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Arquivo NippoBrasil - Edição 131 - 21 de novembro a 4 de dezembro de 2001
 
Shitakiri Suzume - Parte Final
O pardal de língua cortada

Adaptação livre de Claudio Seto
(Texto e desenhos: Claudio Seto)

 

Uma voz de pardal respondeu: “ Kotirá de gozaru” (É aqui, é pra cá). Em seguida, o pardal apareceu e disse:

- Seja bem-vindo, Ojiissan!
- É você, pardalzinho, sua língua deve estar ardendo. Eu trouxe um remédio de ervas.
- Não se preocupe, meu bom velhinho, me curei com o incrível remédio da hospedaria dos passarinhos.

O pardal, em agradecimento pelo fato de o velhinho tê-lo salvo do corvo malvado, serviu um grande banquete no salão da hospedaria. Em seguida, vários pardais se reuniram e fizeram apresentações artísticas, cantando e dançando. O velhinho ficou muito contente com a bela recepção que recebeu.

- Que bom que você está bem. Assim posso ir embora tranqüilamente. Preciso ir embora antes que escureça.
O pardal, que estava sentado entre um baú enorme e um baú pequeno, disse:
- Gostaria que o senhor aceitasse uma lembrança de sua visita à hospedaria dos passarinhos. Por favor, escolha um destes baús.

- Oh! Muito obrigado. Vou aceitar de todo coração. Como sou velho prefiro o baú menor, o maior é muito difícil de carregar até a minha casa.
- Volte sempre, Ojiissan. Muito obrigado por tudo que fez por mim.
Carregando o pequeno baú, o velhinho percorreu o longo caminho até chegar, ao entardecer, à sua casa.

- Desculpe-me a demora, Obaassan, não queria causar preocupações. Veja, eu trouxe um presente. Em seguida, o velhinho contou para a mulher o que tinha acontecido e abriu a tampa do baú.
Para surpresa do casal, havia várias moedas de ouro e objetos de arte. Era um verdadeiro tesouro.
Vendo aquela fortuna a velha logo disse:

- Por que você não trouxe o baú grande, seu idiota? Acho que vou até lá buscar.
Com a intenção de trazer o baú grande, a velhinha saiu correndo na direção indicada pelo velho. Chegando à margem do rio, disse ao lavador de cavalo:

- Vou beber sete baldes dessa água, porém, diga logo onde é a casa dos passarinhos.
Assim, bebeu sete baldes da água suja. E o lavador de cavalo não entendeu nada, pois não ia pedir que uma mulher bebesse água suja em troca de uma informação.

- Pergunte ao lavador de boi que está no rio além daquela mata. Ele vai lhe indicar a hospedaria dos passarinhos.
A velha, segurando uma enorme barriga d’água, atravessou a mata. Chegando onde estava o lavador de bois, foi logo bebendo sete baldes de água suja.

- Bebi sete baldes de água suja, diga logo onde é a hospedaria dos passarinhos.
Como não tinha outro jeito, o lavador de boi ensinou onde ficava o lar dos passarinhos.
Chegando à hospedaria, foi logo agarrando o pardalzinho.
- Ei, pardal, você comeu toda minha cola de engomar roupa, que tal me oferecer um banquete em retribuição?

O pardal lembrou da terrível cena em que a velha lhe cortou a língua e ficou com muito medo.
- Por favor, queira entrar e sentar-se - disse com medo que a velha lhe fizesse outra maldade.
A velhinha entrou numa sala e, sem cerimônia, disse aos passarinho que lá estavam:

- Vamos, tragam-me um banquete delicioso, depressa. E não esqueçam de me homenagear com belas danças, canções e presentes.

Com cara de incomodados, os pardais ofereceram um banquete para a velhinha e providenciaram dois baús. Enquanto devorava as iguarias, a velha foi logo dizendo:
- Fico com o baú maior. Deve estar cheio de tesouro.

Depois de comer e beber até não agüentar mais, botou o baú maior nas costas e caminhou em direção à sua casa. Porém, o baú estava pesado demais e a caminhada não rendia.
- Está pesado, mas não vou desistir.

Com muito esforço, conseguiu atravessar a mata e caiu sentada de tanta canseira na beira da estrada.
- Ah, é um esforço sobre-humano. Estou supercansada. Acho que vou dar uma espiada no tesouro para me dar mais ânimo.

A velha gananciosa abriu com muita cobiça a tampa do baú. Quase morre de susto ao ver saindo os mais terríveis monstros sobrenaturais.
- Vamos devorar essa velha malvada e gananciosa! - disse um terrível monstro de três olhos, babando com sua enorme boca cheia de dentes em presa.

- Sim, uma velha malvada como essa merece uma morte bem sofrida - respondeu outro monstro com pescoço comprido como cobra, tendo um único olho na cara e enorme chifre na testa.
- Socorro! Acudam-me! - gritava a velha desesperada.

De repente, ouviu uma voz chamando por ela. Era a do velhinho que, devido à demora da mulher, resolveu ir ao encontro dela.
- Obaasan, onde está você?

Ao ouvir aquela voz, os monstros ficaram apavorados.
- Vamos embora, ou estamos perdidos, é a voz de uma pessoa bondosa. Pessoa bondosa é nosso pior inimigo, ela tem o poder de nos dissolver. Fujam.

Como por encanto, os monstros ficaram transparentes e desapareceram.
A partir desse dia, a velhinha jogou fora sua maldade e tornou-se uma pessoa muito bondosa. Diariamente, passou a alimentar os pássaros no quintal junto com o velhinho, e teve uma vida tranqüila e feliz. Foi muito bom a velhinha ter trocado seu coração maldoso por um coração bondoso, pois quem cuida bem dos animais e da natureza, com certeza, é recompensado.

Fim

 
Adaptação livre de Claudio Seto

 

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