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Sábado, 18 de novembro de 2017 - 17h16
A felicidade em um ônibus lotado
 

Existem pessoas que fazem questão de dizer “depende” para tudo. Isto é, que tudo é relativo e que nada é absoluto. Tudo bem, mas também é inegável que ao menos devemos ter um conceito básico para as coisas importantes da vida. E dentre essas coisas, encontra-se a felicidade que tanto almejamos. Podemos conceituar a felicidade de vários modos. Todavia, vejamos como ela pode se mostrar de várias formas, o que nos leva a uma profunda reflexão do que realmente possa ser.

Imaginemos uma situação corriqueira de um ônibus lotado em que estejamos de pé e muito cansados, quando de repente, alguém se levanta para saltar do ônibus e ali finalmente conseguimos nos sentar. Normalmente chegamos até a suspirar de tanto alívio e satisfação. No entanto, por que será que não sentimos a mesma satisfação e alegria quando nos assentamos em um ônibus vazio?

Isso porque a felicidade convencional está associada diretamente ao ego. Isto é, quanto menos você sofre em relação ao sofrimento do outro, mais feliz acaba se sentindo. Isso não pode ser um real conceito de felicidade. É um mecanismo venenoso que já carregamos dentro de nós, mas que podemos superar. Basta estar no mesmo ônibus e procurar sentir o prazer cedendo o assento para alguém, vendo a satisfação de outrem. Essa, sim, deve ser a real sensação e conceito do que vem a ser a felicidade, algo possível de se receber somente depois de oferecer, sem mesmo esperar ou cobrar. Sim, é difícil chegar a esse nível, mas vamos viver tentando, exercitando dessa forma e, no mínimo, sabendo que somente assim poderemos ser felizes plenamente.

Crescemos às vezes insensíveis e infelizes pelo condicionamento inadequado de interpretar a vida de maneira somente racional. Diferentemente da forma, às vezes, incoerente, mas pura, de uma criança interpretar a vida. Por que será que uma criança quando perguntada:

“O que você quer ser quando crescer?”. Se responder: “Eu quero ser feliz!” (todos deveríamos poder responder assim...), acaba parecendo uma resposta no mínimo desconcertante?

Porque confundimos o meio com o objetivo. Não importa o que façamos, sejamos médicos, enfermeiras, zeladores, professores etc. O importante é que não esqueçamos que isso é um meio de cultivarmos a felicidade mútua e não um objetivo pessoal e final de vida. A felicidade encontra-se no processo e não em um resultado.

Tenhamos a coragem de dizer “eu quero ser feliz” e ter a certeza de que essa é a resposta certa de que derivará variados atos capazes de nos permitir ser mais felizes por ceder um assento do que propriamente sentar nele. Uma religião precisa nos levar a essa reflexão, a tomarmos atitudes assim. Se não, nos tornará, apesar de religiosos, individualistas. E em uma religião isso seria extremamente contraditório. A maior bênção e felicidade que podemos adquirir também é somente aquela que podemos dividir com alguém, o resto ilude. O Budismo Primordial é um modo de prática e solução que nos traz uma real consciência de felicidade.

Está a nossa disposição há mais de cem anos e, agora, cada vez mais se nacionaliza, atendendo a sociedade como um todo. Iluminação para todos.



KYOHAKU CORREIA
É é arcebispo da religião budista Honmon Butsuryu-Shu do Brasil.
Mestre em Teologia Budista, foi ordenado sacerdote aos 11 anos e estudou Literatura Japonesa pela Universidade Budista de Kyoto.

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