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Crimes de brasileiros diminuem 15,5%
Porém, redução não acompanha diminuição da população de imigrantes no país

Policia japonesa em ação: um pouco menos trabalho com os estrangeiros que vivem no arquipélago

(Foto: Kyodo)

Segundo documento divulgado pela Agência Nacional de Polícia (NPA, na sigla em inglês) – órgão ligado ao gabinete que coordena as forças de investigação e segurança do país –, houve 4.013 crimes envolvendo brasileiros em 2009. O total representa uma redução de 15,5% em relação ao ano anterior, com 4.750 ocorrências. O documento mostra também que o número de presos caiu 10,2% entre o 2009 e 2008, de 1.091 para 980.

A redução não acompanhou a diminuição da população com o movimento de retorno diante da crise. No mesmo período, a comunidade ficou 19,2% menor, passando de 312.500 para 252.300. Por outro lado, representa um recuo de 47,8% em relação ao pico de 7.696 casos, em 2007.

Os detalhes da atuação das gangues brasileiras estão na versão preliminar do Relatório sobre Crimes de Estrangeiros no Japão (Rainichi Gaikokujin Hanzai no Kenkyo Jookyoo), em fevereiro. O documento traz dados de crimes ocorridos no ano anterior, de pequenos furtos a assassinatos, passando por estupros e tráfico de drogas.

Conforme o documento, os grupos de brasileiros que praticam crimes no Japão têm poucos membros, mudam de formação com frequência e não possuem hierarquia. O estudo mostra ainda que os locais de encontro são restaurantes e casas noturnas voltados à comunidade. Os criminosos costumam fazer amizade com outras gangues e aproveitam para recrutar novos integrantes, além de discutir ações para o futuro.

A NPA afirma que as gangues brasileiras atuam mais nas regiões de Kita-Kanto (Gunma, Tochigi e Ibaraki) e Chubu (Aichi, Gifu, Mie, Shizuoka, Nagano, Yamanashi, Fukui, Ishikawa, Toyama e Niigata), praticando roubos de carros, autopeças e arrombamento de veículos, além de terem ligação com o tráfico de drogas.

O relatório cita ainda o envolvimento de brasileiros com a yakuza, a máfia japonesa. As investigações indicam que muitos entram no país com o visto de longa permanência (teijuusha) e, depois, obtém o permanente (eijuusha).

Cooperação com yakuza

A yakuza e os brasileiros fariam contato em game centers (casas de jogos eletrônicos) e bares. Os dois cooperariam no comércio de bens roubados e em crimes planejados pela máfia. Há casos em que os brasileiros não atuam diretamente, mas dão suporte a esses crimes de alguma forma. Alguns brasileiros aderem à yakuza como membros. “Dessa forma, aumenta a periculosidade dos crimes”, afirma a polícia.

De acordo com a NPA, o total de casos e prisões de estrangeiros no Japão em 2009 caiu 11,1% e 4,3%, respectivamente. Foram 27.790 crimes cometidos no país por estrangeiros. Com os 4.013 crimes registrados, a comunidade brasileira está em segundo no ranking, atrás dos chineses, apesar de ser a terceira maior do Japão em número de pessoas. Dos 13.282 presos, 7,4% ou 980 eram brasileiros, o quarto maior número, atrás de chineses, coreanos e filipinos.

A maior parte dos crimes de estrangeiros são furtos (16.411). Invasão de residências lidera com 6.865 dos casos. No total, os brasileiros foram responsáveis por 20,3% dos furtos. Os roubos de autopeças (96,2%) e de carros (72,8%) são os delitos nos quais os brasileiros têm maioria absoluta.

 
Tipos de crimes cometidos pelos brasileiros

SHIGA E HYOGO
Entre maio de 2008 e janeiro de 2009, um grupo de brasileiros, que tem membros nas províncias de Osaka e Hyogo, invadiu cinco casas de pachinko de Shiga e Hyogo, ameaçando funcionários com uma faca e agredindo-os com um bastão. Cerca de 15 milhões de ienes em dinheiro foram levados. Foram presos cinco brasileiros e um colombiano.

TOCHIGI E IBARAKI
Entre março de 2008 e maio de 2009, uma quadrilha de brasileiros de Ibaraki teria atuado em cinco províncias da região de Kanto. Foi responsável por cerca de 250 casos, somando prejuízo de 370 milhões de ienes. Os principais crimes foram roubos de carros de luxo e esportivos, entre outros. A ação acontecia no estacionamento de apartamentos e casas em Kanto, pela madrugada. Os carros eram modificados numa oficina em Chiba e vendidos. Foram detidos quatro brasileiros.

SHIZUOKA E AICHI
Entre outubro de 2008 e setembro de 2009, gangues de brasileiros uniram-se à máfia japonesa para roubar e vender objetos roubados. Os brasileiros residentes em Shizuoka em geral formavam pequenos grupos. Eles foram responsáveis por cerca de 850 crimes nas duas províncias, cujos prejuízos foram estimados em 170 milhões de ienes. Os delitos envolveram roubo de carros e autopeças e arrombamento de veículos, entre outros. A gangue teria vendido navegadores para automóvel roubados à máfia japonesa, que depois os ofereciam na internet. Foram detidos seis brasileiros e seis japoneses atuando nesse tipo de delito.

 
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