Horário de Brasília: Segunda-feira, 06 de outubro de 2008 - 15h08
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Produtores que apostaram no Agaricus blazei
ainda sofrem com os prejuízos

Drama dos exportadores do interior de São Paulo começou com o “fechamento” do mercado japonês

(Reportagem: Susy Murakami/NB | Foto: Divulgação)

Os produtores que apostaram na produção do cogumelo Agaricus blazei estão, até hoje, arcando com os prejuízos do fracasso do negócio. E não foi por falta de planejamento. Em Piedade, a 64 km de São Paulo, um grupo de agricultores que apostou no fungo colocou R$ 120 mil, entre 2005 e 2006, só para iniciar a produção. Eles obtiveram os selos IBD (Instituto Biodinâmico) e JAS (Japan Agriculture Standard) e se adaptaram a todas as exigências do mercado japonês. O que eles não esperavam é que um problema vindo da China fosse mudar o rumo das negociações.

No início de 2006, o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão pediu a retirada do mercado de produtos contendo agaricus da Kirin Well Foods. Testes mostraram que o agaricus granulado feito à base do cogumelo seco de origem chinesa e vendido pela empresa poderia causar câncer. O problema foi detectado apenas em um produto, mas, mesmo assim, o consumo de agaricus no país caiu pela metade na época, de acordo com um boletim do Setor de Promoção Comercial da Embaixada do Brasil em Tóquio, citando como fonte o Jornal de Distribuição da Indústria de Saúde do Japão.

Os compradores japoneses, que já haviam praticamente fechado acordos, recuaram, deixando os produtores, em maioria nikkei, na mão. A estrutura montada para a produção do agaricus em Piedade foi para uma demanda de 560 kg por mês. "Até hoje estamos endividados", conta Fumiko Sakaguchi, integrande da única das 12 famílias que ainda produz o fungo.

Mesmo dois anos após o problema, a venda mensal de agaricus para o Japão não passa dos 5 kg no valor de R$ 230 cada. O mercado interno é muito pequeno, já que são vendidos apenas para o consumidor direto. Fumiko diz ainda que foi preciso vender lotes e sítios para quitar parte da dívida.

Prejuízo maior teve um outro grupo de Pilar do Sul, a 154 km da capital paulista. Cinco produtores investiram R$ 2 milhões na produção de Agaricus blazei. "Quando acabamos de investir, aconteceu o problema, por isso estamos quebrados até hoje", conta o produtor Shoiti Nakamura. A proposta inicial dos japoneses era para a compra de duas toneladas por mês. Mas, hoje, é vendido apenas de 500 kg a 600 kg anualmente.

Dois ex-produtores estão no Japão trabalhando para tentar quitar a dívida. Para contornar o problema, Nakamura produz outros cogumelos, como o shimeji e o champignom. Mas recuperar-se dos prejuízos vai ser difícil, como define o próprio produtor.

 
Unesp tenta criar protocolo para ajudar produtores

O Módulo de Cogumelos da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Botucatu está tentando criar um protocolo de cultivo para dar segurança aos produtores da região na comercialização do Agaricus blazei. De acordo com o pesquisador Diego Zied, a assistência inclui o desenvolvimento de técnicas de cultivo para potencializar o aminoácido betaglucano. Atualmente, são assistidos cerca de nove produtores da região. Em anos anteriores, esse número chegou a 63.

O Agaricus blazei é de origem brasileira e, de acordo com a FCA, a primeira coleta natural do cogumelo ocorreu em 1965 no município de Piedade. Hoje, ele é produzido principalmente nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná.

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