Horário de Brasília: Segunda-feira, 01 de dezembro de 2008 - 17h29
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Indústria de frutas troca caju por goiaba na região Noroeste
(Foto: Antônio José do Carmo)

Hideki Asada: negócio deu tão certo que ele espera introduzir mais 100 mil mudas de goiaba

(Por Antônio José do Carmo/Especial para o NB)

A região da Alta Noroeste tem manhãs de muita neblina. Isso é bom para o capim, que fez a região ser a maior produtora de gado do Estado de São Paulo, mas não ajudou as lavouras de caju. O agricultor Hideki Asada, de Mirandópolis, se rendeu ao projeto que previa fazer do caju a principal matéria-prima da indústria construída com ajuda de financiamento público.

Seria uma alternativa das pequenas propriedades. Asada chegou a vender milhares de mudas, mas as lavouras de caju em Mirandópolis e Guaraçaí estão sendo abandonadas pela maioria dos produtores que foi citada no passado como exemplo. O motivo é o baixo rendimento e o ataque de pragas.

Mas o projeto de Asada para a construção de uma indústria com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) deu certo. Para conseguir os recursos ele dividiu cotas com 40 pequenos proprietários e teve aval do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Mirandópolis.

A crise com a cultura do caju não inviabilizou o projeto industrial. A maioria dos sócios cotistas, no entanto, aceitou a proposta de Asada e vendeu a ele as ações participativas. Hoje, Hideki é dono majoritário da indústria avaliada em mais de R$ 350 mil.

O parque industrial passou a ser implementado com uso de outras frutas de grande produção na região, como manga, caju, abacaxi e carambola. Elas são desidratadas e comercializadas principalmente na região sul do Brasil e Argentina. A capacidade de processamento chega a 15 toneladas por dia.

Agora, Asada, aos 75 anos, espera introduzir mais 100 mil mudas de goiaba, em uma região que até recentemente arrancou 150 mil pés por causa dos baixos preços. Os produtores venderam goiaba a R$ 0,15 o quilo há pouco mais de cinco anos, quando as indústrias deixaram de comprar o produto da variedade Paluma, que não tinha atrativo para venda in-natura, para mesa.

Na terceira semana de agosto o preço era de R$ 0,60 o kg para o produtor, pago para variedades de mesa como Pedro Sato. Pela caixa de 20 kg o agricultor recebia até R$ 16.

Asada aproveita a onda do bom preço e intensifica a venda de mudas de goiaba. Após 7 anos de pesquisas ele cruzou duas variedades: Pedro Sato X Cascão. Uma com textura muito mole e outra muito dura. Ele acredita que tenha chegado ao meio termo e chamou o enxerto de Novo Milênio.

Mas o agrônomo Roberto Sekia diz que a “variedade” de Asada não é reconhecida tecnicamente porque não foi produzida mediante os critérios internacionais de pesquisa. Mas para ele, o marketing foi perfeito porque os pequenos produtores voltaram a plantar goiaba.

Para Sekia, os prejuízos em um passado recente, se devem a vários fatores, como plantio de variedades usadas apenas na indústria como a Paluma. Outro motivo, na sua opinião, seria o plantio de áreas superiores e 3 hectares em propriedades de exploração familiar. “A lavoura dá muito trabalho e na hora da colheita se a área for grande pode dar prejuízo”, diz Sekia.

Asada faz parceria com os agricultores oferecendo uma muda da Novo Milênio em troca de uma caixa de goiaba daqui a um ano, quando começar a produção. Se for para pagamento à vista, o preço é de R$ 7.

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