Moradores
de Toyota planejam sair às ruas para comemorar
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(Reportagem
e foto: Alexander Kanashiro/IPC)
Torcedores
brasileiros de Kani (Gifu) e Toyota (Aichi) vão fazer um verdadeiro
sacrifício para driblar o fuso horário e acompanhar os jogos
da seleção brasileira na Copa da África do Sul. Eles
garantem que animação e empolgação não
vão faltar na comunidade, mesmo tarde da noite ou de madrugada,
para empurrar o time rumo ao hexacampeonato.
Em Toyota,
o trabalho em turnos alternados não vai impedir um grupo de jovens
torcedores do conjunto residencial Homi Danchi de acompanhar os jogos
do Mundial, principalmente os do Brasil. Com as duas primeiras partidas
da seleção às 3h30 e a terceira às 23h (no
horário do Japão), conter os gritos de gol para não
perturbar a vizinhança será uma tarefa mais difícil
do que acordar cedo para Anderson Gushiken. Não tem jeito,
não vai dar para segurar. O grito vai ficar entalado na garganta
e vamos ter de comemorar, adianta. Gushiken não gostou da
ausência de Ronaldinho Gaúcho e de Adriano da lista de convocação
do técnico Dunga. Para ele, a criatividade do jogador do Milan
e a capacidade de decisão do atacante do carioca devem fazer falta
nos gramados sul-africanos. Mas vou torcer do mesmo jeito para os
demais darem conta do recado, admite.
Já Alexandre
Pereira, 27, acredita que o fato de a seleção não
estar com tantos astros badalados, como em 2006, pode beneficiar o rendimento
da equipe. Temos um grupo de jogadores esforçados que não
são consagrados e vão jogar com toda raça para entrar
na história, ao contrário daqueles medalhões que
foram só para quebrar recordes e fizeram o fiasco de 2006,
compara.
Os amigos Pereira
e Gushiken acham que o Brasil deve passar sem dificuldades da primeira
fase, embora esteja em um dos grupos mais difíceis do Mundial.
Mas, Celso Morimoto, 41, de Kani (Gifu), pede cautela na estreia para
evitar eventuais zebras. Tem de se precaver contra a Coreia do Norte,
pois os times pequenos entram com mais garra e vontade de ganhar,
diz, em referência às derrotas da França para o Senegal
em 2002 e da Argentina para Camarões em 1990, ambas por 1 a 0.
Vale lembrar
que os norte-coreanos já aprontaram em 1966, quando eliminaram
a poderosa Itália (1 a 0), que voltou para casa mais cedo, enquanto
os asiáticos chegaram às quartas de final.
Apesar do feito
histórico do primeiro adversário do Brasil na África,
a torcedora Gisele Kanashiro, 27, está mais otimista e não
aceita uma derrota. O Brasil tem tudo para ganhar e, se perder,
aí, sim, a torcida vai estar em pé de guerra com o Dunga,
brinca, em referência à tensão entre as duas Coreias.
Comemoração
Independentemente
da campanha do Brasil na África do Sul, os brasileiros residentes
no arquipélago prometem muita festa para acompanhar as partidas.
Se o esperado hexacampeonato vier, a comemoração não
terá hora para acabar. Vamos sair às ruas de Toyota
como em 2002, diz empolgado Júlio César Watanabe da
Silva. A vizinhança vai ter de aguentar, mas eles já
devem estar acostumados, brinca Gushiken.
Em Kani, o
Mundial será mais uma forma de ampliar o intercâmbio entre
estrangeiros e japoneses. Acostumados ao trabalho voluntário com
os brasileiros da cidade, membros japoneses de uma associação
comunitária entraram no clima de Copa do Mundo e prometeram comemorar
juntos o título do Brasil ou uma boa participação
do Japão.
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