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Arquivo NippoBrasil - Edição 206 - 14 a 20 de maio de 2003
 
Circuito das águas mineiro
Paraíso das fontes termais atrai turistas de todo o País e do exterior
 

(Arquivo NB)

Um dos elementos que mais sofrem com a degradação, a água é a matéria-prima do turismo em quatro cidades do sul de Minas Gerais. Encravadas na Serra da Mantiqueira, Cambuquira, Caxambu, Lambari e São Lourenço formam o Circuito das Águas Mineiro. As fontes que deságuam no Rio Verde transformaram a região em refúgio de milhares de turistas brasileiros e estrangeiros em busca de paz, tranqüilidade e, acima de tudo, das propriedades terapêuticas da tal abençoada água.

Localizados, em média, a 300 quilômetros de São Paulo e a 250 do Rio de Janeiro, os quatro municípios apresentam ocorrência de dezenas de variedades de água, da ferruginosa a magnesiana (confira box na página ao lado).

Conta-se que a princesa Isabel passou uma temporada na região em 1868. Acompanhada do marido Conde D’Eu, a monarca buscava a solução para a sua dificuldade em engravidar. Coincidência ou não, nove meses após o seu regresso à capital imperial Rio de Janeiro nascia D. Pedro do Grão Pará.

Fato? Lenda? Existem registros oficiais da passagem da corte no local. Se realmente o primogênito veio em conseqüência da passagem pelo Circuito, ninguém pode garantir. O que se sabe, no entanto, é que histórias como esta estão na boca de praticamente todos os moradores locais.

A região é hoje um dos locais mais visitados do Estado. Todas as cidades têm nos parques de águas os principais atrativos, que oferecem, além das fontes, balneários, artesanato, caminhadas ao ar livre, mata nativa e muita diversão.

 

Lambari

Três parques formam o complexo turístico: das Águas, do Farol e o Wenceslau Brás. Roteiro obrigatório para quem procura tranqüilidade, o local abriga ainda um cassino. Inaugurado em 1911, a construção funcionou por apenas um dia e hoje é atração para os visitantes devido a sua suntuosa arquitetura colonial, além de sediar eventos durante o ano. No último dia 13, terminou a maior festa cultural da região, a Congada. A tradicional manifestação folclórica afro-brasileira homenageia o santo negro São Benedito. Fora do centro, os destaques são as cachoeiras. A 5 quilômetros da cidade fica o Horto Florestal, onde está localizada as Sete Quedas. O modo mais prazeroso para se chegar até lá é alugando um cavalo ou uma charrete. Outra opção é a cachoeira do João Gonçalves.

População: 18,2 mil
Altitude: 890 metros
Curiosidade: a primeira fonte de Lambari foi descoberta em 1780 pelo capataz Tancredo. Ele cavalgava pela região quando descobriu uma água com sabor diferente. Levou para a sua noiva Cecília, que estava muito doente. A moça apresentou melhoras sensíveis. Seu pai a levou para o local, onde bebeu durante 20 dias a água milagrosa. Em agradecimento ele construiu uma capela, onde Cecília e Tancredo se casaram e viveram felizes para sempre.


Cambuquira


A cidade tem a segunda melhor água do mundo

O mais alto dos municípios do Circuito – a 950 metros de altitude -, com uma temperatura média anual de 18º, Cambuquira é um dos principais focos turísticos do inverno sul-mineiro. No Parque das Águas é possível saborear a segunda melhor água do mundo, segundo levantamento da revista Exame, em 1997, a frente de marcas como a famosa Perrie. O local abriga ainda pista de patinação, lago para pesca, piscina e centro de tratamento hidroterápico. Uma boa opção de passeio é pelo Bosque da Mata. A trilha começa no próprio parque. Nos arredores do centro, outras opções de visita são a Reserva Biológica de Santa Clara, a Cascata do Congonhal, as Sete Cachoeiras, as Duchas Pôr-do-Sol, a Fazenda dos Anjos e o mirante Vale do Sol. Os esportes de aventura também têm vez em Cambuquira. O pico do Peripau, a 1370 metros, abriga rampas para vôo livre e paragliding onde são disputadas várias etapas de competições estaduais e nacionais durante o ano.

População: 12,5 mil
Altitude: 950 metros
Curiosidade: O local onde hoje fica a cidade era uma fazenda pertencentes a três irmãs. Tempos depois elas deixaram as terras de herança para ex-escravos. As águas de diferentes variedades logo atraiu uma legião de peregrinos. Os escravos se opunham ao incipiente turismo. Considerando o terreno de utilidade pública, a prefeitura de Campanha desapropriou a terra pela quantia de 800 mil réis.


São Lourenço


O parque possui um lago de 90 mil metros quadrados

A maior das cidades do Circuito, São Lourenço conta com o principal parque da região. Na verdade são dois, ligados por um túnel. No primeiro, os destaques são as caminhadas pela mata nativa, um lago de 90 mil metros quadrados e a presença de macacos, gansos e marrecos. São seis fontes, entre as quais está a Vichy, modalidade alcalina encontrada somente na França. Outro atrativo é o Centro Hidroterápico, que dispõe de duchas, saunas seca e à vapor, massagens, banhos de espuma, banhos de sais e tratamentos estéticos. Espalhados pelas alamedas estão também pontos de vendas de mel, própolis, souvenirs e malhas. O segundo parque foi anexado a poucos anos e a vegetação ainda se encontra em fase de desenvolvimento. O local foi idealizado para os amantes do esporte. Conta com quadras de peteca, vôlei, futebol society, futebol de salão e pista de bicicross. O extenso gramado serve ainda para teatro ao ar livre e eventos, como o Encontro de Carros Antigos, realizado com freqüência. Fora dos parques o atrativo fica por conta do Trem das Águas, que percorre 10 quilômetros entre as estações de São Lourenço e Soledade de Minas, na antiga Minas & Rio Railway.

