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Especial - NippoBrasil
65 anos da bomba atômica no Japão

Discurso do secretário-geral da
Organização das Nações Unidas

Íntegra do discurso do secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-Moon,
proferida na Cerimônia para Memória da Paz em Hiroshima, 06 de agosto.


Hiroshima no minasama, konnnichiwa. Ohayo gozaimasu.

Estamos aqui, na terra sagrada, para ver, sentir, absorver e refletir.
Estou honrado em ser o primeiro secretário-geral da ONU a participar desta Cerimônia em Memória da Paz, no 65º. ano desta data trágica. Estou profundamente comovido.

Quando as bombas atômicaws foram jogadas em Hiroshima e Nagasaki, eu tinha um ano de idade. Apenas mais tarde pude começar a entender toda a dimenção do que aconteceu aqui. Vivi a Guerra da Coreia ainda garoto. Uma das minas primeiras memórias foi a marcha que fizemos numa estrada lamacenta nas montanhas, com a nossa vila ardendo em chamas atrás de nós. Tantas vidas se perderam, famílias destruídas – quanta tristeza. Desde então, dediquei minha vida para a paz. É o que me traz aqui hoje.

Watashi wa sekai heiwa no tameni Hiroshimani mairimashita. (Vim a Hiroshima para a paz mundial).

Nós nos reunimos em respeito àqueles que faleceram, há 65 anos, e para muitos outros que tiveram suas vidas alteradas pára sempre. A vida é curta, mas a memória é longa.

Para muitos de vocês, aquele dia continua tão vívido como a luz branca que queimou o céu, tão escuro quanto a chuva negra que caiu em seguida. Para vocês, ofereço uma mensagem de esperança. Para todos vocês, ofereço minha mensagem de paz. Nosso mundo pode ser mais pacífico. Vocês estão ajudando a torná-lo realidade. Vocês, sobreviventes, que nos inspiram com sua coragem e força moral. Vocês, da próxima geração, a geração mais jovem, trabalhando para dias melhores.

Juntos, vocês fizeram de Hiroshima um epicentro da paz. Juntos, estamos numa jornada do marco zero para Global Zero – um mundo livre de armas de destruição em massa. Este é o único caminho sensato para um mundo mais seguro. Enquanto armas nucleares existirem, viveremos sob a sombra nuclear.

É por isso que fiz do desarmamento nuclear e a não-proliferação as maiores prioridades das Nações Unidas – e apresentar um plano de 5 pontos.

A nossa hora chegou. Em todos os lugares, encontramos novos amigos e aliados. Vemos novas lideranças entre os países mais fortes. Vemos novos compromissos no Conselho de Segurança da ONU. Vemos nova energia da sociedade civil. Rússia e Estados Unidos têm o novo tratado START. Fizemos importantes progressos no Encontro de Segurança Nuclear em Washington, em abril passado. Com base nos seus resultados, será realizado o próximo encontro na Coreia do Sul, em 2012.

Precisamos aproveitar esta oportunidade. Em setembro, faremos uma reunião para apoiar o trabalho da Conferência para Desarmamento nas Nações Unidas. Encaminhamos para negociações para o desarmamento nuclear. Um Tratado Amplo de Proibição de Testes Nucleares. Um Tratado de Interrupção de Materiais Físseis. Aulas sobre desarmamento nas escolas – com testemunhos de sobreviventes nas principais línguas, inclusive. Devemos ensinar a verdade elementar: que o status e o prestígio pertencem não a quem possui armas nucleares, mas a quem as rejeita.

Senhoras e senhores, há 65 anos, o fogo do inferno desceu sobre este local. Hoje, uma chama arde, neste Parque da Paz. Seria ela a Chama da Paz, a chama que continuará acesa enquanto houver armas nucleares? Juntos, vamos trabalhar para este dia, enquanto estivermos vivos, enquanto os sobreviventes da bomba estiverem vivos? Juntos, vamos apagar a última chama de Hiroshima. Vamos substituir esta chama com a luz da esperança. Vamos tornar realidade o nosso sonho de um mundo livre de armas nucleares, para que as nossas crianças e as gerações seguintes possam viver em liberdade, segurança e paz.

Obrigado. Domo arigatou gozaimasu.

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