
Produtores de alho em Frei Rogério, Santa Catarina, conseguiram
excelentes resultados
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(Reportagem:
Susy Murakami/NB | Foto: Kunio Nagai/Divulgação)
Não
há melhor negócio no mundo do que a agricultura. Dita
assim, em especial no Brasil, a frase pode parecer utópica. Mas
não é o que pensa o japonês Masaki Yokomori. Para
ele, a América do Sul, e principalmente o Brasil, será,
em breve, o maior celeiro agrícola do mundo. A aposta, porém,
deve ser feita em cima de um princípio básico: a boa agricultura
começa pelo solo.
Yokomori, autor
do best seller Agricultura do Sonho, sucesso de vendas no mercado japonês,
é um dos principais divulgadores do bokashi, uso do carvão
e do extrato pirolenhoso no cultivo da terra. Os dois produtos já
são muito usados no Japão. Mas, no Brasil, só ganhou
espaço após a fundação, em 90, da Associação
de Produtores de Agricultura Natural (Apan), idealizada pelo engenheiro
agrônomo Shiro Miyasaka.
O extrato pirolenhoso
é um produto milenar na cultura japonesa, obtido por meio da condensação
da fumaça proveniente da carbonização da madeira
durante a produção de carvão vegetal. É utilizado
na agricultura natural como condicionador de solo, bioestimulante vegetal,
indutor de enraizamento e, principalmente, redutor do uso de produtos
químicos no solo.
Já o
bokashi é um composto orgânico obtido na fermentação
de farelos com o auxílio de microorganismos. Os ingredientes podem
variar de uma região para outra. E a quantidade a ser aplicada
também depende do histórico e da análise química
e física do solo.
O uso do extrato
pirolenhoso e do bokashi ainda é pouco difundido no Brasil. Mas
os resultados obtidos por quem já testou ambos os produtos não
deixam dúvidas sobre sua eficácia. Miyasaka já passou
sua experiência em cursos no Instituto Agronômico de Campinas
(IAC) e na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Contratado
há dois anos pela Federação Nacional das Cooperativas
Agrícolas de Colonização (Jatak) para divulgar a
agricultura orgânica, o engenheiro agrônomo Kunio Nagai, chefe
do Departamento de Treinamento do órgão, tem se reunido
com produtores para disseminar o extrato pirolenhoso e o bokashi em suas
propriedades. Já fez esse trabalho em Londrina, Assaí, São
Sebastião da Amoreira, Castro e Carlópolis, no Paraná;
Frei Rogério, em Santa Catarina; Turvolândia, em Minas Gerais;
Registro, Piedade, Pilar do Sul e Mogi das Cruzes, no interior de São
Paulo.
Segundo Nagai,
em algumas localidades, o extrato pirolenhoso e o bokashi começam
a ser utilizados paulatinamente. Em Frei Rogério, 100% de um grupo
de 12 fruticultores e produtores de alho aderiram ao uso das novas técnicas.
Os resultados, até agora, foram extremamente satisfatórios.
Da forma como vai nossa agricultura, em breve, não teremos
mais terras produtivas. A agricultura está correndo sério
risco, alerta Nagai.
Por conta disso,
Masaki Yokomori vem ao Brasil esporadicamente. Seu objetivo é divulgar
sua história de vida no setor agrícola, que deu uma reviravolta
em 1985, quando conheceu o extrato pirolenhoso e o bokashi. Pelos métodos
tradicionais, diz ele, seria apenas mais um agricultor japonês entre
tantos outros em Nagano.
Hoje, o cenário
é diferente. Bem-sucedido, ele já transferiu a administração
dos negócios ao filho. Agora, roda o mundo pregando o bom trato
à terra, baseado no tripé equilíbrio químico,
físico e biológico do solo, e divulgando os conceitos de
comercialização de produtos mediante a união de agricultores
e distribuidores.
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