
Imperador Akihito lembrou da ajuda dos imigrantes no Brasil no período
do pós-guerra |
(Texto: Eliza
Kobayashi/ipcdigital.com | Foto: Kyodo)
Cerca de 400
convidados, entre políticos, militares, diplomatas, empresários
e representantes de entidades, reuniram-se no Hotel Okura, em Tóquio,
no dia 24 de abril, para participar da cerimônia oficial e recepção
do Ano do Intercâmbio Japão-Brasil e do centenário
da imigração japonesa no Brasil, com a presença do
imperador Akihito, da imperatriz Michiko e do príncipe Naruhito,
além do primeiro-ministro Yasuo Fukuda e dos representantes dos
três poderes do governo japonês.
É a
segunda vez na história em que o casal imperial e o príncipe-herdeiro
aparecem juntos em um evento oficial (a primeira foi na abertura do Expo
2005 em Aichi). Participaram ainda o ministro das Relações
Exteriores, Masahiko Koumura, e o presidente de honra da Comissão
Organizadora do Ano do Intercâmbio Japão-Brasil, Taro Aso.
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, representou o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva e Kokei Uehara, presidente da Associação
para Comemorações do Centenário da Imigração
Japonesa no Brasil, representou a comunidade nipo-brasileira.
Em seu discurso,
o imperador destacou e agradeceu a ajuda que os imigrantes japoneses no
Brasil ofereceram a seu país após a derrota na Segunda Guerra.
Gostaria de expressar minha gratidão aos japoneses da cidade
de São Paulo, que formaram a Associação de Assistência
às Vítimas Conterrâneas da Guerra no Japão
e, durante três anos, enviaram suprimentos de apoio aos seus irmãos
de sangue, disse. A associação, criada em março
de 1947, arrecadava dinheiro para enviar roupas e alimentos à população
japonesa, que sofria com a pobreza e o caos do pós-guerra.
O imperador
também lembrou de suas três viagens ao Brasil, quando teve
oportunidade de conversar com os primeiros imigrantes e seus descendentes.
Falou ainda de sua recente visita às cidades de Ota e Oizumi (Gunma)
no início de abril. Aprecio a forma como os nikkeis vêm
desenvolvendo políticas para se adaptarem à comunidade local,
nas escolas e nos locais de trabalho, afirmou. Ao final, disse esperar
que os eventos deste ano contribuam para aprofundar as relações
de amizade e a compreensão mútua dos povos de ambos os países.
Os discursos
de Fukuda, Dilma e Koumura ressaltaram a importância das relações
econômicas entre os dois países que, segundo o ministro das
Relações Exteriores, estão no mais alto nível
de amplitude e profundidade. Dilma completou dizendo que, agora, é
preciso desenvolver novas fronteiras de cooperação, como
a transferência de tecnologia em transporte ferroviário,
em espaço exterior e em energia nuclear. Outro tema que recebeu
destaque foi o papel do Brasil nas discussões mundiais sobre meio
ambiente.
Taro Aso comentou
sobre suas lembranças do período em que viveu em São
Paulo e de outras cidades que visitou no Brasil quando era ministro. Todas
as recordações que me vêm à memória
sempre acompanham a linda postura que os imigrantes japoneses e seus descendentes
vêm mostrando ao longo do tempo, elogiou.
O último
discurso foi de Kokei Uehara, que destacou a preocupação
dos imigrantes no campo da educação. Decorridos cem
anos da partida do navio Kasato Maru, nós, imigrantes, estamos
plenamente integrados à sociedade brasileira e gozamos de respeito
por toda a sociedade. Por fim, falou da expectativa sobre a visita
do príncipe Naruhito ao Brasil em junho.
A cerimônia
foi encerrada com a apresentação dos alunos da Escola Primária
de Ishihamanishi de Higashiura (Aichi). Em forma de jogral, crianças
brasileiras e japonesas contaram sua experiência de convívio
multicultural com os colegas.
Na recepção
que sucedeu a cerimônia, as mascotes do centenário, Tikara
e Keika, foram oficialmente apresentadas, com a presença do desenhista
Mauricio de Sousa. Depois do tradicional kanpai, todos puderam conversar
informalmente com a família imperial.
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