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Arquivo NippoBrasil - Edição 190 - 22 a 28 de janeiro de 2003
 
Kassajizo

Adaptação livre de Claudio Seto
(Texto e desenhos: Claudio Seto)

Há muito e muito tempo na fria região ao norte do Japão, morava um casal idoso, em que o velhinho ganhava o sustento confeccionando chapéus de bambu trançado. Como era uma região onde caia muita neve, o chapéu tinha o formato cônico para que a neve pudesse deslizar para baixo evitando o acúmulo na aba.

O casal era muito pobre, tanto que certo ano, na véspera do Ano Novo eles não tinham dinheiro nem para comprar os tradicionais mochi (bolinhos de arroz glutinoso), que todos os japoneses comiam no primeiro dia do ano para trazer sorte e prosperidade.

-Sem mochi não parece Ano Novo. - Comentavam.
Então o velhinho foi a cidade para de vender os chapéus e conseguir algum dinheiro. Ele pegou cinco chapéus e saiu. A cidade ficava muito longe e o velhinho caminhou por uma estrada longa até chegar a cidade. Lá chegando, saiu oferecendo o fruto do seu trabalho na movimentada rua, onde as pessoas que estavam fazendo compras e preparativos de Ano Novo.

Apesar haver muitas pessoas transitando, ninguém se interessou pelos chapéus do velhinho. O povo estava interessado em comprar peixe, sake, mochi e outras iguarias.

O velhinho andou pelas ruas da cidade o dia todo, gritando, mas não conseguiu vender um só chapéu. E vendo que não tinha como comprar os bolinhos de arroz glutinoso resolveu ir embora.

Quando o velhinho estava saindo da cidade, começou a nevar. Apesar do frio, ele continuou caminhando pela estrada no meio da neve, quando viu imagens de alguns Jizo, que são estátuas de pedra comuns em estradas japonesas, feitas para proteger os viajantes.

Haviam seis Jizo alinhados e sobre suas cabeças, muita neve que respingava em seus rostos. O velhinho de bom coração pensou: “Coitado dos Jizos devem estar passando frio.....”
Assim ele passou a mão na cabeça dos Jizos e tirou a neve que estava acumulada. Depois, cobriu-os com os chapéus que não conseguira vender.

- São chapéus que não tiveram compradores, mas cubram-se com eles - disse o velhinho.
Como só tinha cinco chapéus e os Jizos eram seis, o velhinho pegou o lenço que estava usando na cabeça e cobriu o último Jizo.

- É um lenço velho e surrado, mas cubra-se com ele - disse o velhinho, colocando na cabeça de pedra da estátua.

O velhinho voltou a caminhar na neve em direção a sua casa. Quando ele chegou em casa, como não estava com chapéu, estava branco, todo coberto de neve. A velhinha viu e disse:

- Querido, o que aconteceu?
- Infelizmente não consegui vender nenhum chapéu. Sinto muito, mas teremos um Ano Novo sem mochi.
- E não trouxe os chapéus de volta?

Ouvindo o velhinho contar o que tinha acontecido, a velhinha ficou emocionada:
- Isso foi uma boa ação. Mesmo sendo pobres, podemos dar graças por termos casa - disse a velhinha, acendendo a lareira para aquecer o velhinho que estava congelando.

Sem mantimentos para preparar um banquete no dia seguinte, o casal foi dormir logo. De madrugada ainda escuro, o casal foi despertado por uma música vinda de fora. A princípio, a música vinha de longe até que começar a ficar cada vez mais perto.

- Onde é a casa do velhinho que cobriu os Jizos? A casa do velhinho é aqui?
O casal de velhinhos levou um susto, até que:- Blam! – Foi o barulho que ouviram.

Eles abriram a porta e ficaram assustados. Na frente da casa, havia muitas mercadorias: arroz, sake, bolinhos de arroz, peixe, adornos de Ano Novo, cobertores quentes, etc. Os velhinhos olharam em volta e viram seis Jizos de chapéu indo embora. Os Jizos vieram retribuir um Feliz Ano Novo ao bondoso velhinho.

 
Adaptação livre de Claudio Seto

 

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