Horário de Brasília: Segunda-feira, 01 de dezembro de 2008 - 16h38
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Técnicas reduzem perdas da uva niagara
Estado de São Paulo, segundo pesquisas do setor, é o maior produtor nacional de uva de mesa, com produção anual e 189,7 mil toneladas

(Por: Instituto Agronômico de Campinas*)

Pesquisa desenvolvida pelo Instituto de Tecnologia de Alimentos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Ital) sobre técnicas de pós-colheita da uva cv. niagara mostrou que há tecnologias capazes de ampliar a vida útil da fruta, prioritariamente consumida in natura. A pesquisa fez parte do projeto Redução das Perdas de Uva de Mesa cv. Niagara, coordenado pelo pesquisador Maurilo Monteiro Terra, do Instituto Agronômico (IAC). O trabalho envolveu ainda o Instituto de Economia Agrícola da Pasta (IEA) e a Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo).

A pesquisadora do Grupo de Engenharia e Pós-Colheita (GEPC/Ital), Sílvia Valentini, diz que tecnologias costumam ser aplicadas para a conservação das uvas consideradas finas e destinadas à exportação, como a itália e a benitaka, o que não ocorre com a niagara. Ainda assim, a cultivar possui vantagens com relação às chamadas finas, como menor custo de produção, características de rusticidade que exigem um número menor de pulverizações de defensivos e excelente aceitação pelo mercado consumidor.

O Estado é o maior produtor nacional de uva para mesa, com produção anual de 189,7 mil toneladas. As cultivares de uva comum, representada principalmente pela niagara rosada, correspondem a 89,1% do total de plantas e a 49,1% da produção de uva no Estado. A pesquisa foi concentrada em três municípios de destaque: Jundiaí, Louveira e Jales.

Para aliar os benefícios característicos da niagara às potencialidades de tecnologias pós-colheita, foram testadas as técnicas de aplicação de cloreto de cálcio e ácido naftalenoacético até alguns dias antes colheita, combinados com técnicas de pós-colheita, como o uso de sistemas de embalagens, refrigeração e irradiação ultravioleta.

As tecnologias foram escolhidas pelas experiências bem-sucedidas de sua aplicação em outras frutas e hortaliças. A irradiação UV-C, por exemplo, vem se destacando no controle de podridões pós-colheita em diferentes frutas, é germicida e tem propriedades de indução de resistência a doenças, além de ser uma alternativa ao emprego de produtos químicos.

Segundo as pesquisadoras Eliane Benato (GEPC/Ital) e Patrícia Cia (IAC), responsáveis pelos estudos de controle de doenças pós-colheita nas uvas, são imprescindíveis um bom manejo da cultura e tratamento fitossanitário adequado no campo para que as tecnologias aplicadas conservem a qualidade da fruta por mais tempo e consigam controlar efetivamente as doenças. “O emprego dessas técnicas é viável. A refrigeração é a que exige mais investimentos, mas é possível os produtores formarem um grupo para a compra de câmaras frias e do sistema de transporte refrigerado. Eles precisam se associar para montar uma estrutura. É vantajoso, economicamente viável, e com retorno em curto prazo”, ressalta Sílvia.

(*Com Assessoria de Comunicação do Ital)

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