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Conversando de RH

14 de agosto de 2015

Pêssego, caqui, ou jaca: qual é a fruta de sua preferência?

Aquele pêssego dourado, desmanchando na boca, ou um caqui fuyu reluzente, de quase 700 g, frutas tão perfeitas e delicadas, que nos levam a pensar em obra divina... Quem há de resistir à tamanha tentação?

Essas verdadeiras obras de arte da natureza não surgem ao acaso. Tem o dedo e a mão do homem - quantos dedos e mãos são necessários! Que o diga o meu amigo Eiji, dedicado fruticultor na região de Piedade, no cinturão verde próximo à capital.

Seus pêssegos, caquis, morangos, nêsperas, lichias e jacas, entre outras frutas, encantam pela qualidade e beleza; frutas às quais tenho o privilégio de saborear diretamente na fonte, literalmente no pé, no sítio desse amigo, desde que o conheci, há uns seis anos. Desse contato, aprendi a admirar o trabalho árduo e incansável, dele e de toda a sua família, composta pela esposa, filhos e seus pais já idosos, todos envolvidos na faina diária de cuidar do pomar, do qual depende o seu sustento. Faça sol, faça chuva, de noite e de dia, de segunda a domingo, é uma vida duríssima, de imenso sacrifício, mas digna. Digna como é a de centenas de outras pessoas neste país, aquelas que se dedicam à nobre missão, mas, infelizmente, pouco reconhecida, da agricultura, do cultivo da terra.

Ultimamente, eu vinha percebendo no semblante de Eiji-San uma indisfarçável preocupação. Com jeitinho, descobri que o desânimo estava ligado à própria profissão. Os altos custos dos insumos, a baixa rentabilidade e as intempéries da natureza vinham desmotivando o amigo, a ponto de ele pensar em deixar a atividade de campo, iniciada por seu pai há quase cinquenta anos. Uma cruel e dolorosa decisão!

Uma luzinha acendeu-se na minha cabeça, o que ocorre toda vez que deparo com flagrantes injustiças. Pensando em ajudá-lo de alguma forma, ocorreu-me a ideia de sugerir a adoção de uma iniciativa relativamente nova, que vi implantada em algumas propriedades rurais, com bastante sucesso: o turismo rural, ou agroturismo. Com os poucos conhecimentos que tinha sobre o assunto, comentei com o amigo Eiji e ele, mesmo com um certo receio, comprou a ideia e se dispôs a implantá-la ainda na safra do caqui, que ocorre no período de abril a junho. O projeto exigiu um pequeno investimento na melhoria da infraestrutura do local, que, convenhamos, era bastante precária (limpeza do galpão, banheiros, estacionamento), além de exigir a efetiva participação de toda a família e de alguns parentes, que se envolveram de corpo e alma no projeto.

De nossa parte, foi feito um esforço no sentido de divulgar o evento e, graças à valiosa ajuda do amigo Carlos, com sua vasta rede de relacionamentos, conseguimos levar o primeiro grupo de "turistas", cujos participantes, a maioria de terceira idade, tiveram a oportunidade de voltar às origens e passar um dia verdadeiramente inesquecível. Conheceram um pomar de caqui (fuyu e guiombo), aprenderam um pouco sobre cultivo e produção e, mais do que tudo, colheram o fruto diretamente do pé. Um programa diferente, enriquecido pela amabilidade e atenção da família, que se desdobrou em bem recepcionar os visitantes, oferecendo um delicioso café da manhã, na chegada, e depois, no almoço, um caprichado obento, tudo feito pelos familiares. Além dos caquis de primeira qualidade, que puderam colher e trazer, eles puderam adquirir produtos em conserva elaborados pela família de Eiji-San, como lakyô, tsukemono, fukujinsukê, caqui desidratado, shimeji etc. O evento alcançou plenamente os seus objetivos e podemos dizer que foi um sucesso.

Como dissemos, o turismo rural é uma atividade ainda emergente no Brasil. O produtor (agricultor/fruticultor/floricultor) tem a necessidade de agregar valor a seus produtos e de buscar novas fontes de renda à sua atividade.

No segmento da fruticultura, é possível explorar a interação dos turistas com o meio rural, que buscam cada vez mais a contemplação da natureza, respirando ar puro, conhecendo e vivenciando as rotinas de campo, além de poder adquirir produtos da terra, fresquinhos. Além disso, é possível conhecer um pouco sobre o cultivo e a produção de vários tipos de frutas e praticar o "colha e pague", muito apreciado no segmento pesqueiro.

Para que um programa ou projeto de turismo rural seja viável e com possibilidade de êxito, é importante observar alguns requisitos básicos:

- verificar a aptidão do proprietário rural para a atividade turística. Ou seja, o proprietário tem que acreditar e estar disposto a assumir o risco;

- diagnosticar a viabilidade turística da propriedade rural, levando-se em consideração a capacidade de gestão do produtor, a capacidade financeira para promover as adequações necessárias, bem como avaliar a sustentabilidade ambiental e mercadológica do empreendimento;

- buscar orientação técnica junto a entidades de classe/governamental e a assessoria de um profissional qualificado para a orientação do projeto.

É preciso preservar e fixar a atividade do produtor rural, tão importante e necessária para o País, como é a industrial ou a comercial. Concorda? Afinal, não podemos permitir que essas "delícias" desapareçam de nossa mesa e de nosso cardápio!



Katsuo Higuchi
Profissional de RH; como executivo e empresário , atua
na área há mais de 40 anos. Foi diretor da empresa AVANCE DO BRASIL.
e-mail: rk.higuchi@gmail.com

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