Horário de Brasília: Segunda-feira, 06 de outubro de 2008 - 15h26
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Projeto propõe reflorestamento com renda ao proprietário

Funcionário colhendo lichias: vida útil das frutíferas é de cerca de 25 anos

(Texto: Cinthia Yumi/NB | Foto: Divulgação)

De acordo com o Código Florestal, todos os proprietários de terras têm que destinar uma área de sua propriedade para a preservação do meio ambiente, por meio de uma reserva legal (área com plantação de árvores nativas). O tamanho dessa reserva depende de alguns fatores, como uso da propriedade, dimensões e localização. Na região Sudeste, por exemplo, são exigidos 20% da área total da propriedade para a reserva legal. Na Amazônia, esse percentual é de 80%.

O que se vê, na prática, é que nas pequenas propriedades essa área é inexistente, seja pela falta de conhecimento da legislação ou pela inviabilidade de se formar tal reserva, uma vez que se trata de uma área que gera gastos e não traz retorno financeiro significativo. Para tentar resolver essa questão, o professor aposentado do Instituto Florestal do Estado de São Paulo, Guenji Yamazoe, lançou um projeto de reflorestamento com base em florestas de uso múltiplo, ou seja, em uma mesma área de reserva legal, o produtor pode plantar várias espécies nativas rentáveis, como frutíferas e árvores que produzem madeira. “Acho que esse projeto pode incentivar o pequeno e médio agricultor a formar a reserva legal em sua propriedade porque ele estará investindo em uma área que lhe renderá frutos em pouco tempo”, opina.

De acordo com o projeto, as plantas nativas são cultivadas em módulos quadrados com 100 metros por 100 metros. O tipo de plantio tem por objetivo permitir o cultivo de diferentes árvores em uma mesma área com o melhor aproveitamento da incidência solar.

O espaçamento entre as árvores é de 4 metros para evitar que umas façam sombra sobre as outras. Nas bordas de todo o quadrado, são plantadas as frutíferas, no meio, as árvores que produzem madeira branca e palmito e, ao centro do quadrado, as que produzem madeira média e de boa qualidade, como peroba rosa e jatobá.

Entre os módulos, há um corredor com cerca de 11 metros de largura onde podem ser plantadas culturas de cultivo anual, fornecendo renda ao produtor até que as frutíferas cresçam, em quatro ou cinco anos. Entre as frutíferas nativas, os tipos mais indicados para plantio, segundo Yamazoe, são araçá, uvaia, cambuci, cabeludinha e grumixama. “São plantas que em quatro ou cinco anos estarão dando frutos, o que é um prazo bastante considerável, já que no caso de plantas nativas, os frutos podem demorar mais de 10 anos para serem produzidos”, conta.

A vida útil das frutíferas nativas é de cerca de 25 anos. Depois desse período, restariam no módulo de plantio somente as árvores que produzem madeira, ou seja, verdadeiras florestas dentro das propriedades. “Muita gente questiona se vale a pena daqui a 30 anos ter florestas que produzem madeira nobre dentro de suas propriedades. Acho que sim, já que, além de uma necessidade prioritária, preservar o meio ambiente é uma oportunidade de negócios”, diz Yamazoe.

Em São Paulo, uma grande fazenda da região de Campinas é a pioneira a apostar no projeto. O plantio das mudas deve acontecer até o fim de janeiro do próximo ano. “A única dificuldade que temos é encontrar as sementes das frutíferas nativas”, conta o agrônomo.

Segundo Yamazoe, o investimento inicial para se formar uma reserva legal deste porte é de cerca de R$ 10 mil, caso o proprietário opte por contratar uma empresa especializada para fazer o plantio. “Mas, se o proprietário só comprar as mudas e tiver seu próprio pessoal para formar a reserva, esse custo se resume às despesas com a aquisição das plantas”, finaliza.

Antes de começar a plantação, o proprietário deve fazer a averbação da reserva legal junto ao Registro Imobiliário e dar entrada com um projeto de manejo ambiental no Departamento Estadual de Recursos Naturais. Quem quiser mais detalhes sobre o projeto pode entrar em contato com o agrônomo pelo guenji@yamazoe.com.br.

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