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(Ilustração:
Claudio Seto)
Autora do
famoso livro de crônicas Makura-no-sôshi (Livro de
cabeceira) escrito no ano 1000, um ano antes da sua rival, Murasaki Shikibu
escrever o romance mundialmente conhecido Genji Monogatari (A História
de Genji), nasceu e viveu na época áurea da nobreza e também
de grandes literatas.
Sei Shonagon
foi o nome concedido quando ela passou a trabalhar na corte como nyôbô,
uma espécie de dama de companhia da imperatriz, com aposento próprio.
Embora conhecida por seu talento e inteligência, não se sabe
o seu verdadeiro nome, o que é comum entre as mulheres dessa época.
Mesmo a sua grande rival Murasaki Shikibu, ou mesmo a poetisa Izumi Shikibu,
que viveram na mesma época são conhecidas apenas pela posição
social que ocuparam na corte. As mulheres que se destacaram nessa época
e que não trabalharam na corte são conhecidas apenas associadas
aos seus filhos ou pai, como por exemplo Mãe de Fujiwara-no-Michitsuna,
autora de Kagerô nikki (Diário da vida efêmera) escrito
em 974, ou Filha de Sugawara-no-Takasue, autora de Sarashina
nikki (Diário de Sarashina), escrito em 1060.
Sei Shonagon
nasceu numa família nobre, porém sem muitos recursos financeiros,
mas dotada de talento literário, pois, tanto seu bisavô,
Kiyohara-no-Fukayabu como seu pai, Kiyohara-no-Motosuke, são famosos
como poetas. Não se sabe ao certo a data do seu nascimento, mas,
desde pequena, Sei Shonagon aprendeu a apreciar os poemas e literaturas
em estilo chinês, lidos pelos letrados da época, mostrando
a sua genialidade.
Embora não
fosse bonita, mas dotada de grande cultura e inteligência, ela se
casou com Tachibana-no-Norimitsu e teve um filho, Norinaga, que também
se destacou como poeta. Porém, ela se separou do marido e entrou
para a corte, a fim de servir à imperatriz Teishi, filha de Fujiwara-no-Michitaka
e esposa do imperador Ichijô, 4 anos mais novo que ela. A imperatriz
Teishi, uma mulher culta, inteligente e bela, conheceu a felicidade de
se tornar a preferida do imperador, mas, após dar à luz
um filho e uma filha, faleceu infeliz, depois da morte de seu pai e da
ascensão de seu tio, Fujiwara-no-Michinaga, que impôs a sua
filha Shôshi desposar o imperador Ichijô. A imperatriz Shôshi
teve como uma das suas damas de companhia Murasaki Shikibu, autora de
Genji Monogatari.
Sei Shonagon
passou a servir a imperatriz Teishi por insistência desta, recebendo
tratamento especial, muito mais afortunado àquele concedido à
sua classe social. Pois a imperatriz Teishi, devido à influência
da sua mãe, nascida numa família de grande talento literário,
era uma mulher culta e amante de grandes talentos. Assim, Sei Shonagon
viveu os sete anos que serviu na corte, até a morte da sua protetora,
um período de glória e felicidades.
Não
se sabe ao certo como ela viveu após deixar a corte, mas supõe-se
que tenha vivido uma vida reclusa e sem grandes recursos até a
sua morte, com mais de 60 anos.
Makura-no-sôshi
não foi escrito na época em que ela brilhou na corte, rodeada
de nobres que reconheciam o seu talento e adoravam a sua inteligência
e pronta resposta provida de um certo sarcasmo. A obra foi escrita após
a decadência da família da imperatriz Teishi. Porém,
ela não faz transparecer esse lado triste e sombrio, enaltecendo
a grande figura de Teishi, centrando-se em sua amizade cheia de afeto
e da vida gloriosa da corte.
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