
Oikawa (dir.) e Nishida: descoberta de água com precisão |
(Reportagem:
Antônio José do Carmo* | Foto: Antônio José
do Carmo/Especial para o NB)
Yoshinori Oikawa,
48, fechou sua empresa de perfuração de poços artesianos
há quase uma década, mas nunca perdeu a fama de ser um dos
melhores profetas de veio dágua subterrâneo
na Alta Noroeste. Ele ainda é procurado por fazendeiros ou agricultores
interessados em perfurar poços para obter água abundante
em suas propriedades.
Com o uso de
equipamentos computadorizados, muitas empresas oferecem serviço
de mapeamento geofísico de campo pelo método magnetotelúrico.
O serviço pode custar milhares de reais. Mas Oikawa não
cobra nada e, enquanto a tecnologia moderna leva dias para apresentar
o resultado, o dele sai na hora.
Oikawa indica
o ponto ideal para perfuração de poços utilizando
um jeito muito antigo, que mistura o sensitivo, a fé e a razão.
É conhecida como rabdomânica, ou radiestisia. O sistema consiste
em localizar o melhor local de acesso aos aqüíferos suberrâneos
por meio de pêndulos metálicos ou pau bifurcado.
Yoshinori usa
duas hastes de cobre com 2 mm de espessura e 30 cm de comprimento cada
uma. Ele anda pela área onde se deseja perfurar o poço segurando-as
nas mãos com pouca pressão, para que possam se movimentar.
Posicionadas
inicialmente em paralelo, as hastes se aproximam e se cruzam em ângulo
de até 180º, quando há indícios de abundância
de água no subsolo. Suas indicações até hoje
foram 100% corretas e os poços indicados por ele (mais de 30 na
região e em Mato Grosso do Sul) dão produção
superior a 15 mil metros cúbicos por hora.
O custo de
um poço semi-artesiano com média de 30 metros de profundidade
é superior a R$ 14 mil, mas, segundo profissionais da área,
uma localização errada pode tornar inútil esse investimento.
Diferenças de até 10 metros de ponto ideal podem condenar
uma perfuração, se a oferta de água for inferior
a 5 mil metros cúbicos por hora.
E isso é
comum acontecer, segundo o geólogo Bernardino Fernandes Nunes.
Ele conhece o trabalho de Yoshinori há vários anos. Diz
que o nikkei é eficiente em suas profecias, mas reconhece
que a ciência até hoje não soube explicar esses fenômenos.
(*Especial
para o NB)
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