Takahashi,
presidente da Cooperativa de Monte Carmelo: objetivo é manter
produção anual em 200 mil sacas
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(Reportagem:
Cinthia Yumi/NB | Foto: Helder Horikawa/NB)
Na região
de Monte Carmelo, Minas Gerais, os produtores de café estão
prestes a realizar um feito que pode lhes duplicar os lucros: quebrar
a bienalidade da produção, ou seja, propiciar uma produção
rentável de ao menos 60 sacas por hectare todos os
anos e não a cada dois anos, como acontece atualmente.
A nova metodologia,
implantada na região no fim do ano passado, com base em um estudo
desenvolvido pela Embrapa Planaltina, de Brasília, consiste no
suprimento de maior quantidade de fósforo nas lavouras. Se, antes,
as lavouras recebiam, em média, 60 a 80 quilos de fósforo
por hectare, por ano, agora, elas recebem 300 quilos por hectare.
As aplicações
são feitas em doses parceladas, sendo que 70% da quantidade total
nos meses de setembro e outubro e os 30% restantes em fevereiro e março.
Com a maior quantidade de fósforo pudemos verificar que se
formaram maior número de rosetas, indicando que a perspectiva para
a próxima safra é de colher novamente a mesma produção
de 60 sacas por hectare, explica o engenheiro agrônomo Jorge
Kaoro Yamakami.
A maior quantidade
de fósforo implica aumento de custo para os produtores na proporção
de sete sacas beneficiadas por hectare. No entanto, esse custo adicional
é amenizado pelo ganho de produção, já que,
com a aplicação do fósforo, haverá um aumento
de 35 sacas por hectare, mantendo as 60 sacas, que é uma produção
muito boa de café. A média da produção brasileira
é de 12 sacas beneficiadas, explica Yamakami.
Segundo o agrônomo
Yamakami, embora o método ainda seja novo é necessário
ao menos dois anos para colher os resultados já é
possível verificar maior uniformidade na maturação;
grãos mais vigorosos e sadios; maior desenvolvimento da planta;
e ausência de sintoma de excesso de fósforo nas análises
de folha e de solo.
Na região
de Monte Carmelo, a metodologia é testada em três fazendas:
Castelhana de Baixo, Fazenda Letícia e Fazenda Araras. Vamos
conferir o resultado do método somente na colheita do próximo
ano, que se dará a partir de maio. Na minha fazenda, a produção
é de 80 sacas de café por hectare e o meu objetivo é
atingir cem sacas por hectare, conta Claudio Mundin, proprietário
da Fazenda Araras.
Na propriedade
de 167 hectares, 96 são dedicados ao café. Por enquanto,
o produtor diz que já pôde perceber que as plantas estão
mais vigorosas, mas que ainda há dúvidas sobre a boa fixação
das rosetas. Temos de ver se as rosetas irão de fato se fixar
bem e não cair antes do tempo da colheita, explica.
Dependendo
dos resultados, o método poderá ser adotado pelos demais
associados da Cooperativa Agrícola de Monte Carmelo Copermonte,
que, hoje, conta com 201 associados produtores de 200 mil sacas de café
por ano. Essa produção é no ano em que a colheita
é boa. No ano de baixa colheita, a produção é
de 150 mil sacas. Com essa nova metodologia, nosso objetivo é manter
a produção anual em 200 mil sacas, explica o presidente
da Copermonte, Creuzo Takahashi.
Com pouco menos
de 50 mil habitantes, Monte Carmelo tornou-se próspera graças
ao café, principal produto agrícola da região. Segundo
a prefeitura da cidade, são 15 mil hectares plantados, em um total
de 45 milhões de pés.
O Estado de
Minas Gerais é o maior produtor nacional de café. Segundo
dados do Ministério da Agricultura, o Estado respondeu por 46%
da produção nacional em 2007, com quase 16 milhões
de sacas. A produção nacional foi de 33,7 milhões
de sacas.
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