Fale conosco: webmaster@nippo.com.br  
Central de atendimento: (11) 5904-6444  ou 0800-109254(outros estados)  
    Horário de Brasília: Quinta-feira, 20 de novembro de 2008 - 21h46
Destaques: Curso de JaponêsCulináriaHoróscopoMangáInício    
  Busca
  Jornal Nippo-Brasil
-
  Variedades
-
  Esportes
-
  Reflexão
-
  Empregos no Japão
-
  Publicidade

  Classificados
-
  Interatividade
-
  Correspondência
-
  Assine o Jornal
Caderno Especial - Jornal Nippo-Brasil

“Já cumpri minha missão”
Presidente Kokei Uehara diz que deixará o cargo do Bunkyo no ano que vem; estatuto não permite novo mandato e ele diz que pretende descansar

(Texto e foto: Helder Horikawa/NB)

Andar compassado, polidez nas palavras e muita humildade. Assim é Kokei Uehara, presidente da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e Assistência Social (Bunkyo) e da Associação das Comemorações do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil (ACCIJB). No dia 2 de setembro, por quase duas horas, ele manteve a mesma postura de sempre em uma conversa reservada com o NB sobre os festejos oficiais que marcaram a chegada do navio Kasato Maru e seus 781 nipônicos.

O “professor”, como é carinhosamente chamado pelos funcionários das duas entidades, não disse, mas pessoas próximas a ele comentam que o presidente está chateado com as constantes críticas ao seu trabalho e à sua equipe (na última edição, o NB apresentou uma matéria sobre erros e acertos acerca dos festejos). O semblante, de fato, parece mais triste. “Perdi noites de sono pensando nos festejos. Mas o saldo foi bastante positivo. Tivemos alguns imprevistos, sim, mas faria tudo da mesma forma, com a mesma equipe”, justificou.

Aos críticos, Uehara balança os ombros como quem dissesse “fazer o quê?”. “As críticas partem de uma meia dúzia de inconformados que ficou de fora das festas”, argumentou. Os números dos festejos no Sambódromo são mesmo assustadores. Quatro mil voluntários, 16 mil participantes e um público de quase 30 mil no sábado e outros 30 mil no domingo. “A todos esses, tenho uma imensa gratidão. Eles foram os responsáveis pelas festas. Não trabalhei para agradar meia dúzia de pessoas”, disse. Mas tão grandiosos quanto essas estatísticas foram os problemas.

Calejado de outras administrações (ele presidiu a Associação Cultural e Esportiva Piratininga na década de 70 e a Aliança Cultural Brasil-Japão), Kokei Uehara é extremamente político quando questionado, por exemplo, sobre a falta de união na comunidade nikkei e seus rumos nos próximos cem anos. E sobre a sua falta de liderança, fato muito mencionado nos bastidores? “Para muita gente, liderar é gritar. Isso eu não faço e nunca fiz em toda minha vida acadêmica”, destacou ele, fundador da Fatec e do curso de Engenharia da Universidade Paulista (Unip) e professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) há 54 anos. Broncas ele deu, sim. Foi em quatro estudantes, ainda quando era mais atuante na USP. Em meio aos 7 mil alunos que já diz ter formado, é pouquíssimo. “Sempre fui assim, não mudaria agora”, disse.

A ACCIJB, a princípio, é uma entidade criada para organizar e executar as ações do centenário. Teoricamente, segundo seu presidente, encerraria suas atividades ao final de 2008, quando termina o Ano do Intercâmbio Brasil-Japão. Mas isso ainda deve levar algum tempo. Meses, talvez anos. “Precisamos fazer todos os acertos e resolver as pendências”, afirmou. Entre as pendências, correm os boatos de que a associação já contabiliza um prejuízo que ultrapassa a casa de R$ 1 milhão. Ele não confirma. “Nossos gastos ainda estão sendo contabilizados”, adiantou.

