Horário de Brasília: Segunda-feira, 01 de dezembro de 2008 - 15h25
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Nova metodologia pode aumentar lucros dos cafeicultores em MG
Processo consiste no suprimento de maior quantidade de fósforo nas lavouras

Takahashi, presidente da Cooperativa de Monte Carmelo: objetivo é manter produção anual em 200 mil sacas

(Reportagem: Cinthia Yumi/NB | Foto: Helder Horikawa/NB)

Na região de Monte Carmelo, Minas Gerais, os produtores de café estão prestes a realizar um feito que pode lhes duplicar os lucros: quebrar a bienalidade da produção, ou seja, propiciar uma produção rentável – de ao menos 60 sacas por hectare – todos os anos e não a cada dois anos, como acontece atualmente.

A nova metodologia, implantada na região no fim do ano passado, com base em um estudo desenvolvido pela Embrapa Planaltina, de Brasília, consiste no suprimento de maior quantidade de fósforo nas lavouras. Se, antes, as lavouras recebiam, em média, 60 a 80 quilos de fósforo por hectare, por ano, agora, elas recebem 300 quilos por hectare.

As aplicações são feitas em doses parceladas, sendo que 70% da quantidade total nos meses de setembro e outubro e os 30% restantes em fevereiro e março. “Com a maior quantidade de fósforo pudemos verificar que se formaram maior número de rosetas, indicando que a perspectiva para a próxima safra é de colher novamente a mesma produção de 60 sacas por hectare”, explica o engenheiro agrônomo Jorge Kaoro Yamakami.

A maior quantidade de fósforo implica aumento de custo para os produtores na proporção de sete sacas beneficiadas por hectare. “No entanto, esse custo adicional é amenizado pelo ganho de produção, já que, com a aplicação do fósforo, haverá um aumento de 35 sacas por hectare, mantendo as 60 sacas, que é uma produção muito boa de café. A média da produção brasileira é de 12 sacas beneficiadas”, explica Yamakami.

Segundo o agrônomo Yamakami, embora o método ainda seja novo – é necessário ao menos dois anos para colher os resultados – já é possível verificar maior uniformidade na maturação; grãos mais vigorosos e sadios; maior desenvolvimento da planta; e ausência de sintoma de excesso de fósforo nas análises de folha e de solo.

Na região de Monte Carmelo, a metodologia é testada em três fazendas: Castelhana de Baixo, Fazenda Letícia e Fazenda Araras. “Vamos conferir o resultado do método somente na colheita do próximo ano, que se dará a partir de maio. Na minha fazenda, a produção é de 80 sacas de café por hectare e o meu objetivo é atingir cem sacas por hectare”, conta Claudio Mundin, proprietário da Fazenda Araras.

Na propriedade de 167 hectares, 96 são dedicados ao café. Por enquanto, o produtor diz que já pôde perceber que as plantas estão mais vigorosas, mas que ainda há dúvidas sobre a boa fixação das rosetas. “Temos de ver se as rosetas irão de fato se fixar bem e não cair antes do tempo da colheita”, explica.

Dependendo dos resultados, o método poderá ser adotado pelos demais associados da Cooperativa Agrícola de Monte Carmelo – Copermonte, que, hoje, conta com 201 associados produtores de 200 mil sacas de café por ano. “Essa produção é no ano em que a colheita é boa. No ano de baixa colheita, a produção é de 150 mil sacas. Com essa nova metodologia, nosso objetivo é manter a produção anual em 200 mil sacas”, explica o presidente da Copermonte, Creuzo Takahashi.

Com pouco menos de 50 mil habitantes, Monte Carmelo tornou-se próspera graças ao café, principal produto agrícola da região. Segundo a prefeitura da cidade, são 15 mil hectares plantados, em um total de 45 milhões de pés.

O Estado de Minas Gerais é o maior produtor nacional de café. Segundo dados do Ministério da Agricultura, o Estado respondeu por 46% da produção nacional em 2007, com quase 16 milhões de sacas. A produção nacional foi de 33,7 milhões de sacas.

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