Trabalhador
brasileiro no Japão: Ministério do Trabalho e Emprego
quer criar regras para envio de mão de obra ao Exterior
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(Reportagem:
Marcello Sudoh/IPC | Foto: Kyodo)
O governo brasileiro
quer regulamentar as empresas que enviam brasileiros para trabalhar no
Exterior. A proposta faz parte do documento Política Nacional de
Imigração e Proteção ao Trabalhador Migrante,
publicado no início de julho pelo Conselho Nacional de Imigração
(CNIg), órgão do Ministério do Trabalho e Emprego
(MTE).
De acordo com
o presidente do conselho, Paulo Sérgio de Almeida, atualmente o
envio de trabalhadores para empreiteiras no Exterior não é
oficialmente reconhecido como atividade econômica, apesar de existir
há anos. O que estamos fazendo com essa proposta é
reconhecê-la e pedir que seja regulamentada, comentou.
Em abril de
2008, o CNIg criou um grupo para acompanhar os efeitos da crise sobre
os trabalhadores brasileiros no Exterior. Foi quando surgiu a ideia de
criar regras para as empreiteiras, que o governo chama de agências
de recrutamento e envio de brasileiros ao Exterior. Almeida diz
ser preciso criar regras para o processo de recrutamento, seleção,
preparação, registro e envio de trabalhadores brasileiros
ao Exterior. Essas empresas precisam ter procedimentos a cumprir
para que não haja nenhum tipo de exploração ou dano
ao migrante. O brasileiro precisa sair do País bem informado, conhecendo
os termos do seu contrato de trabalho no Exterior, para que não
haja nenhum problema depois.
O presidente
do conselho diz que já há um projeto para a regulamentação,
que inclui itens como a criação de um cadastro de agências
e regras específicas a serem cumpridas. A proposta foi encaminhada
à Casa Civil da Presidência da República, que vai
verificar junto a outros ministérios a viabilidade da medida.
Endividamento
Nem sempre
as promessas feitas por algumas agências no Brasil são cumpridas
pelos empregadores no Japão. As empresas que enviam mão
de obra ao Exterior precisam ser responsabilizadas caso aconteça
algo, defende o presidente do CNIg.
No Japão,
por exemplo, órgão público da província de
Ibaraki informa que agências estariam trazendo trabalhadores para
a região mesmo sem garantia de emprego. Atualmente já existe
um número grande de brasileiros desempregados à procura
de vagas nas Hello Work (agências públicas de emprego) da
região. Os trabalhadores que chegaram há pouco tempo estariam
se endividando à espera de um posto de trabalho. Trata-se de uma
prática antiga que se agravou com a crise.
A mesma situação
enfrentada por trabalhadores brasileiros no Japão acontece nos
Estados Unidos e países da Europa. A diferença é
que a migração para esses locais é irregular. Além
disso, lá o trabalhador migrante parte para viver na casa de um
amigo ou parente, sem oferta de emprego, e vai se virando até achar
algo. No caso do Japão, o recrutamento é feito ainda no
Brasil, mas, na prática, acaba sendo igual, pois não se
tem 100% de certeza de que o emprego estará mesmo à espera,
afirma Almeida.
Atualmente
já existem convenções internacionais que orientam
os países a regulamentar as empreiteiras. É o caso do Artigo
3 da Convenção 97 da Organização Internacional
do Trabalho(OIT), sobre trabalhadores migrantes. O Brasil e outros 48
países são signatários do documento, e a proposta
da CNIg segue as diretrizes da convenção. Um outro
lado dessa política foi a anistia aos estrangeiros em situação
irregular no Brasil, no ano passado, enquanto outros países criavam
obstáculos para a permanência deles, lembra Almeida.
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