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(Ilustração:
Claudio Seto)
Pouco se sabe
sobre a maior poetisa do Manyôshû, a antologia de poemas escritos
entre meados do século VII a meados do século VIII. Porém,
os poemas de Nukada-no-Ookimi encantam até hoje os que apreciam
uma boa leitura, por sua vibrante paixão pela vida, pelo seu amado
e por sua forma de expressão, ora com energia, ora com sutileza.
A única
referência sobre Nukada-no-Ookimi que consta no registro de história
do Japão, o Nihon Shoki (concluído em 720), é a de
que ela foi uma das concubinas do imperador Tenmu e que teve uma filha,
a princesa Tôchi-no-Himemiko.
Vida
e poesia
Nukada-no-Ookimi
viveu numa época conturbada, em que o Japão se instituía
como uma nação com a Reforma de Taika (em 645), iniciada
pelo imperador Tenji e concluída pelo seu irmão, o imperador
Tenmu (Ôama-no-Miko). Há indícios de que Nukada-no-Ookimi
conquistou o coração não apenas do imperador Tenmu
com quem teve uma filha , mas também do imperador
Tenji.
No ano em que
Tenji se tornou imperador, houve um grande passeio com a participação
de toda a aristocracia. Nessa ocasião, Nukada compôs um poema
que consta da antologia Manyôshû: Akane sasu murasakino iki,
nomori wa mizu ya kimi ga sode furu (Num campo coberto por pequeninas
flores violetas, o meu amado manda sinais agitando as mangas, furtando-se
dos olhares vigilantes dos guardas). Ao qual, o então príncipe
Ôama-no-Miko replica: Murasaki no nioeru imo o nikuku araba hitozuma
yue ni ware koi me ya mo (Se não tivestes a beleza que rivaliza
com as violetas, não estaria sofrendo tanto, mesmo sabendo que
pertences a outro.)
Num outro poema
de amor, este dedicado ao imperador Tenji, nota-se a angústia da
espera da visita do amado: kimi matsu to waga koi oreba waga yado no sudare
ugokashi aki no kaze fuku (Quando pensava em meu amado, a brisa balança
a cortina de bambu). Trata-se do poema de uma mulher apaixonada, que fica
radiante ao som da cortina balançando ao sabor da brisa, confundindo-o
com a chegada do amado.
Embora ela
tivesse uma vida glamorosa, irradiando beleza e talento, Nukada-no-Ookimi
teve seu quinhão de sofrimento. Sua filha, a princesa Tôchi,
que se casou com o príncipe Ôtomo, filho do imperador Tenji,
teve que suportar a perda do seu marido, pois o príncipe, ao disputar
o trono com Ôama-no-Miko, pai da princesa Tôchi, foi levado
ao suicídio. A princesa Tôchi faleceu ainda jovem, com pouco
mais de 30 anos.
Nukada-no-Ookimi,
precursora das grandes literatas da Era Heian, como Murasaki Shikibu (autora
de Genji Monogatari) e de Sei Shonagon (autora de Makura-no-sôshi),
viveu amores livres de amarras sociais e deixou muitos poemas nos quais
descreve com maestria os sentimentos vividos por aqueles que amam verdadeiramente.
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