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(Texto: Paula
Moura/ipcdigital.com | Foto: International Press Japan )
Do lado de
fora de um koominkan, local onde os japoneses normalmente se reúnem
para praticar seus hobbies, já é possível ouvir um
barulho abafado dos surdos, tamborins, cuícas, pandeiros e outros
instrumentos de uma bateria completa de escola de samba. A porta abre-se
e, agora, o cenário é outro: o barulho ao longe tornou-se
música que faz vibrar mais forte as fibras do coração
e ordena o corpo a se mexer.
Passistas,
mestre-sala e porta-bandeira, todos suam a camisa na sala que serve de
ensaio para o grande dia, 30 de agosto: o desfile do maior carnaval fora
do Brasil, no bairro de Asakusa, em Tóquio.
O grupo especial
japonês tem 11 agremiações, fantasias chegam a ser
encomendadas no Rio de Janeiro e as bandeiras seguem o padrão oficial
de uma Mangueira ou Beija-Flor. Os integrantes de todas elas juntas
4,7 mil somam quase o mesmo número de pessoas de uma das
maiores escolas do Rio de Janeiro (4,5 mil).
A
divulgação do samba em forma de carnaval começou
em Asakusa no ano de 1981 |
Mas a seriedade
do trabalho é rígida: para desfilar, não basta comprar
a fantasia, tem que participar dos ensaios e ser aceito pelo chefe da
ala. Poucas escolas têm vagas, mas ainda há tempo para sair
na avenida, basta entrar em contato.
O Rio de Janeiro
dita o padrão. A ligação com a cidade maravilhosa
acontece por vídeos, estudo das fantasias importadas, amigos no
Brasil e, é claro, viagens. Um dos apaixonados pelo samba é
o vice-presidente da Bárbaros, escola 16 vezes campeã, Yoji
Nakajima.
Há 12
anos, Nakajima viaja para o Brasil e retorna pronto para colocar os aprendizados
em prática, já que também é carnavalesco.
Neste ano, foi destaque na comissão de frente da Porto da Pedra,
que homenageou o centenário da imigração. De 1998
a 2005, foi terceiro mestre-sala da Acadêmicos do Grande Rio.
Segundo Nakajima,
nascido e criado no Japão, sua paixão beira o inexplicável.
Eu me sinto um peixe dentro dágua, afirma. Assim
como ele, muitos japoneses adoram samba e são a maioria dos que
desfilam em Asakusa.
A escola, ou
sua direção, pensa em um tema. Depois, são feitas
letra e música do samba-enredo. É ele que vai inspirar a
mente dos carnavalescos, responsáveis por criar as três alegorias
e as fantasias das alas, casais de mestre-sala e porta-bandeira, bateria
e sua rainha.
Além
do tema, as cores da escola devem ser levadas em conta. Os carnavalescos
da Liberdade, por exemplo, depararam-se com a dificuldade de casar fundo
do mar com as cores amarelo e vermelho. A tradição
da escola é contar uma história, então pensamos no
que poderíamos ver em uma viagem ao fundo do mar, contam
Noriko Azuchi e Yasuo Mitadera. Procuramos nos colocar no lugar
do espectador e pensar no que será mais agradável.
Já Nakajima
conta que fez uma pesquisa dos carnavais passados para chegar no tema
arte que acompanha a vida. O carnaval também
é uma arte e procurei traduzir a arte presente na nossa vida de
uma forma leve, diz. Um dos destaques será o tripé
de passagem, a primeira alegoria da escola, em que um integrante começará
o desfile pintando um quadro para terminar a obra no final da apresentação.
Já o último carro trará uma homenagem ao fundador
da escola, Shigeo Takahashi, falecido no início do ano.
A divulgação
do samba em forma de carnaval começou em Asakusa no ano de 1981.
Foi quando a associação comercial do bairro resolveu incrementar
seu festival de verão para se diferenciar na cidade. Naquele primeiro
carnaval, em que o desfile terminava em um palco, 30 integrantes da Velha
Guarda da Portela chegaram a se apresentar.
Ao longo dos
27 desfiles, duas escolas se revezaram como campeãs, a Bárbaros
(colecionadora de 16 troféus) e a União dos Amadores (dona
de 7). Uma das peculiaridades do carnaval de Asakusa é que o público
assiste ao desfile sem dançar.
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