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Especial - 20/04/2010
 
Agricultura familiar sustenta 30 milhões
Total corresponde a 16% da população brasileira e é maior que muitos países
 

Renda mensal, no entanto, varia de
acordo com a região do Brasil

(Foto: Arquivo/NB)

Nada menos que 30 milhões de brasileiros vivem da agricultura familiar. A constatação vem de um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), publicado dia 1°, que avaliou dados relativos à população rural de 2008 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e do Censo 2006.

“Isso corresponde a pouco mais de 16% da população brasileira. É maior do que a população de muitos países”, explica a coordenadora de área de Desenvolvimento Rural do Ipea, Brancolina Ferreira.

Os rendimentos da população rural e da cidade, no entanto, revelam uma grande diferença. A renda mensal domiciliar per capita no campo é menos da metade da renda nos domicílios de área urbana. Apesar da disparidade, os ganhos da população rural aumentaram, em valores reais, quase 30% no período entre 2004 e 2008.

O estudo mostra também a desigualdade na distribuição de renda da população economicamente ativa por região. No Nordeste, onde existe a maior proporção de pessoas vivendo em áreas rurais, o valor é de R$ 296,00, inferior ao salário mínimo, enquanto nas demais regiões a média é de R$ 578,75. O Sul tem a maior renda média mensal, com R$ 633,00.

Em relação à comercialização, a pesquisa constatou que a maioria dos agricultores (70%) não planeja previamente a venda de sua produção. No entanto, quase 80% deles conseguem vender parte dos produtos. Cerca de 70% dos agricultores familiares são proprietários da terra onde produzem. Os outros 30% trabalham por meio de parceria, arrendamento, posse ou cessão.

A pesquisa também constatou que, no interior do País, a mão de obra no setor não tem qualquer tipo de vínculo trabalhista, direitos e garantias sociais ou qualquer acesso a bens e serviços. As mulheres, constituem um grande contingente (75%) dos trabalhadores não remunerados que fazem parte da população economicamente ativa. “São mais de 4 milhões de mulheres e pouco mais de 2 milhões de homens nessa situação”, informou Brancolina.

Segundo ela, a alta concentração de terras no Brasil é um dos causadores dos problemas vividos pelos trabalhadores rurais. “Os dados deixam claro que as grandes propriedades continuam nas mãos de poucos”.

 
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