Horário de Brasília: Sexta-feira, 29 de agosto de 2008 - 5h28
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Japão pode importar manga, caqui e mamão do Brasil

Tadano liderou a comitiva brasileira: processo depende do aval dos japoneses

(Texto: Cinthia Yumi/NB | Foto: Gervasio Baptista/Agência Brasil)

Um grupo do Ministério da Agricultura esteve no Japão para tratar sobre a questão da abertura do mercado asiático para as frutas brasileiras. A equipe liderada por Maçao Tadano, assessor da Secretaria de Defesa Sanitária, trouxe boas notícias: o Japão pode liberar as importações das mangas tipo keith e kent e ainda demonstrou interesse em importar o caqui fuyu.

Durante os encontros, os técnicos do Ministério da Agricultura, Pesca e Floresta do Japão aprovaram o tratamento de pós-colheita dos frutos desenvolvido no Brasil. "Os técnicos japoneses aprovaram o tratamento para a manga kent na reunião que tivemos em Tóquio. Entretanto, ainda faltam proceder as etapas burocráticas para efetivamente serem exportadas", explica a pesquisadora Keiko Uramoto, responsável pelo desenvolvimento da metodologia.

Segundo ela, o Japão só importa frutas frescas que tenham algum tipo de tratamento para garantir que os frutos estão livres das larvas ou ovas das moscas-das-frutas. No caso das mangas, esse tratamento é feito com base no uso de água quente. "Essa técnica, definitivamente, abriu o mercado de mangas frescas do Brasil para o Japão", diz. O método começou a ser desenvolvido há sete anos, por solicitação do Ministério da Agricultura e dos produtores de frutas do Vale do São Francisco.

O próximo passo de negociações serão os trâmites burocráticos. "Os técnicos japoneses irão nos enviar um questionário com várias perguntas sobre a produção brasileira desse tipo de fruta. Em um segundo momento, responderemos a essas perguntas, que irão abordar itens como produção, métodos de cultivo, época de plantio e colheita e outras. Aí é que saberemos se, de fato, o Japão terá interesse em importar esse tipo de manga do Brasil", conta Tadano.

Segundo o presidente do Instituto Brasileiro da Fruta (IBRAF), Moacyr Fernandes, os trâmites para se exportar ao mercado japonês são morosos e incluem três elementos prioritários. O primeiro é a aprovação por parte do Ministério da Agricultura do país importador. Depois, a possível importação é colocada em audiência pública. E, então, são feitos os contatos entre compradores e fornecedores. "É claro que, se houver um comprador japonês que solicite a importação de uma determinada fruta brasileira, os processos podem ser agilizados", completa Fernandes.

Se tudo der certo, a manga do tipo kent será o segundo tipo a entrar no arquipélago nipônico, depois da Tommy-Atkins, que é comprada pelos japoneses desde 2004. Segundo o estudo de intercâmbio comercial do agronegócio 2007 do Ministério da Agricultura, depois da manga, a próxima fruta a ganhar a atenção dos japoneses deverá ser o caqui. "A prioridade é a liberação das variedades de manga. Depois, os mesmos estudos poderão ser desenvolvidos para a exportação do caqui", prevê Tadano. Em um segundo momento, e a longo prazo, a mesma chance poderá ser dada a outras duas frutas: mamão papaia e uva.

 
Papaia brasileira em pauta

Há mais de dez anos, os produtores de mamão papaia que se concentram no Espírito Santo e na Bahia exportam suas frutas ao exigente mercado americano, o segundo maior consumidor. O primeiro é a Europa, em especial a Holanda, que, no ano passado, comprou 11 mil do total de quase 24 mil toneladas exportadas.

Se, de fato, o papaia brasileiro entrar no mercado japonês, terá de atender a uma pequena demanda. Em 2005, a quantidade de mamão importado pelos japoneses foi de apenas 4 mil toneladas, segundo o relatório de importação de frutas frescas do Ministério da Agricultura do Japão. O número é praticamente irrisório se comparado à importação de bananas, que, em 2005, somou mais de 1 milhão de toneladas.

Mesmo diante desse cenário, a Associação Brasileira de Exportadores de Papaia (Brapex) afirma que há interesse por parte de seus associados em exportar ao Japão, uma vez que aquele mercado é o que paga melhor em todo o mundo. "Várias iniciativas foram tomadas junto ao governo brasileiro, para que o papaia fosse incluído como prioridade número 2 na lista de exportações de frutas ao Japão", diz o presidente da associação, Roberto Pacca.

Segundo ele, as tentativas foram entre 2002 e 2004, ocasião em que a diretoria da Brapex visitou várias autoridades governamentais. No entanto, o assunto estagnou.

Agora, a Brapex analisa com cautela a possibilidade de entrar no mercado japonês, mas destaca que a questão se torna mais complicada pela falta de infra-estrutura adequada para o transporte. "A fruta é altamente sensível e exige condições especiais de temperatura durante todo o transporte. Por isso, estradas, portos e aeroportos precisam estar em perfeitas condições para garantir a qualidade da fruta no trajeto até o seu destino", explica Pacca.

A essa preocupação soma-se a principal barreira para a entrada de frutas frescas no arquipélago: as questões fitossanitárias. "O Japão está sempre alerta sobre o risco que uma determinada fruta pode significar para a sua agricultura. E com razão. Nós também fazemos o mesmo quando se trata de frutas importadas", diz o presidente do Instituto Brasileiro da Fruta (IBRAF), Moacyr Fernandes.

No caso do mamão, a técnica hidrotérmica para eliminação de larvas e ovos da mosca-da-fruta não é eficiente, já que a fruta não resistiria às altas temperaturas. Por isso, os produtores utilizam-se da técnica system approach, que consiste no monitoramento da cultura, desde a 1ª frutificação até o destino final, com controle dos procedimentos pré e pós-colheita e fiscalização por parte do país comprador.

O mesmo sistema, que permitiu a exportação da fruta aos Estados Unidos, será oferecido aos japoneses para avaliação.

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