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Especial
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Japão
pode importar manga, caqui e mamão do Brasil
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Tadano
liderou a comitiva brasileira: processo depende do aval dos japoneses |
(Texto: Cinthia
Yumi/NB | Foto: Gervasio Baptista/Agência Brasil)
Um grupo do
Ministério da Agricultura esteve no Japão para tratar sobre
a questão da abertura do mercado asiático para as frutas
brasileiras. A equipe liderada por Maçao Tadano, assessor da Secretaria
de Defesa Sanitária, trouxe boas notícias: o Japão
pode liberar as importações das mangas tipo keith e kent
e ainda demonstrou interesse em importar o caqui fuyu.
Durante os
encontros, os técnicos do Ministério da Agricultura, Pesca
e Floresta do Japão aprovaram o tratamento de pós-colheita
dos frutos desenvolvido no Brasil. "Os técnicos japoneses
aprovaram o tratamento para a manga kent na reunião que tivemos
em Tóquio. Entretanto, ainda faltam proceder as etapas burocráticas
para efetivamente serem exportadas", explica a pesquisadora Keiko
Uramoto, responsável pelo desenvolvimento da metodologia.
Segundo ela,
o Japão só importa frutas frescas que tenham algum tipo
de tratamento para garantir que os frutos estão livres das larvas
ou ovas das moscas-das-frutas. No caso das mangas, esse tratamento é
feito com base no uso de água quente. "Essa técnica,
definitivamente, abriu o mercado de mangas frescas do Brasil para o Japão",
diz. O método começou a ser desenvolvido há sete
anos, por solicitação do Ministério da Agricultura
e dos produtores de frutas do Vale do São Francisco.
O próximo
passo de negociações serão os trâmites burocráticos.
"Os técnicos japoneses irão nos enviar um questionário
com várias perguntas sobre a produção brasileira
desse tipo de fruta. Em um segundo momento, responderemos a essas perguntas,
que irão abordar itens como produção, métodos
de cultivo, época de plantio e colheita e outras. Aí é
que saberemos se, de fato, o Japão terá interesse em importar
esse tipo de manga do Brasil", conta Tadano.
Segundo o presidente
do Instituto Brasileiro da Fruta (IBRAF), Moacyr Fernandes, os trâmites
para se exportar ao mercado japonês são morosos e incluem
três elementos prioritários. O primeiro é a aprovação
por parte do Ministério da Agricultura do país importador.
Depois, a possível importação é colocada em
audiência pública. E, então, são feitos os
contatos entre compradores e fornecedores. "É claro que, se
houver um comprador japonês que solicite a importação
de uma determinada fruta brasileira, os processos podem ser agilizados",
completa Fernandes.
Se tudo der
certo, a manga do tipo kent será o segundo tipo a entrar no arquipélago
nipônico, depois da Tommy-Atkins, que é comprada pelos japoneses
desde 2004. Segundo o estudo de intercâmbio comercial do agronegócio
2007 do Ministério da Agricultura, depois da manga, a próxima
fruta a ganhar a atenção dos japoneses deverá ser
o caqui. "A prioridade é a liberação das variedades
de manga. Depois, os mesmos estudos poderão ser desenvolvidos para
a exportação do caqui", prevê Tadano. Em um segundo
momento, e a longo prazo, a mesma chance poderá ser dada a outras
duas frutas: mamão papaia e uva.
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Papaia
brasileira em pauta
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Há mais
de dez anos, os produtores de mamão papaia que se concentram no
Espírito Santo e na Bahia exportam suas frutas ao exigente mercado
americano, o segundo maior consumidor. O primeiro é a Europa, em
especial a Holanda, que, no ano passado, comprou 11 mil do total de quase
24 mil toneladas exportadas.
Se, de fato,
o papaia brasileiro entrar no mercado japonês, terá de atender
a uma pequena demanda. Em 2005, a quantidade de mamão importado
pelos japoneses foi de apenas 4 mil toneladas, segundo o relatório
de importação de frutas frescas do Ministério da
Agricultura do Japão. O número é praticamente irrisório
se comparado à importação de bananas, que, em 2005,
somou mais de 1 milhão de toneladas.
Mesmo diante
desse cenário, a Associação Brasileira de Exportadores
de Papaia (Brapex) afirma que há interesse por parte de seus associados
em exportar ao Japão, uma vez que aquele mercado é o que
paga melhor em todo o mundo. "Várias iniciativas foram tomadas
junto ao governo brasileiro, para que o papaia fosse incluído como
prioridade número 2 na lista de exportações de frutas
ao Japão", diz o presidente da associação, Roberto
Pacca.
Segundo ele,
as tentativas foram entre 2002 e 2004, ocasião em que a diretoria
da Brapex visitou várias autoridades governamentais. No entanto,
o assunto estagnou.
Agora, a Brapex
analisa com cautela a possibilidade de entrar no mercado japonês,
mas destaca que a questão se torna mais complicada pela falta de
infra-estrutura adequada para o transporte. "A fruta é altamente
sensível e exige condições especiais de temperatura
durante todo o transporte. Por isso, estradas, portos e aeroportos precisam
estar em perfeitas condições para garantir a qualidade da
fruta no trajeto até o seu destino", explica Pacca.
A essa preocupação
soma-se a principal barreira para a entrada de frutas frescas no arquipélago:
as questões fitossanitárias. "O Japão está
sempre alerta sobre o risco que uma determinada fruta pode significar
para a sua agricultura. E com razão. Nós também fazemos
o mesmo quando se trata de frutas importadas", diz o presidente do
Instituto Brasileiro da Fruta (IBRAF), Moacyr Fernandes.
No caso do
mamão, a técnica hidrotérmica para eliminação
de larvas e ovos da mosca-da-fruta não é eficiente, já
que a fruta não resistiria às altas temperaturas. Por isso,
os produtores utilizam-se da técnica system approach, que consiste
no monitoramento da cultura, desde a 1ª frutificação
até o destino final, com controle dos procedimentos pré
e pós-colheita e fiscalização por parte do país
comprador.
O mesmo sistema,
que permitiu a exportação da fruta aos Estados Unidos, será
oferecido aos japoneses para avaliação.
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