Horário de Brasília: Segunda-feira, 01 de dezembro de 2008 - 18h29
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Boa agricultura começa pelo solo

Produtores de alho em Frei Rogério, Santa Catarina, conseguiram excelentes resultados

(Reportagem: Susy Murakami/NB | Foto: Kunio Nagai/Divulgação)

Não há melhor negócio no mundo do que a agricultura”. Dita assim, em especial no Brasil, a frase pode parecer utópica. Mas não é o que pensa o japonês Masaki Yokomori. Para ele, a América do Sul, e principalmente o Brasil, será, em breve, o maior celeiro agrícola do mundo. A aposta, porém, deve ser feita em cima de um princípio básico: a boa agricultura começa pelo solo.

Yokomori, autor do best seller Agricultura do Sonho, sucesso de vendas no mercado japonês, é um dos principais divulgadores do bokashi, uso do carvão e do extrato pirolenhoso no cultivo da terra. Os dois produtos já são muito usados no Japão. Mas, no Brasil, só ganhou espaço após a fundação, em 90, da Associação de Produtores de Agricultura Natural (Apan), idealizada pelo engenheiro agrônomo Shiro Miyasaka.

O extrato pirolenhoso é um produto milenar na cultura japonesa, obtido por meio da condensação da fumaça proveniente da carbonização da madeira durante a produção de carvão vegetal. É utilizado na agricultura natural como condicionador de solo, bioestimulante vegetal, indutor de enraizamento e, principalmente, redutor do uso de produtos químicos no solo.

Já o bokashi é um composto orgânico obtido na fermentação de farelos com o auxílio de microorganismos. Os ingredientes podem variar de uma região para outra. E a quantidade a ser aplicada também depende do histórico e da análise química e física do solo.

O uso do extrato pirolenhoso e do bokashi ainda é pouco difundido no Brasil. Mas os resultados obtidos por quem já testou ambos os produtos não deixam dúvidas sobre sua eficácia. Miyasaka já passou sua experiência em cursos no Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Contratado há dois anos pela Federação Nacional das Cooperativas Agrícolas de Colonização (Jatak) para divulgar a agricultura orgânica, o engenheiro agrônomo Kunio Nagai, chefe do Departamento de Treinamento do órgão, tem se reunido com produtores para disseminar o extrato pirolenhoso e o bokashi em suas propriedades. Já fez esse trabalho em Londrina, Assaí, São Sebastião da Amoreira, Castro e Carlópolis, no Paraná; Frei Rogério, em Santa Catarina; Turvolândia, em Minas Gerais; Registro, Piedade, Pilar do Sul e Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo.

Segundo Nagai, em algumas localidades, o extrato pirolenhoso e o bokashi começam a ser utilizados paulatinamente. Em Frei Rogério, 100% de um grupo de 12 fruticultores e produtores de alho aderiram ao uso das novas técnicas. Os resultados, até agora, foram extremamente satisfatórios. “Da forma como vai nossa agricultura, em breve, não teremos mais terras produtivas. A agricultura está correndo sério risco”, alerta Nagai.

Por conta disso, Masaki Yokomori vem ao Brasil esporadicamente. Seu objetivo é divulgar sua história de vida no setor agrícola, que deu uma reviravolta em 1985, quando conheceu o extrato pirolenhoso e o bokashi. Pelos métodos tradicionais, diz ele, seria apenas mais um agricultor japonês entre tantos outros em Nagano.

Hoje, o cenário é diferente. Bem-sucedido, ele já transferiu a administração dos negócios ao filho. Agora, roda o mundo pregando o bom trato à terra, baseado no tripé equilíbrio químico, físico e biológico do solo, e divulgando os conceitos de comercialização de produtos mediante a união de agricultores e distribuidores.

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