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Shoujin Ryouri
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Mais
que comida vegetariana, esses alimentos têm um forte significado
budista
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(Fotos:
Rev. Shinten Nishimura / Divulgação)
No Japão,
shoujin ryouri é um tipo de culinária vegetariana cujo preparo
e consumo se baseiam nos ensinamentos do budismo, com verduras e legumes
(com algumas restrições), grãos e algas. Porém,
para os budistas, há um significado especial (shoujin significa
devoção). Veja como o mestre de culinária Shoujin
e abade do Templo Zen Yorinji da província de Hyogo, no Japão,
reverendo Shinten Nishimura, define o Shoujin Ryouri: No céu
ou na terra sou único (palavras de Buda Shakyamuni ao nascer).
Ao compreender o verdadeiro significado destas palavras e ao reconhecer
que recebemos a graça de uma vida ímpar e preciosa, conseguimos
verdadeiramente cuidar e respeitar a vida daqueles que estão ao
nosso redor. Este respeito não se limita apenas ao ser humano,
mas a todo e qualquer ser que tenha vida. Todas as partes de uma verdura
são parte de uma vida e, portanto, devem ser aproveitadas de forma
que nada seja desperdiçado. Devemos nos alimentar conscientes das
vidas que proporcionam a continuidade de nossas vidas. No momento em o
coração daqueles que prepararam o alimento e o coração
daqueles que recebem o alimento se encontram no sentimento de gratidão...
manifesta-se a essência do shoujin ryouri. Lembremos que não
é uma simples questão de ser vegetariano e não se
utilizar de carne ou de peixe... toda e qualquer vida tem igual importância,
e esta consciência transcende a lógica terrena deste mundo.
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| História
da culinária shoujin no Japão |
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O budismo
introduzido no Japão em 538 foi ativamente assimilado e implementado
pelo príncipe Shôtoku Taishi (574~622). Em 675, os monges
budistas foram proibidos de comer carne, além de ter o conteúdo
de sua dieta restrito a determinados tipos de alimentos. Nesta época,
a culinária shoujin consistia basicamente em verduras cozidas ou
cruas, temperadas apenas com shoyu, vinagre ou sal e, na obra Makura no
soushi (de meados da Era Heian séculos VIII~XII), há
um registro de que ela era extremamente insossa. Nesse período,
os japoneses costumavam fazer somente duas refeições por
dia. Nas Eras Nara (séc. VIII) e Heian, por influência da
cultura chinesa, propagou-se entre a nobreza o costume de se fazer três
refeições por dia. Na Era Kamakura, com a perturbação
da paz causada por batalhas e cataclismos, várias seitas religiosas
surgiram com a disseminação do pessimismo devido à
crença no final dos tempos, permitindo que o budismo se propagasse
entre a população.
Shinran (1173~1262),
fundador da escola budista Jôdô-shinshû, introduzindo
uma renovação na rigidez dos princípios budistas,
permitia o consumo da carne, com a ressalva de não ingeri-la no
caso de morte de algum familiar, para purificação do corpo.
Por sua vez, Douguen (1200~1253), fundador da escola Sôtô-shû,
pensava que o verdadeiro budismo não deveria se separar do cotidiano.
Segundo ele, era preciso dar grande importância às refeições
do dia-a-dia, considerando o ato de preparar os alimentos como uma das
práticas ascéticas. Desde então, nas cozinhas dos
templos, a arte e a técnica de cozinhar sem desperdícios,
valorizando a vitalidade de cada ingrediente, foram sendo cultivadas.
Na Era Azuchi Momoyama (séculos XVI~XVII), Sen-no-Rikyu (1522~1591),
precursor da cerimônia do chá, descobriu uma conexão
entre o zen-budismo e o chá, considerando que a refeição
servida na cerimônia do chá não precisava ser sofisticada,
bastando saciar a fome, dando-lhe o nome de kaiseki ryouri, conhecida
atualmente como a culinária formal japonesa.
A culinária
shoujin desenvolveu-se no Japão, recebendo a influência de
sua cultura e costumes, gerando tipos e estilos variados dentro dos templos,
como refeições para receber convidados, para o ano-novo,
festas sazonais, cultos budistas e até mesmo como refeição
do dia-a-dia e para ser transportada.
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Você
sabia?
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Benefícios da shoujin ryouri
A shoujin ryouri é uma culinária muito saudável, pois
inclui ingredientes nutritivos e de baixas calorias. Contendo proteínas
vegetais (soja, arroz integral), gorduras vegetais (que, ao contrário
da animal, ajudam a combater o colesterol), fibras alimentares (que melhoram
o funcionamento dos intestinos), alimentos fermentados, como nattô
(grãos de soja fermentados) e missô (pasta de soja fermentada),
vitaminas e minerais (utiliza-se apenas verduras, legumes e frutas da estação,
que são muito mais nutritivos), a culinária shoujin é
carente apenas em vitamina B12, presente principalmente em alimentos de
origem animal.
Regras
básicas da culinária shoujin
Empregar os cinco modos de preparo: cru, cozido, grelhado,
frito e cozido no vapor.
Devem estar presentes cinco sabores: doce, picante,
azedo, amargo e salgado.
Apresentar cinco cores: vermelho, branco, verde, amarelo
e preto.
Utilizar os ingredientes integralmente, sem desperdícios.
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Arroz integral |
Caldo de missô com cogumelo nameko |

Tougan (tipo de abobrinha), broto de bambu, batata-doce, gobô (bardana) |
Daikon steak (nabo grelhado) |
Gomadofu (tofu de gergelim) com molho de missô e wasabi |
Pepino e tomate com pasta de abóbora |
Vagem com gergelim, missô, vinagre e mostarda |
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