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Arquivo Campo NippoBrasil - 13/07/2010
 
Lodo pode substituir adubo mineral
Estudo da USP mostra que resíduos de esgoto apresentam vantagens ambientais e ecológicas, e pode aumentar a produtividade e diminuir custos de produção
 

Após secagem, o lodo, rico em nitrogênio e fósforo, é removido do leito e está pronto para ser usando na plantação

Estação de tratamento de esgoto: local pode se transformar em fonte de resíduos para fabricação de adubo orgânico, rico em nitrogênio

(Foto: Divulgação)

A utilização de lodo de esgoto na adubação pode substituir em 100% o adubo mineral nitrogenado. Além dos benefícios ambientais e ecológicos, a técnica pode aumentar a produtividade e diminuir custos. Essas são as conclusões da pesquisa coordenada pelo professor Cassio Hamilton Abreu Junior, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da USP, em Piracicaba.

Pela vantagem de eliminar ou minimizar o uso de adubos minerais, a utilização do lodo de esgoto no solo brasileiro para fins agrícolas é estudada há quase 30 anos. “Apesar desse tempo todo de pesquisa, o assunto é relativamente recente no Brasil quando comparado com Estados Unidos, Europa e Ásia, onde a prática é mais antiga”, afirma Abreu Junior. Porém, a preocupação do pesquisador em estudar o assunto ultrapassou o processo de produção agrícola: abordou a contaminação do solo, dos lençóis freáticos e dos próprios alimentos.

Segundo o professor, a atividade humana nas cidades gera dois importantes resíduos: lixo urbano e lodo de esgoto (oriundo do tratamento dos esgotos domésticos). “Lembrando que os solos brasileiros são pobres em matéria orgânica, a utilização de composto do lixo para fins agrícolas vem sendo difundida por estudos acadêmicos porque, além de rica fonte de matéria orgânica, elimina ou minimiza o uso de adubos minerais”, destaca Abreu Junior. “No caso do uso agrícola do lodo de esgoto doméstico, sua aplicação é controlada por autorização da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). “Apesar de o lodo possuir matéria orgânica e nutrientes importantes para o crescimento das plantas como nitrogênio e fósforo, também pode conter patógenos, metais pesados e compostos orgânicos”, explica.

Outra importante vantagem ambiental é o prolongamento da vida útil dos aterros sanitários, destino dos resíduos domésticos. “Se o lixo e o lodo possuem matéria orgânica e nutrientes benéficos para o solo, além de atenderem às normas para uso agrícola, por que jogar no aterro algo que é nobre?”, questiona o pesquisador ao se referir aos altos custos de implantação de aterros controlados. “Isso sem contar o impacto ambiental causado por estes locais. Ninguém quer um aterro perto de casa”, completa.

Por enquanto, os estudos são conduzidos em plantações de eucalipto e na cultura de cana-de-açúcar. Dados já confirmados nessas culturas dão como certa a capacidade de o lodo substituir o adubo mineral que contém nitrogênio e fósforo.

Os experimentos com cana estão mais adiantados em comparação ao ciclo do eucalipto, que dura sete anos. “Na cana, há o aumento de 12% da produtividade nos locais que receberam o lodo aplicado como substituto do nitrogênio e complementado com adubo contendo potássio (o lodo é pobre nesse nutriente)”, esclarece o professor. “Com relação à cana, podemos afirmar que 100% do adubo mineral nitrogenado que deveria ser aplicado pode ser substituído pelo lodo de esgoto”, garante o pesquisador, ressaltando que as doses de fósforo são supridas em até 30%.”

Eucalipto

Em eucalipto, esse tipo de adubação substitui totalmente o uso de nitrogênio e supre 66% do fósforo necessário. O pesquisador alerta que os resultados devem ser interpretados com cautela. “Apesar da farta abundância nas estações de tratamento de esgoto, o lodo deve ser aplicado seguindo os critérios exigidos pela norma do Conama”. Outro subproduto gerado pelas estações de tratamento de esgoto e que pode ser muito utilizado na agricultura é a água residuária, rica fonte de irrigação por conter nutrientes. “O lodo e a água provenientes de estações de tratamento, quando gerados de forma correta, têm uso agrícola interessante. Basta tratá-los de forma adequada. O mais importante é que o esgoto seja urbano e não industrial”, alerta Abreu Junior.

Mais uma vantagem ambiental dessas pesquisas são as alternativas para a substituição do fósforo na adubação, material que está se tornando escasso.

 
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