Horário de Brasília: Segunda-feira, 01 de dezembro de 2008 - 15h19
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Nikkei do interior detém arte de localizar água no subsolo

Oikawa (dir.) e Nishida: descoberta de água com precisão

(Reportagem: Antônio José do Carmo* | Foto: Antônio José do Carmo/Especial para o NB)

Yoshinori Oikawa, 48, fechou sua empresa de perfuração de poços artesianos há quase uma década, mas nunca perdeu a fama de ser um dos melhores “profetas” de veio d’água subterrâneo na Alta Noroeste. Ele ainda é procurado por fazendeiros ou agricultores interessados em perfurar poços para obter água abundante em suas propriedades.

Com o uso de equipamentos computadorizados, muitas empresas oferecem serviço de mapeamento geofísico de campo pelo método magnetotelúrico. O serviço pode custar milhares de reais. Mas Oikawa não cobra nada e, enquanto a tecnologia moderna leva dias para apresentar o resultado, o dele sai na hora.

Oikawa indica o ponto ideal para perfuração de poços utilizando um jeito muito antigo, que mistura o sensitivo, a fé e a razão. É conhecida como rabdomânica, ou radiestisia. O sistema consiste em localizar o melhor local de acesso aos aqüíferos suberrâneos por meio de pêndulos metálicos ou pau bifurcado.

Yoshinori usa duas hastes de cobre com 2 mm de espessura e 30 cm de comprimento cada uma. Ele anda pela área onde se deseja perfurar o poço segurando-as nas mãos com pouca pressão, para que possam se movimentar.

Posicionadas inicialmente em paralelo, as hastes se aproximam e se cruzam em ângulo de até 180º, quando há indícios de abundância de água no subsolo. Suas indicações até hoje foram 100% corretas e os poços indicados por ele (mais de 30 na região e em Mato Grosso do Sul) dão produção superior a 15 mil metros cúbicos por hora.

O custo de um poço semi-artesiano com média de 30 metros de profundidade é superior a R$ 14 mil, mas, segundo profissionais da área, uma localização errada pode tornar inútil esse investimento. Diferenças de até 10 metros de ponto ideal podem condenar uma perfuração, se a oferta de água for inferior a 5 mil metros cúbicos por hora.

E isso é comum acontecer, segundo o geólogo Bernardino Fernandes Nunes. Ele conhece o trabalho de Yoshinori há vários anos. Diz que o nikkei é eficiente em suas “profecias”, mas reconhece que a ciência até hoje não soube explicar esses fenômenos.

(*Especial para o NB)

 
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Em Ilha Solteira, existe um loteamento com chácaras de veraneio às margens do lago da usina hidrelétrica. Boa parte dos moradores perfurou poços com profundidade superior a 40 metros ouvindo a indicação de Yoishinori.

Um deles foi Paulo Toyoshi Nishida. “Eu já conhecia essa técnica desde os tempos de meus pais e sempre acreditei no dom dos vedores”, afirma. A indicação de Yoshinori fez com que sua família perfurasse no sítio um poço com cerca de 60 metros, passando por rochas que exigiram até uso de diamantes para serem perfuradas pelas sondas.

Mas o resultado foi excelente, porque o poço produz 11 mil litros d’água por hora. Com isso há água não apenas para a piscina de lazer, mas para manter o pomar e a irrigação de todo o gramado da chácara, inclusive do minicampo de futebol.

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