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Antônio José do Carmo)
Hideki
Asada: negócio deu tão certo que ele espera introduzir
mais 100 mil mudas de goiaba |
(Por Antônio
José do Carmo/Especial para o NB)
A região
da Alta Noroeste tem manhãs de muita neblina. Isso é bom
para o capim, que fez a região ser a maior produtora de gado do
Estado de São Paulo, mas não ajudou as lavouras de caju.
O agricultor Hideki Asada, de Mirandópolis, se rendeu ao projeto
que previa fazer do caju a principal matéria-prima da indústria
construída com ajuda de financiamento público.
Seria uma alternativa
das pequenas propriedades. Asada chegou a vender milhares de mudas, mas
as lavouras de caju em Mirandópolis e Guaraçaí estão
sendo abandonadas pela maioria dos produtores que foi citada no passado
como exemplo. O motivo é o baixo rendimento e o ataque de pragas.
Mas o projeto
de Asada para a construção de uma indústria com recursos
do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) deu certo. Para conseguir os recursos
ele dividiu cotas com 40 pequenos proprietários e teve aval do
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Mirandópolis.
A crise com
a cultura do caju não inviabilizou o projeto industrial. A maioria
dos sócios cotistas, no entanto, aceitou a proposta de Asada e
vendeu a ele as ações participativas. Hoje, Hideki é
dono majoritário da indústria avaliada em mais de R$ 350
mil.
O parque industrial
passou a ser implementado com uso de outras frutas de grande produção
na região, como manga, caju, abacaxi e carambola. Elas são
desidratadas e comercializadas principalmente na região sul do
Brasil e Argentina. A capacidade de processamento chega a 15 toneladas
por dia.
Agora, Asada,
aos 75 anos, espera introduzir mais 100 mil mudas de goiaba, em uma região
que até recentemente arrancou 150 mil pés por causa dos
baixos preços. Os produtores venderam goiaba a R$ 0,15 o quilo
há pouco mais de cinco anos, quando as indústrias deixaram
de comprar o produto da variedade Paluma, que não tinha atrativo
para venda in-natura, para mesa.
Na terceira
semana de agosto o preço era de R$ 0,60 o kg para o produtor, pago
para variedades de mesa como Pedro Sato. Pela caixa de 20 kg o agricultor
recebia até R$ 16.
Asada aproveita
a onda do bom preço e intensifica a venda de mudas de goiaba. Após
7 anos de pesquisas ele cruzou duas variedades: Pedro Sato X Cascão.
Uma com textura muito mole e outra muito dura. Ele acredita que tenha
chegado ao meio termo e chamou o enxerto de Novo Milênio.
Mas o agrônomo
Roberto Sekia diz que a variedade de Asada não é
reconhecida tecnicamente porque não foi produzida mediante os critérios
internacionais de pesquisa. Mas para ele, o marketing foi perfeito porque
os pequenos produtores voltaram a plantar goiaba.
Para Sekia,
os prejuízos em um passado recente, se devem a vários fatores,
como plantio de variedades usadas apenas na indústria como a Paluma.
Outro motivo, na sua opinião, seria o plantio de áreas superiores
e 3 hectares em propriedades de exploração familiar. A
lavoura dá muito trabalho e na hora da colheita se a área
for grande pode dar prejuízo, diz Sekia.
Asada faz parceria
com os agricultores oferecendo uma muda da Novo Milênio em troca
de uma caixa de goiaba daqui a um ano, quando começar a produção.
Se for para pagamento à vista, o preço é de R$ 7.
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