Minimizando
problemas internos, Brasil pode ampliar investimentos japoneses
em áreas pouco exploradas por investidores do outro lado
do mundo |
(Texto: Susy
Murakami/NB | Foto: Divulgação)
Nesta terceira
e última matéria da série a respeito do futuro das
relações comerciais Brasil-Japão, o foco centra-se
no cenário do País e nas deficiências que precisam
ser corrigidas para atrair os investimentos do arquipélago para
terras verde-amarelas.
No final dos
anos 80 e início dos 90, o Brasil recebeu do Japão de 10%
a 20% do total de IED (Investimento Estrangeiro Direto). A partir de 1992,
no entanto, houve uma queda acentuada, ganhando certo fôlego a partir
de 2001. Mesmo assim, um investimento pífio, se levado em conta
que o país asiático já foi o segundo maior investidor
estrangeiro no Brasil.
A história
do IED japonês no Brasil, na verdade, nunca foi estável.
Teve início na década de 1950, mas com crescimento significativo
a partir de 1967, como mostra o economista Alexandre Uehara, do Núcleo
de Pesquisa em Relações Internacionais da USP, em seu texto
Relações Brasil-Japão: Aproximações
e Distanciamentos.
Ascensão
e queda
Foi na década
de 70, porém, que os investimentos ganharam importância principalmente
nos setores petroquímico, de alumínio, papel e celulose,
fertilizantes e siderúrgico, constituindo-se em um dos maiores
estoques de investimentos estrangeiros no país.
Mas veio a
década de 80 e a instabilidade econômica no Brasil afastou
investidores. Na década de 90, foi a vez de o Japão enfrentar
a estagnação em sua economia. Entre 1995 e 2000, os investimentos
japoneses no Brasil não passaram de 1,8% do total de IED. Além
das crises, os olhos nipônicos voltaram-se para o seu próprio
continente, como explica Eduardo Tonooka, economista da LCA Consultores
com pós-doutorado pela Universidade de Kobe, no Japão. A
partir da década de 1980, o Sudeste Asiático e, mais recentemente,
a China passaram a ser reigões mais interessantes para receber
investimentos nas áreas de produção de matérias-primas.
Alexandre Uehara
explica que os investimentos em países como China e Vietnã,
por exemplo, são reforçados e por isso o Brasil leva grande
desvantagem: mão-de-obra barata e a localização
geográfica próxima.
O
Bric e o atraso brasileiro
A Mitsui é
uma das empresas japonesas que mais investe no Brasil. Shoei Utsuda, presidente
da Mitsui e da Seção Japonesa do Comitê Econômico
Brasil-Japão, cita como principal estratégia da empresa
no Brasil o investimento em energia, agricultura e mercado interno. Utsuda
diz que o Brasil tem ficado atrás dos países do Bric (Brasil,
Rússia, Índia e China) como atrativo para empresários
japoneses. Ele diz, porém, que o país tem um diferencial.
O diferencial do Brasil são os 1,3 milhões de descendentes
japoneses que vivem aqui e os 300 mil brasileiros que vivem no Japão.
Mas esse intercâmbio
não tem sido suficiente. Para atrair mais investimento japonês,
o Brasil precisa antes investir em diversas áreas. É
preciso investir em segurança pública, educação,
infra-estrutura e diminuir a dívida interna pública que
está muito alta, diz Yuji Watanabe, presidente da Jetro no
Brasil, a Japan External Trade Organization.
Esse discurso
é reforçado por Naoki Tanaka, presidente do Centro de Pesquisa
Internacional de Estratégias Público-Privadas do Japão.
Tanaka acredita que para impulsionar a economia interna é preciso,
antes de mais nada, criar postos de trabalho. Dar subsídios
aos menos favorecidos não é a melhor saída. A solução
é criar postos de trabalho para que essas pessoas impulsionem seu
nível de renda. Para isso, é preciso investir em infra-estrutura.
Minimizando
os problemas internos, o Brasil pode ampliar os investimentos japoneses
em áreas ainda pouco exploradas por investidores do outro lado
do mundo. Considerando que o investimento japonês no Brasil
é baixo, há espaço para que este aumente nos próximos
anos à medida que o Brasil continue crescendo e ampliando seu mercado
consumidor. Em outras palavras, além das oportunidades tradicionais
de investimento nas áreas de matérias-primas e energia,
mais recentemente, poderão crescer os investimentos destinados
à construção e ampliação de fábricas
de bens de consumo e máquinas e equipamentos para a indústria,
afirma Eduardo Tonooka.
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