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Brasileiros
retornam ao País, mas cabeça continua no Japão
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Dificuldade
de readaptação faz ex-dekasseguis
desejarem voltar a trabalhar no arquipélago
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(Reportagem:
Edgard Matsuki/especial para o NB e
Foto: Cedidas)
No início,
a vontade de voltar para casa falou mais alto. Depois, surgiu o desejo
de fazer a vida no Brasil. Com o tempo as dificuldades de adaptação
começaram a aparecer e a situação não parecia
tão confortável como no Japão. Pior, o dinheiro também
começava a acabar. Por fim, surge a decepção com
a terra natal e aparece a última solução: regressar
para o arquipélago e voltar a trabalhar nas fábricas.
Esta pequena
história acontece com muitos dos dekasseguis que regressaram para
a terra natal. As dificuldades de readaptação aqui passam
pela comparação com o estilo de vida levado no outro lado
do mundo. O medo da violência e a diminuição do poder
de compra são as principais queixas de quem voltou do Japão.
O resultado disso são pessoas vivendo no Brasil mas pensando o
tempo todo no retorno ao Oriente.
Meire Tabuti,
Cintya Nishimuta e Cláudia Komiya estão vivendo as dificuldades
da adaptação ao Brasil. Tanto que as três já
estão com planos de ir novamente ao Japão. Faltam apenas
alguns detalhes para elas acertarem a sonhada viagem. E quando voltarem
para lá, desejam ficar por tempo indeterminado longe do país
natal. Conheça a história destas brasileiras que por vários
motivos regressaram, mas sentem falta do Japão.
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| Depois
da decepção, a ansiedade pelo retorno ao Japão |
Luciano
e Meire com a filha Luana: sem sorte no Brasil, agora dizem que
não têm data de regressar ao País
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Após
morar por dez anos no Japão, Meire Tabuti retornou ao Brasil em
2006. Ela tentou de todas as formas construir a vida por aqui, mas os
negócios não deram certo e as dívidas só se
acumularam. Com isso, a solução está sendo voltar
ao Japão. Ela e a filha Luana (de três anos) já estão
de malas prontas para a viagem. Só estão esperando o visto
sair para se juntarem ao marido Luciano, que já está lá
desde 2008. A previsão é de que as duas viajem em novembro.
Meire, que
está em Presidente Prudente (SP), explica por que decidiu retornar
ao Japão: Primeiro porque meu marido está lá.
Segundo porque não tive sorte aqui. Por fim, eu adoro o estilo
de vida de lá. Ela não esconde a ansiedade de retornar
ao local onde viveu na adolescência. Sinto como se fosse minha
primeira viagem, quando eu tinha catorze anos. Fico vendo fotos e pesquisando
na web dicas para viajar com crianças, conta a mãe
de Luana.
Mesmo dizendo
que gosta muito do Japão, a ex-dekassegui chegou a pensar que nunca
mais retornaria ao arquipélago. Ela e Luciano voltaram ao Brasil
em novembro de 2006, por causa de uma crise de depressão dele.
Poucos meses depois, Meire descobriu que estava grávida de Luana.
Na época, o casal decidiu que o melhor seria abrir um negócio
próprio e tentar construir a vida no Brasil.
O casal investiu
todo o dinheiro ganho em uma lanchonete em Marília (SP), cidade
da família de Luciano. No início o negócio rendeu
algum lucro, mas em pouco tempo a clientela sumiu e as dívidas
começaram a se acumular. Eles perderam todo o capital que tinham.
A saída encontrada pelo casal foi Luciano trabalhar de novo no
outro lado do mundo. Enquanto o marido estava lá, Meire cuidaria
da filha e tentaria vender o estabelecimento que havia falido.
Depois de vender
o negócio por um preço baixíssimo, Meire
foi morar em Presidente Prudente com a mãe e começou a trabalhar.
Tive vários empregos: meu salário médio era
de R$ 530, diz a ex-dekassegui. A comparação do Brasil
com o Japão era inevitável: Sempre tive uma vida boa
lá. Guardava meu dinheiro, tinha um lazer, apartamento, carro,
viajava. Aqui trabalhava muito, ganhava pouco e ainda sentia muito medo
em relação a segurança, explica ela.
Meire diz que
agora não tem data para voltar ao Brasil: Não tive
sorte aqui. Vou ficar lá por tempo indeterminado. Nunca imaginei
que sentiria tanta falta daquele país. Amo a cultura, comida, educação
dos japoneses, segurança e, claro, o salário. Estou muito
feliz de ir para lá mais uma vez.
