e, dentre os japoneses, os okinawanos destacam-se,
principalmente as mulheres, que ocupam o primeiro lugar, com uma vida
média de 86 anos. Uma das razões citadas para tanta saúde
é a sua alimentação saudável e peculiar, baseada
no antigo pensamento chinês ishokudougen, que significa literalmente:
a medicina e os alimentos têm a mesma origem.
Aspectos
históricos
Culinária
da corte de Ryûkyû
Na época de Ryûkyû, cozinheiros eram enviados
à China (início do séc. XV) e a Satsuma (a partir
do séc. XVII), atual província de Kagoshima, para aprender
a culinária local, para que Ryûkyû pudesse receber
de maneira adequada os ilustres convidados daquelas regiões. Assim,
desenvolveu-se uma culinária única, da corte, com características
chinesas e japonesas, servida especialmente em cerimônias formais
e em eventos ao longo do ano.
Culinária
popular, anterior à Segunda Guerra Mundial
A comida cotidiana e popular de Okinawa, nessa época, era
simples e criativa, aproveitando-se, com sabedoria, as propriedades benéficas
dos abundantes ingredientes naturais. A transformação do
reino de Ryûkyû na atual província de Okinawa, em 1879,
acarretou mudanças sociais, que se refletiram também na
culinária local. Gradativamente, a culinária da corte foi
se infiltrando nas camadas populares, servida em ocasiões especiais,
e passando a fazer parte da culinária caseira. Outro ingrediente
muito apreciado, desde essa época, em Okinawa, é a carne
de porco. Como costumam dizer os okinawanos: do porco nada se perde,
senão o grito ao ser sacrificado. Assim, existem vários
pratos que utilizam pertences de porco, até hoje, sendo os mais
representativos o rafute (carne de porco cozida em shoyu e caldo básico),
o ashitibiti (cozido de pé de porco) e o sôki soba ou okinawa
soba macarrão feito de farinha de trigo (e não de
trigo sarraceno, como o soba japonês), servido com um caldo de carne
e costelas de porco. Outros pratos populares típicos que continuam
presentes na culinária okinawana são: chanpuru e irichii
(tipos de refogado), nbushii (cozido), shinji (espécie de sopa),
etc.
Culinária
atual de Okinawa
Logo após a Segunda Guerra Mundial, derivados de carne, como
bacon, presunto, salsicha, carne enlatada, etc., passaram a ser importados
dos EUA para serem distribuídos ao povo de Okinawa, sendo facilmente
assimilados. Dentre eles, a carne enlatada tornou-se um ingrediente muito
presente, empregada no chanpuru. Por influência do exército
norte-americano, foi introduzido em Okinawa o taco mexicano, que foi adaptado
para um prato típico okinawano, o taco rice, ou seja, tacos com
arroz. Com o retorno de Okinawa ao domínio japonês, em 1972,
ingredientes como o nattô (soja fermentada) e produtos marítimos
passaram a ser consumidos pelo povo, que, ao longo de sua história,
veio assimilando o que vinha de fora, criando uma culinária própria
e original.
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A
saudável culinária de Okinawa
Confira como os okinawanos aproveitam medicinalmente os ingredientes
locais:

Goya Chanpuru:
refogado de goya (ou nigauri)
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Goya
chanpuru:
Refogado de nigauri (jiló japonês ou melão de são
caetano). Rico em vitaminas, o nigauri é um dos segredos da longevidade
local e, combinado com uma proteína animal, como no chanpuru, seus
benefícios são potencializados.
Ikasumi-jiru:
Sopa feita de tinta de lula, ótima para ativar a circulação
sangüínea e combater a anemia, agindo também contra
a prisão de ventre.
Umi-budou:
Alga típica de Okinawa, parecida com uvas. É rica em
fibras, cálcio, vitaminas, minerais e consumida com shoyu ou como
sunomono (espécie de salada).
Chimu-shinji:
Sopa de fígado de porco. Muito rica em ferro, é recomendada
para mulheres e consumida como um tonificante, na recuperação
de doenças ou na manutenção da saúde.
Papaiya-irichii:
Mamão papaia verde refogado. Muito consumido em Okinawa como
um legume, o papaia, além de fornecer muitas vitaminas e fibras,
possui propriedades antioxidantes e, como estimula a produção
do leite materno, as okinawanas costumam comê-lo logo depois de
dar à luz.
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