Montanhas
formam paredões, dando a
Yakushima o apelido de Alpes sobre o mar
|

Senpiro: queda de 60 metros
e peça de granito impressionam
|

Com alguma sorte, turista poderá
ver veados Yaku nos passeios
|

Cânion de Shiratani Unsui inspirou Hayao Miyazaki
para compor o cenário do longa Princesa Mononoke
|
(Texto: Yoko
Fujino/NB | Fotos: ©Kagoshima Prefectural Tourist Federation/©JNTO)
A 60 quilômetros
da península de Kagoshima, no extremo sul da ilha de Kyushu, Yakushima,
com pouco mais de 500 km² de extensão, é refúgio
de espécies endêmicas, ou seja, que só são
encontradas nesta região. No meio do terreno de formato pentagonal,
fica o monte Miyanoura, com 1.936 metros de altura e que é chamado
de Alpes sobre o mar.
As montanhas
formam paredões que impedem o avanço dos ventos úmidos
vindos do oceano, responsáveis por chuvas intensas o ano todo.
Diz-se que chove 35 dias por mês em Yakushima. Brincadeiras
à parte, nas áreas planas, a precipitação
anual é de 3.000 a 4.000 milímetros de chuva e, nas montanhas,
pode chegar a 10 mil milímetros. A temperatura média no
verão é de 30°C e, no inverno, não costuma ficar
abaixo dos 8°C; porém, nas montanhas, chegam a acumular até
60 centímetros de neve no inverno e, mesmo no verão, as
temperaturas são bem baixas.
Bosque de Mononoke Hime
O clima diferente
de outras partes do Japão aliado ao isolamento do continente permitiu
o surgimento do yakusugi, um tipo de cedro japonês (criptoméria)
só encontrado na ilha. Comparado à espécie comum,
o yakusugi é mais longevo: muitos exemplares passam dos 1.000 anos,
quase o dobro do tipo comum. Como o solo de Yakushima é formado
basicamente de granito, com pouca terra, seu crescimento é lento
e, por ser uma região de muita chuva, é rico em resina,
o que torna a madeira resistente à umidade.
Os cedros naturais
só são encontrados em locais que ficam ao menos 500 metros
acima do nível do mar. Assim, quem quiser fazer as trilhas para
ver as árvores milenares, deve estar preparado para enfrentar frio
e chuva. No monte Miyanoura, fica a árvore mais famosa, Jomon Sugi.
Estima-se que ela tenha de 2.600 a 7.200 anos. A trilha de acesso a essa
árvore leva de oito a dez horas de caminhada, ida e volta. Cada
trecho tem 11 quilômetro cerca de 8 quilômetros seguindo
uma antiga estrada de ferro. Ao final do caminho, encontra-se a árvore
milenar com 25,3 metros de altura e 16,4 metros de circunferência.
Quem quiser
observar as árvores milenares, mas não tem preparo físico
para tanto, pode ir ao Yakusugi Land, que fica a 16 quilômetros
da vila de Anbou, e tem fácil acesso de carro. Através de
passarelas que cortam o parque de 270 hectares podem ser feitos trajetos
de 30 a 150 minutos de duração. No parque, fica o Buddha
Sugi, com 1.800 anos de idade e oito metros de circunferência. Além
disso, o turista que tiver sorte poderá encontrar os macacos e
veados Yaku (yakuzaru e yakujika). Eles são um pouco menores que
as espécies que habitam o resto do Japão.
O cânion
Shiratani Unsui foi visitado diversas vezes pelo diretor de filmes de
animação Hayao Miyazaki para a ambientação
do longa Princesa Mononoke. O cânion faz parte do vale do rio Miyanoura,
na porção norte da ilha. O calçamento de granito
foi feito no período Edo (séculos 17 a 19), quando o corte
de cedros era intenso para produção de madeira enviada para
Edo (atual Tóquio). Por causa da chuva e da umidade, os troncos
das árvores e pedras estão cobertas por musgo, que, junto
com a bruma, criam uma paisagem única, a qual Miyazaki soube traduzir
como poucos para a animação.
Por causa das
árvores milenares e seu rico ecossistema, com mais de 1.900 espécies,
o monte Miyanoura e os bosques de cedros foram declarados patrimônio
natural pela Unesco, em 1993.
Praias
e cachoeiras
