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(Texto: Thassia
Ohphata/ipcdigital.com)
Diferentemente
do que ocorreu com os primeiros brasileiros que foram ao Japão,
no início da década de 90, hoje, quem chega no arquipélago
dificilmente sentirá falta da culinária verde-amarela. Em
todo o país, são inúmeras as opções
de lojas de produtos, além das importadoras e restaurantes brasileiros.
E, mesmo nas regiões em que não há comércio
brasileiro, os caminhões percorrem esses locais vendendo produtos
típicos. Na era da internet, existe ainda a opção
de compras pela rede com direito a entregas em domicílio.
Nas prateleiras
desses estabelecimentos, o feijão e o café dividem espaço
com verduras e legumes típicos do Brasil. Para atender esse mercado,
surgiram as hortas especializadas em verduras brasileiras. Couve, beterraba,
mandioca, chuchu e abobrinha produzidos no Japão também
fazem parte do cardápio diário de muitos brasileiros.
Um dos empreendedores
desse ramo é o japonês Haruo Hayashi, de Oizumi (Gunma).
Há 15 anos ele cultiva verduras e legumes e, hoje, distribui os
seus produtos para todo o país, inclusive para grandes redes de
supermercados japoneses, como o Itoyokado de Hamamatsu (Shizuoka). Natural
da província Miyazaki, Hayashi viveu no Brasil por mais de 20 anos.
Aqui, Hayashi
aprendeu com os amigos da região de Limeira, Holambra e Artur Nogueira,
em São Paulo, as técnicas do cultivo de verduras. Em 92,
quando retornou ao Japão, levou na bagagem sementes de couve e
almeirão que se adaptaram bem ao clima do país. Aproveitava
os finais de semana para cuidar da horta e distribuía as verduras
para os conhecidos. Foi aí que resolvi fazer disso um negócio,
conta.
O negócio
cresceu e, a partir de 96, passou a dedicar-se exclusivamente à
produção de hortaliças. Antes, dividia-se entre o
trabalho na fábrica e as hortas. Para cuidar da produção,
hoje, Hayashi tem a ajuda de japoneses. No total, 43 casas (nouka), espalhadas
na região de Ota (Gunma), cultivam couve, rúcula, salsa,
coentro, almeirão, beterraba, chicória, mostarda, chuchu,
abobrinha, jiló, rabanete, pimenta e outras verduras brasileiras.
Atualmente,
só de couve manteiga, uma das hortaliças mais procuradas,
a produção é de cerca de 3 mil pacotes por semana.
Recebo muitos pedidos e quase não estou dando conta. Quero
aumentar o número de pessoas que plantem, afirma o horticultor.
Ele calcula que cerca de 80% de seus clientes sejam brasileiros.
As sementes
que são distribuídas para os agricultores vêm do Brasil,
França, Itália e Holanda. Superadas as dificuldades e diferenças
no clima e na terra, o produtor conta que, até hoje, só
não conseguiu cultivar a mandioquinha. Já tentei de
tudo, mas não deu. Até desisti, brinca.
A atividade
também atraiu a atenção de Nilton Bueno, de Mooka
(Tochigi). Há quatro anos, ele cuida de uma horta só com
verduras brasileiras. Com alguns terrenos emprestados, que totalizam cerca
de um alqueire de plantação, Bueno cultiva alface mimosa,
rúcula, couve, pimentão, jiló, abobrinha, beterraba,
chuchu, quiabo, e, conforme a época, mandioca e milho verde brasileiro.
Ele explica
que a idéia da horta brasileira surgiu quando sua mãe foi
ao Japão a passeio. Na época, tinha pedido para ela
trazer uma rama de mandioca para plantar, já que ela não
era encontrada com facilidade no Japão. Mas, no primeiro ano, o
plantio não deu certo, recorda. Além disso,
queria dar uma ocupação para o meu sogro, que tem 70 anos,
acrescenta ele.
Na ocasião,
um amigo japonês ofereceu um pedaço de terreno para plantar.
A partir daí, outros japoneses começaram a oferecer
terrenos para que pudesse plantar, tudo emprestado, só com a condição
de cuidar do local, diz. Com isso, o brasileiro também viu
a necessidade de adquirir equipamentos e, atualmente, possui duas estufas,
um pequeno trator, um truck e bombas de irrigação. Além
de ser uma fonte extra, para ele, a atividade também é uma
forma de preencher melhor o seu tempo.
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Foto:
Osny Arashiro/ipcdigital.com
A
horta tornou-se um empreendimento familiar para os Oikawa, que residem
em Hamamatsu
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(Texto: Osny
Arashiro/IPC)
Quando Mário
Fumihiro Oikawa chegou ao Japão, no início da década
de 90, logo sentiu vontade de preparar uma salada brasileira. Mas, no
supermercado, encontrou o tradicional agrião, com cerca de 15 cm,
que mais parecia uma muda.
Foi então
que teve a idéia de plantar em casa aquelas mudas de
agrião para consumo próprio. A muda pegou e Oikawa teve
a idéia de pedir sementes do Brasil. Em pouco tempo, tinha uma
horta de fundo-de-quintal, com salsa, couve e coentro, na periferia de
Hamamatsu (Shizuoka). As sementes eram enviadas pelo Correio.
Hoje, ele está
ciente de que, para efeito comercial, as sementes precisam da aprovação
do Ministério da Agricultura do Japão. Acredito que
não exista uma verdura que tenha sido introduzida por brasileiros
no Japão. O que acontece é que os brasileiros consomem mais
essas verduras consideradas brasileiras, mas o japonês
também conhece e cultiva, embora não faça parte da
sua culinária diária, diz.
A horta de
Oikawa ganhou outras dimensões. Hoje, seus produtos abastecem os
grupos Takara, Kioske, The Amigos, Bom Brasil, Brasmarket, Tio Coutinhos,
Restaurante Dona Flor e Paraíso Brasil. Os cerca de 10 mil
metros quadrados de terra são alugados sob contrato, pois sempre
existe a possibilidade de o dono pedir o terreno de volta em meio à
produção, diz Kenji.
A família
Oikawa cultiva salsa, coentro, rúcula, espinafre, couve, agrião,
hortelã, rabanete, alface, chicória, beterraba, chuchu,
jiló, abobrinha, entre outros. No empreendimento, ainda trabalham
a nora, Cristiane, e o irmão, Luiz.
No Brasil,
é comum a geada acabar com muitas colheitas. Mas, no Japão,
ao contrário, é o calor o grande destruidor de plantações,
mais do que o pulgão e as ervas daninhas. O verão
do Japão é úmido e traz bactérias, vírus
e doenças. O inverno é seco e não cria doenças,
lembra Kenji. Por essa razão, uma estufa resolve o problema
do frio, mas não do calor, que não tem como controlar.
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