
Atualmente, o quimono faz parte de eventos como a Maioridade, o ano-novo,
formaturas, casamentos e festivais |
(Texto: Shigueko
Yamamoto/ /ipcdigital.com | Fotos: Reuters e Divulgação)
Embora há
décadas tenha deixado de ser o traje diário dos japoneses,
não é o caso de se dizer que os quimonos estão em
extinção. O Japão, para se adaptar aos tempos modernos,
hoje reserva o quimono só para ocasiões especiais. Mas mesmo
em grandes cidades, como Tóquio, ainda é possível
ver pessoas desfilando com os seus quimonos, provavelmente a caminho de
alguma reunião mais formal.
Por que será
que um traje difícil de se usar, caro e que limita os movimentos
continua ainda em uso? Se durou até hoje, é porque
tem algo especial aí. Isso mostra que os japoneses valorizam o
belo, diz o estilista Ryuji Nishiwaki. Além daqueles que
querem resgatar as tradições e vêem no quimono uma
parte importante da história do Japão e de sua cultura,
existe um público jovem que acredita que a vestimenta pode ser
atual e adaptável aos dias atuais. A tradição
é valorizada entre aqueles que fazem o quimono. Mas do lado de
quem veste, ninguém pensa em vestir a tradição.
Pensa no que é fashion, complementa.
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Em novembro,
um grupo liderado por Nishiwaki realizou um evento de dois dias que reuniu
lojistas, estilistas e amantes do quimono de todo o Japão. O festival,
chamado de Kimono Biyori (Dia do Quimono), reúne um público
de cerca de 1.500 pessoas todos os anos em Ebisu, Tóquio. Outro
grupo de entusiastas é o Kimono de Ginza, que se reúne no
segundo sábado de todo mês em algum lugar de Tóquio,
como templos, igrejas e pontos turísticos. Aberto àqueles
que curtem usar vestimentas tradicionais japonesas, o evento não
impõe regras nem taxa de mensalidade.
Desde que abriu
suas portas ao Ocidente, o Japão vem gradativamente integrando
costumes estrangeiros ao cotidiano, como roupas, comidas e até
características de estilo de vida. Por outro lado, o mundo também
se interessou mais pela cultura oriental. No começo, eram os praticantes
de artes marciais ou os fãs de mangá, mas, hoje, a cultura
japonesa espalhou-se pelo mundo e influencia áreas como o cinema
e a literatura.
O filme Memórias
de uma Gueixa levou o prêmio de melhor figurino no Oscar de 2006.
A estilista americana reponsável pelos figurinos, Colleen Atwood,
pesquisou sobre os quimonos usados na época. Após avaliar
os tecidos e a forma como eram confeccionados, Colleen preferiu uma abordagem
mais moderna. Usando a base dos tecidos japoneses, ela valorizou as estampas
e simplificou os moldes. No casaco preto de seda com aplique de pele de
chinchila e veludo usado pela personagem de Gong Li Hatsumomo,
percebe-se que uma gueixa daquela época não usaria nada
assim tão exuberante.
A valorização
da cultura japonesa mundo afora repercute positivamente dentro da sociedade.
E a aparição de artistas japoneses vestindo quimonos na
TV, em propagandas e filmes, vem incentivando o seu uso. Esse traje tão
bonito e complexo, que pode ser usado de casamentos à simples festivais
de verão, está salvo por ora de virar peça de museu.
(com Silvia Kikuchi/ipcdigital.com)
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Ao
longo da história do país, a vestimenta passou por
várias transformações
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Era
Heian (794-1185): Foi a época em que o quimono tomou a forma
que possui até hoje. Porém, nessa época, o quimono
era formado por várias camadas, deixando à mostra as diferentes
cores e texturas dos tecidos sobrepostos. Pessoas da corte chegavam a
usar quimonos de até 16 camadas.
Era
Kamakura (1185-1133): Com a crescente influência da classe militar
e guerreira, os japoneses não tinham mais paciência nem necessidade
de usar quimonos elaborados demais. Foi a época em que entrou em
moda o kosode (quimono com mangas curtas).
Era
Edo (1800-1867): A sociedade passou a definir o status social pelo
quimono, que passou também a ser uma forma de expressão
artística.
Era
Meiji (1868-1912): O comércio se abriu para o mundo ocidental.
As mulheres também passaram a trabalhar fora de suas casas e começaram
a dar preferências a roupas mais cômodas aos diversos tipos
de trabalho.
Era
Taisho (1912-1926): Tóquio sofreu um grande terremoto que devastou
a cidade durante esse período. Foi quando muitos dos antigos quimonos
foram destruídos.
Era
Showa (1926-1989): A economia do Japão, que passava por uma
grave crise, começa a se recuperar depois da guerra e o quimono
passa a ser produzido em larga escala. A Europa e a América passam
a influenciar também nos desenhos e motivos dos tecidos, mas a
forma do quimono permanece intacta.
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Acima,
alguns tipos de quimono: o irotomesode, o hakama e o furisode
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FURISODE
São usados pelas solteiras. Caracteriza-se pelas mangas longas
e a estampa com desenhos grandes e de cores que podem ser vivas e cobrir
todo o quimono.
YUKATA
É a versão mais informal do quimono. Usado por homens
e mulheres de qualquer idade, principalmente nos festivais de verão.
São mais leves e arejados.
HAKAMA
É uma espécie de saia-calça usada por cima do
quimono. Atualmente, mulheres também o utilizam, em ocasiões
formais, ou para a prática de artes marciais.
IROTOMESODE
Quimono formal usado pelas casadas. De cor única, possui desenhos
abaixo da cintura. Também usado pelos parentes dos noivos na cerimônia
de casamento.
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