Apesar de
seus 132 quilômetros de circunferência, a ilha de Yakushima
tem poucas praias, já que suas terras terminam em costões
e despenhadeiros, em função de sua formação
geológica. Mas as poucas praias revelam águas azuis e verdes
cristalinas e areias brancas.
A praia Nagata
Inaka Hama é conhecida por ser berçário de tartarugas.
Nos meses de maio a julho, as fêmeas chegam à praia para
botar os ovos. Há relatos de que até 20 tartarugas desovam
nessa praia em uma só noite. Os filhotes nascem em agosto. A praia
de 800 metros é protegida pela Convenção de Ramsar,
para preservar aves raras. Ela fica no noroeste da ilha.
As águas
da praia de Issou, também no noroeste da ilha, foram consideradas
as mais limpas da província. É um conhecido ponto de mergulho
para observação de peixes e corais. Na porção
sudoeste de Yakushima há a praia de Kurio, com água azul-turqueza
transparente e areia branca.
Por causa da
pequena faixa de areia natural, foi criada a praia artificial de Haruta
Hama, na vila de Anbou. Ela aproveita as rochas para formar uma piscina
natural. As pedras da orla ficam submersas na maré cheia e, quando
a água baixa, os peixes ficam presos nas poças que se formam
é possível observar o colorido da vida marinha sem
equipamento.
A água
abundante corre pelos rios que cortam a ilha, formando diversas cachoeiras.
A de Senpiro desce em uma imensa placa de granito. A queda de 60 metros
fica a 30 minutos de carro da vila de Anbou. Já a de Ookawa pode
ser vista bem de perto. A queda tem 88 metros e forma um lago verde-esmeralda.
Ela é considerada uma das 100 mais belas cachoeiras do Japão.
Outra de apenas seis metros de altura chama a atenção: é
a cachoeira de Torooki. O rio Tai (Tainokawa) termida com essa queda direto
no mar, numa baía repleta de peixes. É uma das duas únicas
cachoeiras que caem direto no mar. De vez em quando, a baía recebe
a visita de golfinhos.
Como se tudo
isso não bastasse, Yakushima também possui diversas termas,
que relaxam o corpo após horas de caminhada. Há banhos em
hotéis, com instalações completas, até banhos
naturais, ao lado do mar, com acesso livre. Muito verde, cachoeiras, praias
paradisíacas e banhos relaxantes: se o paraíso não
é aqui, onde ficaria então?
|
|
Serviço:
Como chegar a Yakushima
Pelo
ar
São cinco voos diários a partir de Kagoshima
na baixa temporada e seis na alta. Na alta temporada, há uma saída
por dia de Osaka.
Pelo
mar
Os barcos Toppy e Rocket partem de Kagoshima para o porto
de Miyanoura, em Yakushima. A duração da viagem varia de
acordo com o barco e trajeto, sendo 1h50 o mais curto e 2h40 o mais longo,
via Tanegashima. Já os ferrys Yakushima 2 e Yakushima Maru ligam
Kagoshima ao porto de Miyanoura em viagem de quatro a cinco horas.
Yakusugi
Land
Ingresso: adultos acima de 15 anos pagam 300 ienes (R$ 5,97)
Tem estacionamento com 40 vagas
Tel. (0997) 46-3221 Secretaria de Turismo de Yakushima (em japonês)
Trilha
para Jomon Sugi
A mais comum é a que parte de Arakawa Tozanguchi e
vai até a pousada Takatsuka, próximo do Jomon Sugi. Pelo
caminho, é possível ver outros cedros milenares, como o
Daio Sugi e Okina Sugi. A extensão é de 22 km (ida e volta)
e dura em média dez horas. Por causa do grande número de
pessoas que se perdem nas montanhas, é necessário registrar
a caminhada em um dos quatro centros de turismo. Assim que terminar o
passeio, deve-se avisar um dos centros não havendo aviso,
24 horas depois do horário previsto de retorno é dado início
a uma busca pelos viajantes. Recomenda-se a contratação
de guia, que pode providenciar a documentação. Deve-se usar
roupa própria para trekking, inclusive calçado e mochila,
que podem ser alugados em lojas especializadas da ilha. Além dessa,
há outras trilhas, das leves às avançadas, na região.
|