
Drama dos exportadores do interior de São Paulo começou
com o fechamento do mercado japonês
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(Reportagem:
Susy Murakami/NB | Foto: Divulgação)
Os produtores
que apostaram na produção do cogumelo Agaricus blazei estão,
até hoje, arcando com os prejuízos do fracasso do negócio.
E não foi por falta de planejamento. Em Piedade, a 64 km de São
Paulo, um grupo de agricultores que apostou no fungo colocou R$ 120 mil,
entre 2005 e 2006, só para iniciar a produção. Eles
obtiveram os selos IBD (Instituto Biodinâmico) e JAS (Japan Agriculture
Standard) e se adaptaram a todas as exigências do mercado japonês.
O que eles não esperavam é que um problema vindo da China
fosse mudar o rumo das negociações.
No início
de 2006, o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do
Japão pediu a retirada do mercado de produtos contendo agaricus
da Kirin Well Foods. Testes mostraram que o agaricus granulado feito à
base do cogumelo seco de origem chinesa e vendido pela empresa poderia
causar câncer. O problema foi detectado apenas em um produto, mas,
mesmo assim, o consumo de agaricus no país caiu pela metade na
época, de acordo com um boletim do Setor de Promoção
Comercial da Embaixada do Brasil em Tóquio, citando como fonte
o Jornal de Distribuição da Indústria de Saúde
do Japão.
Os compradores
japoneses, que já haviam praticamente fechado acordos, recuaram,
deixando os produtores, em maioria nikkei, na mão. A estrutura
montada para a produção do agaricus em Piedade foi para
uma demanda de 560 kg por mês. "Até hoje estamos endividados",
conta Fumiko Sakaguchi, integrande da única das 12 famílias
que ainda produz o fungo.
Mesmo dois
anos após o problema, a venda mensal de agaricus para o Japão
não passa dos 5 kg no valor de R$ 230 cada. O mercado interno é
muito pequeno, já que são vendidos apenas para o consumidor
direto. Fumiko diz ainda que foi preciso vender lotes e sítios
para quitar parte da dívida.
Prejuízo
maior teve um outro grupo de Pilar do Sul, a 154 km da capital paulista.
Cinco produtores investiram R$ 2 milhões na produção
de Agaricus blazei. "Quando acabamos de investir, aconteceu o problema,
por isso estamos quebrados até hoje", conta o produtor Shoiti
Nakamura. A proposta inicial dos japoneses era para a compra de duas toneladas
por mês. Mas, hoje, é vendido apenas de 500 kg a 600 kg anualmente.
Dois ex-produtores
estão no Japão trabalhando para tentar quitar a dívida.
Para contornar o problema, Nakamura produz outros cogumelos, como o shimeji
e o champignom. Mas recuperar-se dos prejuízos vai ser difícil,
como define o próprio produtor.
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O Módulo
de Cogumelos da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp
(Universidade Estadual Paulista) de Botucatu está tentando criar
um protocolo de cultivo para dar segurança aos produtores da região
na comercialização do Agaricus blazei. De acordo com o pesquisador
Diego Zied, a assistência inclui o desenvolvimento de técnicas
de cultivo para potencializar o aminoácido betaglucano. Atualmente,
são assistidos cerca de nove produtores da região. Em anos
anteriores, esse número chegou a 63.
O Agaricus
blazei é de origem brasileira e, de acordo com a FCA, a primeira
coleta natural do cogumelo ocorreu em 1965 no município de Piedade.
Hoje, ele é produzido principalmente nos Estados de São
Paulo, Minas Gerais e Paraná.
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