De todos os problemas, o professor Uehara disse que ficam as lições para o futuro. Ele mesmo já sabia que os festejos não agradariam a todos. “Problemas acontecem, é impossível fazer tudo 100% certo. Mas fizemos tudo dentro das nossas possibilidades”, mencionou. Os contratempos com a entrega dos convites e os concursos da logomarca e da mascote também são minimizados.

Uehara solta um largo sorriso quando fala dos aspectos positivos do centenário. Ele sonhava em divulgar a cultura japonesa aos brasileiros e homenagear dignamente os pioneiros. Isso, disse que conseguiu fazer. De sua gaveta da escrivaninha da sala da presidência do Bunkyo, ele retira um exemplar do jornal Liberation, da França. Aponta com orgulho para um editorial de duas páginas falando sobre o centenário. “O Le Monde [jornal também francês], e as TVs BBC e até a Al Jazeera deram o mesmo espaço”, enumerou.

De fato, o centenário, aos olhos da mídia, foi um verdadeiro sucesso. Nunca se viu a grande imprensa, escrita e televisiva, dar tanto espaço a um grupo étnico. “Isso demonstra quanto os imigrantes e seus descendentes são adorados neste país”, alegou.

Independentemente das críticas, Uehara avisa que deixará o comando do Bunkyo em março do ano que vem. Em abril, ocorrem as eleições. Ele disse que não concorrerá. Primeiro, porque quer descansar. E, segundo, porque, pelo estatuto, não pode partir para um terceiro mandato. E, mesmo que pudesse, pondera: “Já cumpri minha missão. Certo ou errado, fiz minha parte.”

 Arquivo - Especial
• 30 mortes por síndrome da classe econômica
• Quantas vezes o Japão tremeu?
• A luta para escapar da crise econômica
• Japão, a segunda pátria dos brasileiros
• Kokei Uehara: “Já cumpri minha missão”
• Automotivas japonesas geram 690 vagas no interior de SP
• Turma da Mônica para japonês ler
• Carnaval made in Brazil em Asakusa
• Dicas de como chegar ao topo do Japão
• Emoção para 25 mil pessoas no Anhembi em SP
• Imperador agradece ajuda de imigrantes
• Descubra uma Tóquio nem tão cara assim
• O sucesso das cerejeiras seculares
• Sucesso dos kaitenzushi
• Parte 3: Brasil precisa de melhor estrutura para investimentos
• Parte 2: Parcerias podem impulsionar as relações entre Brasil e Japão
• Parte1: Mercosul emperra acordo de livre comércio entre Brasil e Japão
• Nossas pioneiras
• Pequenos varejistas sobrevivem graças a associações
• Filha de líder conta a vida na Yakuza
• A tradição do Valentine’s Day
• Toyota completa 50 anos de Brasil
• 2008: um ano para ficar na história
• Missoshiru para saborear na rua
• Baseado no padrão japonês, TV digital estreou no Brasil
• O Japão na visão do cinema ocidental
• The Checkers – Beatlemania oriental
• Seja ecológico!!
• O mundo das bonecas (e bonecos) customizáveis
• Bushido no mundo dos negócios
• Saiba mais sobre o novo Jornal Nippo-Brasil
• Diga “sim” longe de casa
• Paraíso dos idosos em Campos do Jordão
• Knit Cafe
• 62 anos depois...
• Mergulhe nos prazeres do ofurô
• O luxo que nos une
• Beleza nikkei no Pan
• E o kabuki invadiu Paris
• Renda-se à comida japonesa!
• Feng Shui: energia para dar novos ares a sua casa
• Relaxe com o Rilakkumma
• Novo conceito de habitações no Japão
• Macarrão instantâneo: Rápido e fácil!
• A tradição que resiste ao tempo
• Universidades difundem cultura japonesa
• Do arco-da-velha para o Japão
• Japão sem mistério
• Timidez
• Marmitas sofisticadas
• Envelhecendo no mundo de hoje
• Mangá: Uma das marcas da sociedade japonesa
• As medidas japonesas
• Etiqueta japonesa: um tesouro milenar
  © Copyright 1992-2008 - Jornal Nippo-Brasil - Todos os direitos reservados - www.nippo.com.br