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Arquivo Campo NippoBrasil - 17/08/2010
 
Cana-de-açúcar coloca o Brasil
na vanguarda tecnológica mundial
Trazida da Ásia e cultivada desde o século 16 em vários estados, planta foi
a responsável pelo reconhecimento do País nos avanços em biocombustíveis
 

Colheita de cana-de-açúcar: produção brasileira prevista pelo IBGE para a safra de 2010/2011 é de 664 milhões de toneladas, em 8,1 milhões de hectares plantados, números recordes na história

Usina de processamento de cana no interior de São Paulo: Brasil lidera também a produção de açúcar com 20% de participação mundial

(Foto: Divulgação)

A plantação de cana-de-açúcar é uma das atividades mais rentáveis da economia nacional nos últimos anos, embora seja explorada no País desde o século 16, vinda da Ásia. O setor colocou o Brasil na vanguarda mundial da agroenergia, com a produção de etanol, e está fortemente ligado à própria história brasileira. “Além de ser um elemento agrícola essencial na formação da nação, a cana-de-açúcar faz parte da vida do brasileiro. É uma cultura fantástica. Dela se obtém álcool combustível (etanol), açúcar, cachaça, rapadura, energia elétrica e até plásticos, além de diversos produtos químicos”, ressalta Alexandre Strapasson, diretor do Departamento de Cana-de-Açúcar e Agroenergia (DCAA), órgão que faz parte do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

O Brasil está na vanguarda do biocombustível há 35 anos. Começou em 1975 com a criação do Pró-Álcool, que deu maior impulso à cultura da cana. A partir de então, começou a trilhar um caminho de liderança mundial na produção da cultura e no desenvolvimento de novas tecnologias.

Em 2008, o setor sucroenergético empregou 1,28 milhão de pessoas com carteira assinada, 2,15% do total de postos de trabalho no Brasil. A maior parte dos empregos foi gerada pelo cultivo da cana (481 mil funcionários). Dados da Universidade de São Paulo (USP) mostram que o índice de formalidade de postos no setor canavieiro vem crescendo, atingindo 80,9%, muito acima da média registrada por outras cadeias produtivas.

Strapasson aponta que o País desenvolveu técnicas próprias de plantio e colheita, tornando-se o maior produtor mundial de cana-de-açúcar. Com as novas variedades, a produtividade média por hectare passou de 47 toneladas em 1975 para 80 toneladas neste ano. Por conta disso, a produção prevista para a safra 2010/2011, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), é de 664 milhões de toneladas em 8,1 milhões de hectares, número recorde na história da cultura.

Atualmente, o Estado de São Paulo tem a maior área plantada de cana, com 4,4 milhões de hectares, seguido por Minas Gerais, 648 mil hectares; Paraná, 608 mil hectares; Goiás, 601 mil hectares e Alagoas, 464 mil hectares. “A área total de cana plantada no Brasil ocupa apenas 0,95% do território nacional”, diz o diretor do ministério.

Em relação ao açúcar derivado da cultura, o Brasil também ocupa posição de destaque, liderando uma lista integrada por Índia, Estados Unidos, Tailândia, China e México. Os maiores consumidores do produto são exatamente os cinco maiores produtores, responsáveis por 59% do açúcar mundial. O Brasil lidera com 20% de participação. O segundo e o terceiro são a Índia (15%) e a China (10%). Em 2010, a produção de açúcar no Brasil deve alcançar 38,7 milhões de toneladas, segundo a Conab. A região Centro-Sul deve produzir 33,7 milhões de toneladas e a região Norte/Nordeste, 4,9 milhões.

Cana transgênica

A expectativa do governo é de aumentar ainda mais a produtividade. Por isso, vem investindo em pesquisas. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, aposta em projetos de cana-de-açúcar transgênica há três anos. Algumas das características genéticas a serem incorporadas à planta visam principalmente atender às demandas do cultivo na região Nordeste. “As variedades em desenvolvimento buscam mais tolerância à seca e maior resistência à broca gigante (principal praga na região), o que garantirá maior produtividade”, ressalta Strapasson.

Uma pesquisa da USP indica que o Produto Interno Bruto (PIB) do setor sucroenergético gira em torno de US$ 28,15 bilhões, incluindo exportações de quase US$ 8 bilhões e vendas ao mercado interno de US$ 20,2 bilhões.

 
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