
Estado de São Paulo é maior produtor nacional de uva
para mesa, com 39 milhões de plantas |
(Reportagem:
Instituto Agronômico de Campinas | Foto: Guilherme Filho/Secom-Divulgação)
Não
se surpreenda ao encontrar, nas gôndolas dos supermercados, uva
niágara rosada fora da época em que a fruta é tradicionalmente
consumida. Com a realização de duas podas anuais
uma delas temporã , é possível obter uma safra
a mais da fruta. Apesar de essa safrinha ser um atrativo para os viticultores,
que podem conseguir bons preços disponibilizando o produto no segundo
trimestre do ano, Marco Antônio Tecchio, pesquisador do Instituto
Agronômico (IAC-APTA), da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento,
alerta que é preciso ponderar se essa poda temporã é
realmente vantajosa.
As orientações
são bastante relevantes, especialmente para a região de
Jundiaí e Louveira, onde a produção de uva niágara
rosada representa mais de 90% da atividade vitícola. Esses municípios
respondem por 30% da niágara consumida no Estado. A safra
da videira está diretamente relacionada à data de poda que,
em condições normais, é praticada durante o período
de repouso vegetativo das videiras, explica Tecchio.
Nas principais
regiões de cultivo da niágara rosada no Estado de São
Paulo, ela é feita nos meses de julho a setembro e é denominada
poda de inverno. Nessa poda, os ramos doentes ou presentes em número
excessivo são eliminados na base e os que permanecem na planta
sofrem uma poda curta, normalmente com uma gema.
Já a
outra modalidade de poda realizada pelos viticultores, conhecida como
temporã, ocorre após a colheita da safra normal, nos meses
de dezembro a fevereiro. Além do período em que é
realizado, esse manejo difere-se do tradicional ao exigir poda mais longa.
As informações
podem orientar também produtores de outras regiões do Estado,
já que São Paulo é o maior produtor nacional de uva
para mesa, com aproximadamente 39 milhões de plantas e produção
de 189,7 mil toneladas. Dentre as variedades de uva para mesa, destaca-se
a niágara rosada, que representa 89,1% do total de plantas e 49,1%
da produção paulista de uva, segundo dados do Instituto
de Economia Agrícola (IEAAPTA), da Secretaria de Agricultura.
Um dos principais
interesses dos viticultores ao optarem por essa técnica é
de conseguirem uma fonte de renda a mais no ano uma vez que após
a safra, que se encerra no primeiro trimestre, o vinhedo só irá
voltar a gerar divisas a partir dos meses de novembro e dezembro. Com
essa poda, eles conseguem produzir duas vezes ao ano, justifica
Tecchio.
Devido à
ausência de chuvas que comprometeu a última safra, o pesquisador
acredita que a próxima safrinha da uva niágara poderá
ter boa produção, embora normalmente a produção
da poda temporã seja sempre inferior quando comparada com a poda
de inverno. No ano de 2007, em função do baixo índice
pluviométrico ocorrido após a poda de inverno, verificou-se,
em vários produtores, uma redução significativa na
produção de uva. Ressalta-se que a falta de água
nas fases de florescimento e início de formação das
bagas é altamente prejudicial para a cultura, havendo menor pegamento,
desenvolvimento das bagas e, conseqüentemente, menor produtividade.
Dessa maneira,
o pesquisador acredita que a próxima safrinha da uva niágara
rosada poderá ter bons resultados em comparação com
a safra de 2007. No sistema de cultivo adotado na região de Jundiaí,
em média, a produtividade varia de 2 kg a 2,5 kg por planta na
safra, enquanto na safrinha oscila entre 1,5 kg a 2 kg.
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O principal
aspecto a ser considerado antes de realizar uma poda temporã diz
respeito aos maiores custos com o controle fitossanitário e com
fertilizantes. Por ser realizada em períodos chuvosos, entre dezembro
e fevereiro, essa poda exige uma pulverização mais freqüente
do vinhedo, para garantir um bom controle de doenças e pragas.
Dependendo das condições de clima, normalmente o produtor
realiza a pulverização a cada dois ou três dias, o
que aumenta o custo de produção, informa Tecchio.
Normalmente, na poda de inverno, os produtores da região realizam
pulverizações semanais para o controle das doenças.
O maior uso de fertilizantes é causado pela exigência de
reposição nutricional da planta que, por ter mais de uma
safra no mesmo ano, precisa de mais adubação.
Tecchio afirma
também que uma outra desvantagem da poda temporã é
o comprometimento da vida útil da videira. Em média, com
a realização apenas da poda de inverno, o vinhedo vive de
15 a 18 anos, e com a poda temporã realizada em anos alternados
a vida útil cai para a faixa de 10 a 12 anos. Ainda pensando nas
safras futuras, os produtores devem considerar que, produzindo a maior
parte do ano, a plantação se tornará mais vulnerável
a pragas e doenças, em função da dificuldade em reduzir
a fonte de inóculo de fungos prejudiciais à cultura.
Apesar disso,
a safra temporã pode garantir bons rendimentos, ao abastecer o
mercado em um período que a fruta está disponível
em menor quantidade para o consumo entre abril e junho. A
uva niágara cultivada na região de Jundiaí começa
a chegar ao mercado no início de dezembro e a oferta diminui a
partir de março, quando a uva da safrinha começa a entrar.
Isso pode oferecer melhores preços, pondera Tecchio. De acordo
com informações obtidas com produtores da região,
o pesquisador acredita que, para ter uma boa rentabilidade, o produtor
precisa vender a caixa de 5 kg da uva entre R$ 8 e R$ 10. Já na
safrinha, dependendo da oferta, o rendimento pode ser igual ou superior
a esse valor.
Nos municípios
de Jundiaí, Louveira, Indaiatuba, Itupeva e Porto Feliz, a maior
oferta ocorre principalmente nos meses de dezembro a fevereiro. Uma colheita
mais tardia é obtida na região de São Miguel Arcanjo,
estendendo-se nos meses de janeiro a março. No noroeste do Estado
de São Paulo, na região de Jales, a colheita da uva niágara
é realizada no período de junho a novembro.
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