População: 36,9 mil
Altitude: 873 metros
Curiosidade: Em 1931, o então chefe do governo provisório Getúlio Vargas plantou uma muda de pau-brasil no Parque das Águas de São Lourenço. A espécie é conservada até hoje no mesmo local.


Caxambu


O parque Lisandro Guimarães possui 12 fontes

Nas décadas iniciais do século 19 surgiam as primeiras notícias das propriedades terapêuticas das fontes de Caxambu. Milhares de enfermos de Mal de Hensen começaram a abundar no local. Hoje, com mais de 20 hotéis, a cidade tem uma boa infra-estrutura. O parque Lisandro Guimarães é o principal atrativo, com 12 fontes. Oferece, além de muita água, bosques e alamedas para a prática do cooper. Para as crianças existe um playgroud de brinquedos educativos projetado pelo arquiteto José Tabacow, da equipe de Burle Max. O balneário hidroterápico do início do século 20 oferece também diversos tipos de banhos, duchas, saunas e uma piscina térmica. A 1090 metros de altitude fica o Morro de Caxambu, que abriga uma estátua de Cristo. Pode-se chegar lá de carro, a pé ou de teleférico, que sai do parque. Para as compras, o Centro de Artesanato está localizado em frente ao Lisandro Guimarães. Os objetos típicos da cidade são os utensílios domésticos em bambu, bolsas em palha de milho, carpetes e colchas feitas em tear e móveis pintados à mão.

População: 22,1 mil
Altitude: 904 metros
Curiosidade: não é de hoje que a água de Caxambu é conhecida mundialmente. Já no início do século passado venceu duas competições internacionais: Exposição Internacional Victório Emanuelle III, na Itália (1903) e Exposição Internacional de Saint Louis, nos Estados Unidos (1904).

 
 
 
Das 10 melhores águas do mundo, três são provenientes de fontes do Circuito das Águas. Confira o ranking elaborado pela revista Exame (1997):
 Arquivo - Turismo Brasil
Arquivo NippoBrasil - Edição 215
• Divirta-se nos arredores de São Paulo
Arquivo NippoBrasil - Edição 212
• Um passeio nas alturas da Serra da Mantiqueira
Arquivo NippoBrasil - Edição 210
• Onsens: Estâncias termais que garantem relaxamento e diversão
Arquivo NippoBrasil - Edição 209
• Ilha Grande
Arquivo NippoBrasil - Edição 207
• Poços de Caldas: O santuário da paz
Arquivo NippoBrasil - Edição 206
• Circuito das águas mineiro
Arquivo NippoBrasil - Edição 204
• Redescobrindo o Litoral Sul de SP
Arquivo NippoBrasil - Edição 203
• Serras Gaúchas
Arquivo NippoBrasil - Edição 201
• Socorro abre a porteira para o turismo
Arquivo NippoBrasil - Edição 200
• Circuito das águas
Arquivo NippoBrasil - Edição 198
• Santos: Muito além do Jardim
Arquivo NippoBrasil - Edição 192
• Maranhão, o segredo do Brasil
Arquivo NippoBrasil - Edição 190
• Histórias do Grande Sertão Veredas em Minas Gerais
Arquivo NippoBrasil - Edição 188
• Turismo ecológico no Rio Grande do Norte
Arquivo NippoBrasil - Edição 184
• Península de Maraú: uma delícia baiana
Arquivo NippoBrasil - Edição 180
• Pirenópolis, um pedaço do Cerrado Brasileiro
Arquivo NippoBrasil - Edição 176
• Parque Nacional da Chapada Diamantina, natureza em abundância
Arquivo NippoBrasil - Edição 174
• Santa Catarina é só festa
Arquivo NippoBrasil - Edição 172
• Turismo Cultural em Paranapiacaba
Arquivo NippoBrasil - Edição 170
• Parque Nacional da Bocaina: Natureza e sossego em abundância
Arquivo NippoBrasil - Edição 168
• Maringá: Os encantos da “Cidade Verde”
Arquivo NippoBrasil - Edição 166
• Águas de São Pedro, um pequeno paraíso no interior de São Paulo
Arquivo NippoBrasil - Edição 162
• Santo Amaro da Imperatriz, águas termais e aventura em Santa Catarina
Arquivo NippoBrasil - Edição 158
• Amazônia com conforto
Arquivo NippoBrasil - Edição 136
• Fernando de Noronha: Patrimônio Natural da Humanidade
Arquivo NippoBrasil - Edição 132
• Ilhabela: O encanto do litoral paulista
Arquivo NippoBrasil - Edição 131
• Porto Seguro: Praia de Santo André
Arquivo NippoBrasil - Edição 127
• Ecoturismo: Uma visão diferente de Santa Catarina
Arquivo NippoBrasil - Edição 123
• Araxá
Arquivo NippoBrasil - Edição 115
• Costa do Sauípe: Lazer, Paisagem e Comodidade
Arquivo NippoBrasil - Edição 113
• Caldas Novas: Opção para se esquentar no inverno
Arquivo NippoBrasil - Edição 111
• Pescaria: Os encantos da natureza são infindáveis
Arquivo NippoBrasil - Edição 109
• Jacobina: Circuito das Cachoeiras na Bahia
Arquivo NippoBrasil - Edição 105
• Pantanal
Arquivo NippoBrasil - Edição 103
• João Pessoa: ponto extremo oriental das Américas

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