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Ozouni
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Para
os japoneses, a ingestão desta sopa significa a transferência
de energia espiritual, conferindo ao homem grande vitalidade
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CRENÇA - O ozouni simboliza a
comunhão com os deuses
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(Fotos: Divulgação)
A história
do ozouni é extremamente antiga. Conta-se que já na Era
Muromachi (séc. XIV) os japoneses comiam um prato semelhante. Nesta
época, acreditava-se que, no último dia de cada ano, os
homens recebiam a visita do deus chamado Toshigamisama (deus do Ano) e,
para receber essa divindade, os homens ofereciam-lhe uma grande quantidade
de alimentos. No dia 1º de janeiro, os homens preparavam uma espécie
de sopa, com todos os alimentos que foram ofertados. Para esta sopa não
havia uma receita. Tudo o que pudesse ser colhido da terra e todos os
frutos do mar que pudessem ser capturados e oferecidos ao deus entravam
como ingredientes. Esta sopa deu origem ao ozouni.
Comer o ozouni,
para os japoneses, não significa meramente a ingestão de
uma sopa rica em nutrientes, mas simboliza a comunhão com os deuses,
uma vez que se consomem os mesmos alimentos. Com sua ingestão,
acredita-se que há uma transferência de energia espiritual,
que confere ao homem muita energia. É como se fosse o renascimento,
junto com o ano que se inicia. Antigamente, o ozouni era consumido primeiramente
pelos homens nascidos sob o signo do horóscopo chinês do
ano (toshi otoko). O material utilizado como combustível do fogo
para o preparo da sopa era diferente do utilizado no dia-a-dia, empregando-se
cascas de grãos e caules da planta da beringela, cabendo aos homens
da casa acendê-lo.
Atualmente,
os ingredientes variam conforme a região e a receita da família,
porém trata-se de uma sopa que tem como ingredientes básicos
o moti e as verduras. Em algumas regiões, acrescenta-se frango,
peixes, kamaboko (massa de peixe cozida) ou ovas de salmão. Na
região de Kantou (Tóquio e províncias vizinhas),
é comum o ozouni com o moti cortado em formato retangular, que
depois de assado é colocado num caldo leve e claro (osumashi ou
sumashijiru), como um consomê. Por outro lado, na região
de Kansai (Osaka e Quioto), o moti é arredondado, e o caldo é
preparado à base de missô branco (shiromisso).
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Você
sabia?
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No
Brasil, diz-se que São Jorge habita a lua. No Japão, diz-se
que nela há um coelho socando o arroz no pilão, para preparar
o moti.
Costuma-se
preparar o moti nos dias 28 e 30, pois o dia 29 (nijuuku), pelo som da
palavra, é associado ao sofrimento (ku).
Os instrumentos utilizados no preparo do moti, o usu (pilão) e
o kine (a mão de almofariz), eram considerados sagrados. Nas casas
das famílias camponesas, esses objetos eram colocados junto à
coluna principal, no espaço de chão de terra batida chamado
doma. Quando se construía uma nova casa, esses eram os primeiros
objetos colocados em seu interior e, em caso de incêndio, os primeiros
a serem retirados.
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| Kagamimochi |
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A forma de
arranjar esses dois motis, um grande e um pequeno, arredondados e achatados,
difere de região para região. O mais comum é colocá-lo
sobre o sanpoo (pintura retratando os três elementos sagrados do
budismo: o Buda, as sutras e o bonzo), ou sobre uma bandeja coberta com
o hooshogami (um sofisticado papel japonês), ou sobre o hanshi (papel
usado para a caligrafia artística, medindo cerca de 24 cm x 34
cm), com folhas de samambaia, folhas de yuzuri (planta típica da
Ásia) que simboliza a continuidade da sorte familiar ,
e a alga konbu, que remete à palavra yorokobu: alegrar-se. Os dois
kagamimochi são sobrepostos e, no alto, coloca-se a laranja daidai
(Citrus auratium), que é associada à palavra homófona
daidai, cujo significado é de geração em geração,
no intuito de desejar a continuidade da linhagem. Há ainda arranjos
luxuosos que fazem uso de lagostas, lulas e leques, que simbolizam a expansão.
O formato arredondado
do kagamimochi representa o espírito das divindades e corresponde
também ao formato do espelho, que, na Antiguidade, era um objeto
valioso e estimado pelo fato de refletir a verdade. O kagamimochi deve
ser montado antes do dia 30 de dezembro. Quando é feito apenas
no dia 31, recebe o nome de ichiyakazari (decoração de uma
noite), sendo considerado de mau agouro.
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