Foto:
Silvio Muto
Fernando
Nagano tem sua criação
em Garça, interior de SP |
O gosto do
nikkei pela pesca não é nenhuma novidade. Mas que tal unir
o útil ao agradável? A possibilidade de atrelar essa paixão
a uma visão empresarial, com uma mãozinha do
governo de São Paulo, vem fazendo da produção de
tilápia um negócio promissor.
O Fundo de
Expansão do Agronegócio Paulista (Feap) oferece linhas de
crédito de R$ 40,4 mil para o candidato a produtor de tilápias
que tenha uma renda bruta anual de até R$ 400 mil, com juros de
3% ao ano. Desde que começou, em 2003, o fundo já contemplou
mais de 200 produtores, em mais de R$ 2,5 milhões em financiamentos.
O prazo de pagamento é de cinco anos, inclusa a carência
de 18 meses.
O Estado de
São Paulo tem um dos maiores potenciais de produção
de peixe do Brasil. Cada metro cúbico de água pode
produzir 120 kg de tilápia. Temos, hoje, cerca de 2,8 mil tanques
instalados no Estado e o potencial ainda não foi totalmente explorado,
diz Maria Aparecida Guimarães Ribeiro, pesquisadora do Instituto
de Pesca (IP) da Secretaria de Agricultura.
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Saiba
mais sobre a linha de crédito da Feap
Perfil
do beneficiado:
proprietário de terras com água em abundância
e com renda anual de até R$ 400 mil por ano
Juros:
3% ao ano
Valor
financiado: R$ 40,4 mil por produtor R$ 15,3 mil para
tanques-rede completos, de 108 metros cúbicos; R$ 1 mil para
fixação dos tanques-rede; R$ 2,4 mil para barco, acessórios
ou aeradores; R$ 3,95 mil para alevinos e R$ 17,75 mil para ração.
Prazo
de pagamento: até cinco anos, inclusa a carência
de 18 meses.
Forma
de pagamento: até nove parcelas, após a carência.
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Ela diz que,
na tilapicultura, empregam-se alevinos revertidos, com população
só de machos. Isso se explica porque esses crescem cerca de 2,5
vezes mais que as fêmeas no mesmo período. Em condições
favoráveis, a tilápia atinge o tamanho ideal para abate
em sete meses. As regiões noroeste e centro do Estado são
as mais recomendadas para a tilapicultura, pois apresentam alta temperatura
a maior parte do ano.
Fábio
Rosa Sussel, pesquisador da Agência Paulista de Tecnologia do Agronegócio
(Apta) recomenda ao aspirante a produtor uma ampla pesquisa antes de entrar
no negócio. É importante conhecer frigoríficos, fornecedores
de alevinos, fabricantes de ração, produtores experientes
e institutos de pesquisa.
Fernando Nagano
Gomes Fernandes é dono da Fish Fácil, em Garça, interior
de São Paulo, e cria tilápias desde 1995. Engenheiro elétrico,
ele trabalhou na Cesp e entrou pela primeira vez em contato com a piscicultura
em 1993. Na época, recebi alguns alevinos de pacu para realizar
engorda. Fui pegando gosto e, em 1998, resolvi me dedicar exclusivamente
aos peixes, conta Nagano, que conta com uma produção
mensal de 4 toneladas de tilápias.
Seu mercado
ainda está restrito à região de Botucatu e Lins,
mas ele já pensa em crescer. Estamos estudando a possibilidade
de criar uma fazenda no Rio Paranapanema e aumentar a oferta de nosso
produto no estado, contou Fernandes.
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O cultivo de
tilápias começou no Quênia em 1924. A espécie
é uma das mais escolhidas para a produção controlada
por uma série de fatores: são bastante resistentes a doenças,
superpovoamentos e a baixos teores de oxigênio na água; desovam
no ano inteiro; e aceitam uma grande variedade de alimentos. Para a obtenção
de um quilo de tilápia, são gastos cerca de 1,5 kg de ração.
O pacu, por exemplo, precisa de 6 kg de alimentos para produzir 1 kg.
E a tilápia
ainda possui uma carne saborosa, com baixo teor de gordura (0,9 %) e de
calorias (172 kcal em cada 100 g). O peixe não tem espinhos em
forma de Y (mioceptos) e tem um rendimento de filé
de 35% a 40%, fazendo dele uma ótima opção para a
industrialização.
O Brasil é
o sexto produtor mundial de tilápia, atrás de China, Taiwan,
Filipinas, Tailândia e México. O principal destino da exportação
nacional são os Estados Unidos.
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