Horário de Brasília: Segunda-feira, 01 de dezembro de 2008 - 16h56
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Pesquisa traça perfil atualizado de cooperativas nikkeis no Brasil
Ao todo, são mais de 50 no País, sendo mais de 20 delas
originárias da extinta Cotia

O que caracteriza uma cooperativa nikkei é a maneira como ela segue os moldes de cooperativas japonesas

(Reportagem: Susy Murakami/NB e Foto: Divulgação)

No final de 2007 a Jatak, órgão japonês de promoção agrícola, em parceria com a Notakyo, a Cooperativa Central Agrícola e de Colonização do Brasil, finalizou uma pesquisa sobre as Cooperativas Nikkeis no Brasil. O resultado foi apresentado aos cooperados em um seminário que aconteceu entre os dias 20 e 24 de janeiro e teve a participação de produtores nikkeis do Brasil, da Argentina, do Paraguai e da Bolívia.

Quem comandou a pesquisa foi Noriko Tanaka, enviada do Centro de Intercâmbio, Difusão e Tecnologia Agrícola da Jatak. Tanaka é formada em economia agrícola e doutora pela Universidade de Hokkaido. Ela está no Braisl desde abril de 2005 e conta que sempre teve interessse na agricultura brasileira.

A pesquisa traçou um perfil das cooperativas nikkeis. Ao todo, são 52 no Brasil, sendo 22 originárias da extinta Cotia, 11 da Sul-Brasil, 13 que surgiram de outras formas e 6 associações. Um dado curioso é que apenas 21% dos cooperados são realmente descendentes de japoneses. Assim, segundo Tanaka, o que de fato caracteriza uma cooperativa nikkei é a maneira como ela segue os moldes de cooperativas japonesas, como a filosofia e a forma de trabalho, boa técnica de cultivo, experimentos de novas espécies e treinamento para difundir tecnologias.

Outra constatação é de que, ao todo, são 24.606 cooperados de 18.392 famílias. Desses, 27% são isseis, 54 nisseis, 18% sanseis e 1% yonsei. O total de terra ocupada estimada é o equivalente a 3,5% da área cultivável do Brasil e quase igual à área total cultivável do Japão. “Se pensarmos que a colônia representa apenas 1% da total da população brasileira, é um número alto”, conclui Tanaka. O movimento das Cooperativas é de R$ 1,8 bilhão.

Projeto de Colaboração Brasil–Japão

A Jatak realiza, desde 2006, o Projeto de Promoção e Colaboração de Cooperativos Agrícolas entre Brasil e Japão. Após o fim das Cooperativas Cotia e Sul-Brasil, em 1994, a situação das cooperativas nikkeis tornou-se desconhecida para os japoneses. Com a pesquisa, foi possível esclarecer dados como quantidade, produção e venda.

A Jatak, principalmente por meio de sua sede em Tóquio, está procurando cooperativas no Japão para parcerias agrícolas com as do Brasil. No ano passado, algumas esitveram em terras vede-amarelas para visitar cooperativas locais. “Estamos avançando passo a passao”. diz Tanaka.

Atualmente, ainda não há negociação direta entre cooperativas dos dois países. A única que exporta diretamente ao Japão é a de Tomé-Açu, no Pará. O produto exportado é polpa de frutas tropicais, como açaí. A cooperativa também está produzindo geléia de frutas, que também pode entrar no mercado japonês. De acordo com a pesquisadora, há potencialidade para que outros produtos de outras cooperativas sejam exportados para o Japão, inclusive plantas medicinais.

Em relação aos grãos, como soja e milho, Tanaka explica que o Japão depende quase que totalmente de importação. Para que as cooperativas se tornem exportadoras para o país, seria necessária a produção de soja não-transgênica e produtos com baixo nível de pesticida. A pesquisadora ressalta também que é importante pensar na possibilidade de o Japão exportar produtos ao Brasil. “O Brasil têm uma comunidade de descendentes de 1,4 milhões. Os nikkeis preservam a cultura japonesa e os não nikkeis consumem a comida japonesa. Portanto, podemos pensar na possibilidade de importação desse produto”, diz.

As cooperativas nikkeis no Brasil introduziram métodos japoneses de administração política e cooperativismo. Mas o fato de poucos descendentes serem cooperados preocupa Tanaka. “Acho que está diminuindo a ‘cor nikkei’ nas cooperativas e me preocupa o fato de que o pensamento cooperativista japonês também esteja diminuindo. Nós, da Jatak, pretendemos difundir o cooperativismo para as cooperativas do Brasil, por meio de intercâmbio de pessoas, convidando, inclusive, engenheiros agrícolas do Japão.”

Para entrar sem barreiras no mercado japonês, as cooperativas precisam se adaptar às rígidas exigências do consumidor nipônico, segundo Tanaka. “O Japão é o país mais severo do mundo em qualidade de produtos agrícolas”. De acordo com ela, é preciso oferecer produtos de alta qualidade, preço correto, não modificados geneticamente e que se ajustem ao padrão do consumidor japonês. Há diversas barreiras para os produtos brasileiros. É preciso também aprofundar o intercâmbio de pessoas para melhorar o processo de distribuição no Japão. “O importante é criar uma relação de confiança. A Jatak pretende oferecer informação sobre distribuição e enviar especialistas da área para o Brasil”.

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