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| Com
o fim da crise, aumenta o desejo de voltar ao oriente |
Cláudia
com uma colega de trabalho: retorno ao Japão em 2011
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Quando voltou
do Japão em dezembro de 2008, Cláudia Komiya esperava ficar
apenas dois meses no Brasil. Afinal, ela possuía um emprego garantido
no Japão. Porém, a crise mundial e a demissão em
massa na fábrica na província de Shiga em que trabalhava
acabaram prorrogando as férias no Brasil. Na época,
ficou com medo de retornar ao Japão e não conseguir trabalho.
Agora já pensa mais seriamente em voltar para lá.
A vontade de
ir de novo ao Japão está mais forte do que nunca, tanto
que Cláudia já está providenciando a documentação
para a viagem. Como a crise está passando, ano que vem vou
para lá. A única coisa que me prende no Brasil agora é
um curso de web designer que estou fazendo, afirma Cláudia.
Ela mora em Ilhéus (BA) e diz que, apesar de estar no Brasil, continua
com a cabeça no outro lado do mundo. Sinto muita saudade
do Japão, conta.
Atualmente
Cláudia trabalha em uma fábrica, mas o salário é
bem menor do que o ganho no outro lado do mundo: Financeiramente
está difícil. Estou trabalhando para ganhar salário
mínimo, diz Cláudia.
Além
do fator financeiro, ela vê outras vantagens do Japão em
relação ao Brasil. Aqui não tem como andar
na rua sem medo. Sem falar que sinto falta da educação dos
japoneses e da limpeza dos lugares públicos, fala Cláudia.
Cláudia
também se diz chateada com o entretenimento. Desde que voltou,
ela conta que não tem aproveitado muito: Lá no Japão
eu sempre ia a baladas japonesas. Aqui é difícil. Até
porque na Bahia só toca músicas de que eu não gosto.
Por isso fico mais em casa mesmo, diz a garota que em 2011 espera
deixar a terra do rebolation para festejar ao melhor estilo japonês.
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| O
fim do sonho de um comércio próprio |
Cintya:
Tudo nos leva ao Japão. O ruim é ficar longe
da família
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Cintya Nishimuta
ainda não sabe se voltará para o Japão, mas vontade
é o que não lhe falta. Em 2007, quando retornou do arquipélago,
ela tinha o sonho de abrir um negócio próprio em Maringá
(PR). Só que com tantas decepções este sonho está
acabando. Primeiro tentou abrir uma lanchonete, mas a sociedade com um
primo não deu certo. Agora é uma loja de moda íntima
que está prestes a fechar as portas.
Cintya reclama
que a crise econômica mundial afetou os empreendimentos dela no
Brasil. Minha região é movida pelo agronegócio.
Com a crise, os outros setores foram para baixo junto. Sem capital de
giro, não estou sequer conseguindo manter a loja, explica
Cintya, que viveu 12 anos no Japão. O resultado é que a
loja está à venda. Ela nem quer saber de ouvir falar em
abrir outro estabelecimento comercial.
Cintya ainda
vai tentar uma última cartada no Brasil. Espero tentar arrumar
um emprego por aqui, mas sei que quem foi para o Japão tem algumas
desvantagens na hora de lutar por uma vaga devido à falta de um
curso superior, reconhece Cintya. Se ela não conseguir um
bom emprego, diz que a saída será voltar para o Japão.
Ela acredita
que todo brasileiro que vai trabalhar no arquipélago acaba se tornando
um pouco viciado pelo país: Ficar lá nos
deixa dependentes, como se fosse um vício. Longe do Japão
as coisas se tornam mais difíceis, fala Cintya. Não
é a primeira vez que tenta ficar longe do vício.
Anteriormente, ela permaneceu no Brasil por cinco anos, entre 1999 e 2004.
Para Cintya
a dependência do Japão se deve ao padrão de vida levado
lá. A tranquilidade, viver sem violência, a facilidade
de ser consumista. Tudo nos leva ao Japão. O ruim é ficar
longe da família, fala Cintya, que tem três filhos
no Brasil: Arissa (17 anos), Ayia (15 anos) e Alan (11 anos). Ayia quer
seguir os passos da mãe. No final do ano vai para o Japão
morar com o pai e estudar.
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| Dekassegui |
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