Horário de Brasília: Sexta-feira, 10 de outubro de 2008 - 20h57
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Criar tilápias, uma boa idéia
Foto: Silvio Muto

Fernando Nagano tem sua criação
em Garça, interior de SP

O gosto do nikkei pela pesca não é nenhuma novidade. Mas que tal unir o útil ao agradável? A possibilidade de atrelar essa paixão a uma visão empresarial, com uma “mãozinha” do governo de São Paulo, vem fazendo da produção de tilápia um negócio promissor.

O Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap) oferece linhas de crédito de R$ 40,4 mil para o candidato a produtor de tilápias que tenha uma renda bruta anual de até R$ 400 mil, com juros de 3% ao ano. Desde que começou, em 2003, o fundo já contemplou mais de 200 produtores, em mais de R$ 2,5 milhões em financiamentos. O prazo de pagamento é de cinco anos, inclusa a carência de 18 meses.

O Estado de São Paulo tem um dos maiores potenciais de produção de peixe do Brasil. “Cada metro cúbico de água pode produzir 120 kg de tilápia. Temos, hoje, cerca de 2,8 mil tanques instalados no Estado e o potencial ainda não foi totalmente explorado”, diz Maria Aparecida Guimarães Ribeiro, pesquisadora do Instituto de Pesca (IP) da Secretaria de Agricultura.

Saiba mais sobre a linha de crédito da Feap

Perfil do beneficiado: proprietário de terras com água em abundância e com renda anual de até R$ 400 mil por ano

Juros: 3% ao ano

Valor financiado: R$ 40,4 mil por produtor – R$ 15,3 mil para tanques-rede completos, de 108 metros cúbicos; R$ 1 mil para fixação dos tanques-rede; R$ 2,4 mil para barco, acessórios ou aeradores; R$ 3,95 mil para alevinos e R$ 17,75 mil para ração.

Prazo de pagamento: até cinco anos, inclusa a carência de 18 meses.

Forma de pagamento: até nove parcelas, após a carência.

Ela diz que, na tilapicultura, empregam-se alevinos revertidos, com população só de machos. Isso se explica porque esses crescem cerca de 2,5 vezes mais que as fêmeas no mesmo período. Em condições favoráveis, a tilápia atinge o tamanho ideal para abate em sete meses. As regiões noroeste e centro do Estado são as mais recomendadas para a tilapicultura, pois apresentam alta temperatura a maior parte do ano.

Fábio Rosa Sussel, pesquisador da Agência Paulista de Tecnologia do Agronegócio (Apta) recomenda ao aspirante a produtor uma ampla pesquisa antes de entrar no negócio. É importante conhecer frigoríficos, fornecedores de alevinos, fabricantes de ração, produtores experientes e institutos de pesquisa.

Fernando Nagano Gomes Fernandes é dono da Fish Fácil, em Garça, interior de São Paulo, e cria tilápias desde 1995. Engenheiro elétrico, ele trabalhou na Cesp e entrou pela primeira vez em contato com a piscicultura em 1993. “Na época, recebi alguns alevinos de pacu para realizar engorda. Fui pegando gosto e, em 1998, resolvi me dedicar exclusivamente aos peixes,” conta Nagano, que conta com uma produção mensal de 4 toneladas de tilápias.

Seu mercado ainda está restrito à região de Botucatu e Lins, mas ele já pensa em crescer. “Estamos estudando a possibilidade de criar uma fazenda no Rio Paranapanema e aumentar a oferta de nosso produto no estado”, contou Fernandes.

 
Vantagens

O cultivo de tilápias começou no Quênia em 1924. A espécie é uma das mais escolhidas para a produção controlada por uma série de fatores: são bastante resistentes a doenças, superpovoamentos e a baixos teores de oxigênio na água; desovam no ano inteiro; e aceitam uma grande variedade de alimentos. Para a obtenção de um quilo de tilápia, são gastos cerca de 1,5 kg de ração. O pacu, por exemplo, precisa de 6 kg de alimentos para produzir 1 kg.

E a tilápia ainda possui uma carne saborosa, com baixo teor de gordura (0,9 %) e de calorias (172 kcal em cada 100 g). O peixe não tem espinhos em forma de “Y” (mioceptos) e tem um rendimento de filé de 35% a 40%, fazendo dele uma ótima opção para a industrialização.

O Brasil é o sexto produtor mundial de tilápia, atrás de China, Taiwan, Filipinas, Tailândia e México. O principal destino da exportação nacional são os Estados Unidos.

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