
Pelo novo sistema, agricultores venderão diretamente aos
consumidores
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(Foto: Orlando
Kissner/Divulgação)
Nos próximos
dois anos, os produtores de alimentos orgânicos devem se adequar
ao novo Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade
Orgânica, instituído pelo Decreto 6.323/2007, que reconhece
a existência de redes que reúnem organizações
de agricultores, técnicos, associações e cooperativas.
Há alguns anos, os sistemas participativos já praticam o
controle social de qualidade da produção orgânica.
Segundo o consultor da Cooperação Técnica Alemã
(GTZ) na Secretaria de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento
Agrário (SAF/MDA), Luiz Carlos Rebelatto dos Santos, hoje, essas
redes reúnem, aproximadamente, 10 mil famílias de agricultores
brasileiros.
O novo sistema
prevê que os agricultores familiares possam vender seus produtos
diretamente ao consumidor sem certificação. Para isso, deverão
estar vinculados a uma organização com controle social,
cadastrada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
(Mapa), ou em um órgão fiscalizador conveniado. "O
consumidor vai se beneficiar com a melhor qualidade dos produtos, a ampliação
da oferta e a diversidade", diz Santos.
Nos últimos
anos, o trabalho do MDA para a promoção e o incentivo da
produção orgânica familiar vem crescendo nas áreas
de crédito, assistência técnica e agregação
de valor e geração de renda. Entre 2003 e 2005, a SAF/MDA
apoiou cerca de R$ 80 milhões em ações de produção
orgânica e/ou agroecologia, sendo R$ 36,8 milhões em assistência
técnica e extensão rural; R$ 37,5 milhões em pesquisa
e extensão; R$ 2 milhões em agregação de valor
; e R$ 2 milhões em agrobiodiversidade.
No crédito,
foram criadas linhas especiais do Programa Nacional de Fortalecimento
da Agricultura Familiar (Pronaf), como o Agroecologia e o Floresta. Na
assistência técnica e extensão rural, as ações
planejadas e desenvolvidas são baseadas nos princípios da
agroecologia e, em 2007, foram criadas redes temáticas envolvendo
técnicos da extensão rural para tratar de temas como produção
orgânica e agroecologia.
No ranking
mundial, o Brasil está em 6º lugar em área plantada
de produção orgânica, cerca de 900 mil hectares, e
ocupa o 11º lugar em número de estabelecimentos. Os dados
são de 2006 e foram fornecidos pela Federação Internacional
dos Movimentos da Agricultura Orgânica (Ifoam). Segundo a Agência
de Promoção das Exportações do Brasil (Apex-Brasil),
o País é responsável por movimentar US$ 100 milhões
no mercado mundial de orgânicos.
De 2004 a 2006,
os agricultores familiares fecharam negócios na ordem de R$ 12
milhões relativos à comercialização de produtos
orgânicos fruto da participação em feiras e eventos
de negócio nacionais e internacionais apoiadas pelo MDA. O Ministério,
em conjunto com a prefeitura de Curitiba (PR), também está
apoiando a construção do Mercado Permanente de Orgânicos
na capital paranaense, no valor total de R$ 3,1 milhões. O espaço
será mais uma alternativa para a comercialização
da produção orgânica da agricultura familiar gerada
na zona urbana de Curitiba e em todo o Estado.
Já na
geração de renda e agregação de valor, foram
apoiados, nos anos de 2006 e parte de 2007, 12 convênios em agricultura
orgânica/agroecológica, representando um montante de R$ 1,5
milhões. Ainda nessa área, foi apoiada a participação
de agricultores familiares com produção orgânica em
importantes feiras nacionais, como a Feira da Agricultura Familiar e Reforma
Agrária, que gerou cerca de R$ 10 milhões em vendas diretas
nos dois últimos anos, e internacionais, como a Biofach, que acontece
em Nuremberg, na Alemanha, e a Biofach America Latina e Exposustentat
em São Paulo.
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