O
que caracteriza uma cooperativa nikkei é a maneira como ela
segue os moldes de cooperativas japonesas |
(Reportagem:
Susy Murakami/NB e Foto: Divulgação)
No final de
2007 a Jatak, órgão japonês de promoção
agrícola, em parceria com a Notakyo, a Cooperativa Central Agrícola
e de Colonização do Brasil, finalizou uma pesquisa sobre
as Cooperativas Nikkeis no Brasil. O resultado foi apresentado aos cooperados
em um seminário que aconteceu entre os dias 20 e 24 de janeiro
e teve a participação de produtores nikkeis do Brasil, da
Argentina, do Paraguai e da Bolívia.
Quem comandou
a pesquisa foi Noriko Tanaka, enviada do Centro de Intercâmbio,
Difusão e Tecnologia Agrícola da Jatak. Tanaka é
formada em economia agrícola e doutora pela Universidade de Hokkaido.
Ela está no Braisl desde abril de 2005 e conta que sempre teve
interessse na agricultura brasileira.
A pesquisa
traçou um perfil das cooperativas nikkeis. Ao todo, são
52 no Brasil, sendo 22 originárias da extinta Cotia, 11 da Sul-Brasil,
13 que surgiram de outras formas e 6 associações. Um dado
curioso é que apenas 21% dos cooperados são realmente descendentes
de japoneses. Assim, segundo Tanaka, o que de fato caracteriza uma cooperativa
nikkei é a maneira como ela segue os moldes de cooperativas japonesas,
como a filosofia e a forma de trabalho, boa técnica de cultivo,
experimentos de novas espécies e treinamento para difundir tecnologias.
Outra constatação
é de que, ao todo, são 24.606 cooperados de 18.392 famílias.
Desses, 27% são isseis, 54 nisseis, 18% sanseis e 1% yonsei. O
total de terra ocupada estimada é o equivalente a 3,5% da área
cultivável do Brasil e quase igual à área total cultivável
do Japão. Se pensarmos que a colônia representa apenas
1% da total da população brasileira, é um número
alto, conclui Tanaka. O movimento das Cooperativas é de R$
1,8 bilhão.
Projeto
de Colaboração BrasilJapão
A Jatak realiza,
desde 2006, o Projeto de Promoção e Colaboração
de Cooperativos Agrícolas entre Brasil e Japão. Após
o fim das Cooperativas Cotia e Sul-Brasil, em 1994, a situação
das cooperativas nikkeis tornou-se desconhecida para os japoneses. Com
a pesquisa, foi possível esclarecer dados como quantidade, produção
e venda.
A Jatak, principalmente
por meio de sua sede em Tóquio, está procurando cooperativas
no Japão para parcerias agrícolas com as do Brasil. No ano
passado, algumas esitveram em terras vede-amarelas para visitar cooperativas
locais. Estamos avançando passo a passao. diz Tanaka.
Atualmente,
ainda não há negociação direta entre cooperativas
dos dois países. A única que exporta diretamente ao Japão
é a de Tomé-Açu, no Pará. O produto exportado
é polpa de frutas tropicais, como açaí. A cooperativa
também está produzindo geléia de frutas, que também
pode entrar no mercado japonês. De acordo com a pesquisadora, há
potencialidade para que outros produtos de outras cooperativas sejam exportados
para o Japão, inclusive plantas medicinais.
Em relação
aos grãos, como soja e milho, Tanaka explica que o Japão
depende quase que totalmente de importação. Para que as
cooperativas se tornem exportadoras para o país, seria necessária
a produção de soja não-transgênica e produtos
com baixo nível de pesticida. A pesquisadora ressalta também
que é importante pensar na possibilidade de o Japão exportar
produtos ao Brasil. O Brasil têm uma comunidade de descendentes
de 1,4 milhões. Os nikkeis preservam a cultura japonesa e os não
nikkeis consumem a comida japonesa. Portanto, podemos pensar na possibilidade
de importação desse produto, diz.
As cooperativas
nikkeis no Brasil introduziram métodos japoneses de administração
política e cooperativismo. Mas o fato de poucos descendentes serem
cooperados preocupa Tanaka. Acho que está diminuindo a cor
nikkei nas cooperativas e me preocupa o fato de que o pensamento
cooperativista japonês também esteja diminuindo. Nós,
da Jatak, pretendemos difundir o cooperativismo para as cooperativas do
Brasil, por meio de intercâmbio de pessoas, convidando, inclusive,
engenheiros agrícolas do Japão.
Para entrar
sem barreiras no mercado japonês, as cooperativas precisam se adaptar
às rígidas exigências do consumidor nipônico,
segundo Tanaka. O Japão é o país mais severo
do mundo em qualidade de produtos agrícolas. De acordo com
ela, é preciso oferecer produtos de alta qualidade, preço
correto, não modificados geneticamente e que se ajustem ao padrão
do consumidor japonês. Há diversas barreiras para os produtos
brasileiros. É preciso também aprofundar o intercâmbio
de pessoas para melhorar o processo de distribuição no Japão.
O importante é criar uma relação de confiança.
A Jatak pretende oferecer informação sobre distribuição
e enviar especialistas da área para o Brasil.
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