Horário de Brasília: Segunda-feira, 01 de dezembro de 2008 - 19h02
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Populares no Japão, mini-hortaliças ainda
são luxo no mercado brasileiro

No Japão, já há miniaturas de tomate...

... nabo...

... couve-flor...

... chingensai e muitas outras hortaliças

(Texto: Cinthia Yumi/NB | Fotos: Kunihiro Otsuka/ipcdigital.com)

No Japão, o mercado de hortaliças em miniatura começa a se popularizar. Por lá, já é possível encontrar, em grandes redes de supermercados, alguns vegetais, como nabo, pepino, repolho e o "chingensai" em versão mini, muitos deles cabendo na palma da mão. E os japoneses parecem apreciar as igua-rias, mesmo considerando o fato de serem mais caras do que as versões em tamanho natural.

A tendência firma-se na medida em que aumenta o número de pessoas vivendo sozinhas e de casais sem filhos. Conforme a estimativa do Instituto Nacional de Pesquisas sobre População e Seguridade Social, o percentual de casas onde vive apenas uma pessoa atingirá 30,3% em 2010, ultrapassando pela primeira vez o de lares de casais com filhos, que cairá para 28,3%.

Mercado nacional

No Brasil, o mercado de mini-hortaliças ainda é incipiente. Tanto que não há estatísticas oficiais sobre esse tipo de produção. "No Brasil, poucos produtores trabalham com esse tipo de hortaliça porque é um mercado específico", diz Rumy Goto, professora da Unesp de Botucatu e ex-presidente da Associação Brasileira de Horticultura.

O mercado ainda é tão pequeno que nem mesmo uma das maiores empresas no ramo de produção de sementes, a Sakata Seed Corporation, com sede no Japão, arrisca aumentar a sua produção de sementes de mini-hortaliças. "O setor de miniaturas não responde nem por 1% do total de nossos produtos", diz Adolfo Hirano, coordenador de produção da Sakata do Brasil.

Ele ainda faz um comparativo entre o mercado no Japão e no Brasil. No primeiro, as hortaliças em tamanho reduzido não são novidade. Entre as 76 espécies comercializadas pela Sakata Seed Corporation, há produtos que foram lançados na década de 70. No entanto, a popularização é recente. Segundo a empresa, a venda de sementes de hortaliças pequenas aumentou 78% entre os anos de 2000 e 2003 e vem crescendo desde então.

No Brasil, por outro lado, essa popularização está longe de acontecer. "No Japão, frutas e alguns tipos de hortaliças são utilizadas até para presente. Então, o valor é bem mais elevado. No Brasil, esse conceito não existe. O que existe é um público A, que paga mais caro por mini-hortaliças. No entanto, é um consumidor altamente exigente", continua Hirano.

Maior procura

Segundo o agricultor da região de Cotia, entre as hortaliças em miniatura, as mais procuradas são a mini-rúcula e a alface de folhas pequenas. Em sua propriedade de 30 mil m2, Morikawa também produz as hortaliças em tamanho natural, mas, hoje, as miniaturas já respondem por 50% da produção total que vai do produtor diretamente ao consumidor final. "Meus clientes são, na maioria, os consumidores finais e alguns restaurantes e empórios de luxo em São Paulo", conta ele.

Segundo a professora Rumy, no Brasil, o principal mercado consumidor desse tipo de hortaliças é São Paulo, onde se concentra a indústria da sofisticação. Isso se comprova nas gôndolas dos hipermercados e de alguns empórios de luxo. Enquanto uma bandeja de 600 g de cenoura comum custa cerca de R$ 1,50, 250 g da versão mini custa R$ 5.

Quem pretende entrar nessa área deve pesquisar a demanda antes de iniciar o negócio. O segundo passo é optar por hortaliças que melhor se adaptam ao clima da região.

(*Colaborou Kunihiro Otsuka/ ipcdigital.com)

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