|
(Foto:
Divulgação)
No filme Agonia
e Êxtase, que conta a história de Michelângelo, há
uma cena que considero especialmente inspiradora. Ele está pintando
o teto da Capela Sistina, o papa entra e pede que pinte mais um anjo.
O artista, pacientemente, obedece. Mas, no íntimo, ele se sente
frustrado, pois sabe que seu trabalho não está bom.
Mais tarde,
ele vai a uma taverna beber vinho. Acha o vinho muito ruim, mas aceita
bebê-lo mesmo assim. Até que outro freguês grita, chateado,
para o taverneiro:
O seu
vinho está uma porcaria!
Ao que o taverneiro responde:
Impossível. Meu vinho é ótimo. Eu garanto
a qualidade do meu vinho.
Então prove! Venha beber o seu vinho. Ele está um
lixo reage o freguês.
O dono da taverna,
então, bebe e descobre que o vinho está estragado. Ele pega
um machado e começa a destruir os barris, gritando muitas vezes:
Este vinho está uma porcaria!
Michelângelo sai da taverna e volta para a capela. Pega alguns potes
de tinta e começa a jogá-los em cima do seu trabalho, gritando:
Este trabalho está uma porcaria! Este trabalho está
uma porcaria!
No dia seguinte,
o papa lhe pergunta o que aconteceu. E o artista responde que o trabalho
estava um lixo. O papa estranha, mas não diz nada. Bem, o novo
resultado toda a humanidade conhece: o teto da Capela Sistina é
uma das maiores obras de arte de todos os tempos.
Há situações
na vida que não têm conserto. É melhor jogar tudo
fora e começar do zero. A gente tenta um remendo aqui, outro lá,
mas, apesar de todo o esforço, as coisas só pioram. É
aquele texto que não tem conserto, a empresa que não dá
certo e tantas outras situações que todos nós vivemos
em algum momento da vida.
Nessas horas,
é preciso ter a humildade de reconhecer que o trabalho foi perdido.
É preciso limpar o coração e partir para um novo
projeto. Assim como o grande artista, é preciso reconhecer que
o trabalho estava uma porcaria e jogá-lo fora. A partir desse momento,
você tira a angústia dos ombros e fica somente com o trabalho.
|