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Brasileira dribla a crise e investe
em em loja de doces e sobremesas
Ex-operária de fábrica usa suas economias para abrir unidade
de franquia brasileira no Japão

Maria (à dir.) e a filha Tatiana Yuri dizem que o negócio próprio exige coragem, força de vontade e disposição

(Reportagem e Foto: Alexander Kanashiro/IPC)

Nem mesmo os efeitos da crise econômica impediram Maria Salete Teixeira Ono, 52, de realizar o sonho de abrir o próprio negócio. Enquanto muitos estabelecimentos fecharam suas portas no arquipélago, Maria inaugurou em janeiro deste ano uma unidade da franquia brasileira Fábrica di Chocolate na unidade de Handa (Aichi) do supermercado japonês Valor, com o apoio do marido e da filha.

A loja oferece uma variedade de sobremesas, como fondue, crepe, espeto de frutas, sucos e sorvete, além de pão de queijo e café. Segundo Maria, a família, com planos de permanecer definitivamente no país, adquiriu imóvel para ter uma vida mais confortável. Há dois anos, começou a estudar que tipo de negócio poderia montar para garantir o sustento sem depender da estressante jornada de trabalho nas fábricas. “Foi quando meu marido visitou um shopping em Gifu, conheceu a franquia e pediu informações para os administradores da empresa Keyon Foods, que detém os direitos da Fábrica di Chocolate no Japão”, lembra. Neste período, a brasileira estava inconformada com o salário reduzido e a falta de horas extras na fábrica de alimentos onde trabalhava. Decidiu, então, investir as economias no projeto. “Pedi demissão e já havia dado entrada no seguro-desemprego, mas abri mão quando surgiu a oportunidade”, conta a curitibana, que vive há cinco anos no país.

Da assinatura do contrato até a inauguração do quiosque foram apenas seis meses. Neste período, a família Ono recebeu assessoria do dono da franquia, incluindo treinamento de 20 dias para a gestão da loja e produção dos doces.

Maria e a filha Tatiana Yuri, 24, trabalham todos os dias, das 10h às 21h. Elas garantem que o público japonês gostou da novidade. “O suco feito com a goma de tapioca, que achei que não teria tanta procura, é um dos mais requisitados”, conta Maria, que tem planos de ampliar o cardápio.

Outros produtos que caíram no gosto do consumidor nipônico, segundo a brasileira, são os crepes com frutas, espeto de morango coberto com chocolate e os fondues com sabores variados. A nova rotina exige dedicação e sacrifício. “É cansativo. Se tiro folga, faço compras para repor o estoque”, relata, frisando que o esforço é recompensado. “Trabalhando bem, o retorno certamente virá. Acho que vale o empenho, sem contar que o ritmo é totalmente diferente da fábrica. Você é responsável pelo seu próprio emprego”, acrescenta.

Já Tatiana revela que, apesar das dificuldades dos primeiros meses, é muito bom trabalhar com seus pais. “O começo é bem difícil, mas, para abrir e manter o próprio negócio, tem de ter coragem, disposição para trabalhar e muita força de vontade. Não pode desistir na primeira dificuldade”, afirma.

O pai não largou o serviço na fábrica, mas deixa de descansar nos fins de semana para ajudar no empreendimento da mulher. A família Ono orgulha-se da decisão. “Quem adquiriu imóvel e está com uma certa idade precisa pensar em algo rentável para ficar no Japão. Acho que tem tudo para dar certo e fico à disposição para ajudar quem quiser tomar a mesma decisão. Pode nos procurar”, finaliza Maria.

 
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