Funcionário
colhendo lichias: vida útil das frutíferas é
de cerca de 25 anos |
(Texto: Cinthia
Yumi/NB | Foto: Divulgação)
De acordo com
o Código Florestal, todos os proprietários de terras têm
que destinar uma área de sua propriedade para a preservação
do meio ambiente, por meio de uma reserva legal (área com plantação
de árvores nativas). O tamanho dessa reserva depende de alguns
fatores, como uso da propriedade, dimensões e localização.
Na região Sudeste, por exemplo, são exigidos 20% da área
total da propriedade para a reserva legal. Na Amazônia, esse percentual
é de 80%.
O que se vê,
na prática, é que nas pequenas propriedades essa área
é inexistente, seja pela falta de conhecimento da legislação
ou pela inviabilidade de se formar tal reserva, uma vez que se trata de
uma área que gera gastos e não traz retorno financeiro significativo.
Para tentar resolver essa questão, o professor aposentado do Instituto
Florestal do Estado de São Paulo, Guenji Yamazoe, lançou
um projeto de reflorestamento com base em florestas de uso múltiplo,
ou seja, em uma mesma área de reserva legal, o produtor pode plantar
várias espécies nativas rentáveis, como frutíferas
e árvores que produzem madeira. Acho que esse projeto pode
incentivar o pequeno e médio agricultor a formar a reserva legal
em sua propriedade porque ele estará investindo em uma área
que lhe renderá frutos em pouco tempo, opina.
De acordo com
o projeto, as plantas nativas são cultivadas em módulos
quadrados com 100 metros por 100 metros. O tipo de plantio tem por objetivo
permitir o cultivo de diferentes árvores em uma mesma área
com o melhor aproveitamento da incidência solar.
O espaçamento
entre as árvores é de 4 metros para evitar que umas façam
sombra sobre as outras. Nas bordas de todo o quadrado, são plantadas
as frutíferas, no meio, as árvores que produzem madeira
branca e palmito e, ao centro do quadrado, as que produzem madeira média
e de boa qualidade, como peroba rosa e jatobá.
Entre os módulos,
há um corredor com cerca de 11 metros de largura onde podem ser
plantadas culturas de cultivo anual, fornecendo renda ao produtor até
que as frutíferas cresçam, em quatro ou cinco anos. Entre
as frutíferas nativas, os tipos mais indicados para plantio, segundo
Yamazoe, são araçá, uvaia, cambuci, cabeludinha e
grumixama. São plantas que em quatro ou cinco anos estarão
dando frutos, o que é um prazo bastante considerável, já
que no caso de plantas nativas, os frutos podem demorar mais de 10 anos
para serem produzidos, conta.
A vida útil
das frutíferas nativas é de cerca de 25 anos. Depois desse
período, restariam no módulo de plantio somente as árvores
que produzem madeira, ou seja, verdadeiras florestas dentro das propriedades.
Muita gente questiona se vale a pena daqui a 30 anos ter florestas
que produzem madeira nobre dentro de suas propriedades. Acho que sim,
já que, além de uma necessidade prioritária, preservar
o meio ambiente é uma oportunidade de negócios, diz
Yamazoe.
Em São
Paulo, uma grande fazenda da região de Campinas é a pioneira
a apostar no projeto. O plantio das mudas deve acontecer até o
fim de janeiro do próximo ano. A única dificuldade
que temos é encontrar as sementes das frutíferas nativas,
conta o agrônomo.
Segundo Yamazoe,
o investimento inicial para se formar uma reserva legal deste porte é
de cerca de R$ 10 mil, caso o proprietário opte por contratar uma
empresa especializada para fazer o plantio. Mas, se o proprietário
só comprar as mudas e tiver seu próprio pessoal para formar
a reserva, esse custo se resume às despesas com a aquisição
das plantas, finaliza.
Antes de começar
a plantação, o proprietário deve fazer a averbação
da reserva legal junto ao Registro Imobiliário e dar entrada com
um projeto de manejo ambiental no Departamento Estadual de Recursos Naturais.
Quem quiser mais detalhes sobre o projeto pode entrar em contato com o
agrônomo pelo guenji@yamazoe.com.br.
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