Horário de Brasília: Sexta-feira, 25 de julho de 2008 - 17h33
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Aumento das vendas anima produtores de flores em SP
Foto: Helder Horikawa/NB

Francisco Saito, produtor de rosas em Atibaia: mercado pode melhorar mais

As vendas de flores no Brasil vão muito bem. E podem crescer mais. Essa é a constatação do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), que estima um potencial de crescimento, em 2007, em torno de 5% a 10%. O consumo de flores e plantas ornamentais no País ainda não ultrapassa US$ 7 por habitante/ano, valor dez vezes menor do que a média européia de consumo.

O problema, de acordo com o presidente da Ibraflor, Kees Schoenmaker, é que o consumidor brasileiro ainda tem poucas informações sobre flores, folhagens e plantas ornamentais. Portanto, campanhas de divulgação são bem-vindas e as grandes festas do setor, como a ExpoAflord, em Arujá, e Expoflora, em Holambra, ambas no interior de São Paulo, contribuem para o crescimento das vendas. “Aproveitamos a festa para divulgarmos nossos produtos. Só na primeira semana do evento deste ano, vendemos 25% mais do que o mesmo período de 2006”, argumenta Luiz Kei Takanashi, gerente de Marketing da Aflord.

De acordo com Schoenmaker, a produção brasileira de flores e plantas ornamentais ultrapassa 6,5 mil hectares de área plantada. O principal produtor é o Estado de São Paulo, que responde por 70% do cultivo. Outros 25% da produção estão no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná. Os 5% restantes são registrados nos novos pólos que estão sendo criados nas regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste (especialmente no Ceará).

Em todo o Brasil, estima-se que cerca de 5 mil produtores se dediquem à floricultura, entre grandes, médios e pequenos. A maior parte da atividade é desenvolvida por pequenas propriedades, com área média de cultivo de 1,5 hectare. Para os produtores, o setor gera um faturamento estimado em U$ 400 milhões por ano. No varejo, o faturamento é estimado em U$ 1,3 bilhão por ano. “As vendas no mercado interno estão bem, mas o cenário pode ser melhor ainda”, diz Francisco Saito, produtor de Atibaia, que comercializa algo em torno de 70 mil dúzias de rosas no mercado brasileiro. “Espero fechar dezembro vendendo 100 mil dúzias”, completa.

Além de maior produtor, o Estado de São Paulo é também o maior consumidor e exportador de flores e de plantas ornamentais do Brasil. São Paulo responde por 40% do consumo brasileiro. Somente a capital absorve 25% do volume comercializado no Brasil. O restante abastece os demais Estados, sendo o Paraná o principal importador.

A maior parte do cultivo é feita a céu aberto (71% da produção). As estufas representam 26% e as plantações em tela apenas 3%. Do total da área cultivada, 50,4% são destinados para mudas; 28,8% para flores de corte; 13,2% para flores em vasos; 3,1% para folhagens em vasos; 2,6% para folhagens de corte e 1,9% para outros produtos da floricultura.

 
Principais regiões produtoras no Estado
Região de Atibaia
A região de Atibaia conta com 400 produtores com uma área de produção estimada em 500 hectares, sendo 50% para flor de corte (com destaque para Rosa, Chrysanthemum e Gypsophila) e 50% para flor em vaso (com destaque para Orchids e Chrysanthemum). A predominância de pequenas e médias propriedades é uma das principais características da região.

Região do Paranapanema
Nessa região, localiza-se a colônia holandesa Holambra II, onde vários produtores se dedicam ao cultivo de flores de corte e vaso. Existe uma liderança parcial da Cooperativa de Holambra II para o comércio de flores. O grupo Steltenpool, discidente dessa organização, lidera um grupo de produtores por meio de sua central de comercialização. Alguns produtos são escoados pelas estruturas do Veiling e Floranet, em Holambra.

Região da Dutra
Os principais municípios produtores são Arujá, Mogi das Cruzes e Salesópolis. Predomina a colônia japonesa e a produção de plantas em vaso para interiores é a maior especialidade da região. A produção da região da Dutra é vendida nos principais mercados do estado: Ceasa-Campinas, Ceagesp, Veiling-Holambra e Floranet.

Vale do Ribeira
Caracterizada pelo clima quente e úmido, a região tem produtores dedicados ao cultivo de flores tropicais, Anthurium sp. e plantas para paisagismo. Nessa região, também são produzidas plantas prontas para serem usadas em projetos de paisagismo. Os produtos são comercializados na Ceagesp e na Ceasa-Campinas.

Região de Campinas
A produção de flores e plantas dessa região, integrada por Campinas, Hortolândia, Indaiatuba, Monte-Mor e Limeira, é comercializada no Mercado Permanente de Flores e Plantas Ornamentais da Ceasa-Campinas. Vale ressaltar a importância nacional da região na produção de Aechmea e plantas para paisagismo. Inaugurado em 1994, o Mercado de Flores foi um marco decisivo para o desenvolvimento do comércio varejista na região.

Grande São Paulo
Nos municípios que rodeiam a capital, região chamada de “cinturão” de São Paulo, estão localizadas várias comunidades japonesas que se dedicam ao cultivo de flores e plantas. Em sua maioria, são pequenos produtores, com baixa aplicação de tecnologia. Excepcionalmente, usam alguma tecnologia básica de estufas e irrigação, mas sem nenhuma sofisticação.

Região de Holambra
Nessa região, está o centro mais desenvolvido da floricultura brasileira. Os principais fabricantes e fornecedores de insumos, tecnologia e mudas de propagação estão por ali. Paralelamente, surgiram também laboratórios para propagação in vitro das principais espécies cultivadas. As principais empresas de produção de material genético do mundo tem alguma parceria ou representação comercial na cidade.

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