
Sakamoto Ryôma:
idéias inovadoras e admiração de muitos até
hoje
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(Ilustração:
Claudio Seto)
Um dos revolucionários
que viveram em fins da Era Edo, Sakamoto Ryôma nasceu em Tosa (atual
província de Kôchi, na Ilha de Shikoku) no ano de 1835, numa
família abastada de gôshi, ou seja, samurai que morava fora
da propriedade do castelo e que possuía seu meio de sustento próprio.
Aos 19 anos,
deixou o lar paterno e viajou a Edo (atual Tóquio), tornando-se
discípulo de Chiba Shusaku, grande espadachim da época.
Nesse meio tempo, em 1853 e 1854, ocorreu a chegada da esquadra americana
comandada pelo almirante Perry, o que o fez despertar para a realidade
do mundo além-mar. Ele percebeu que o sistema feudal, um sistema
conservador e restritivo, não traria nenhum benefício ao
povo japonês, nem faria com que o país tivesse força
suficiente para combater a invasão das poderosas nações
estrangeiras.
De volta a
Tosa, cultivou amizade com os que defendiam a restauração
do poder imperial. Em 1862, desertou de seu feudo, dirigindo-se a Edo.
Lá chegando, procurou por Katsu Kaishu (1823~1899), chefe das Forças
Armadas Marítimas do xogunato Tokugawa, tornando-se seu discípulo.
Ele conheceu outro grande revolucionário, Saigo Takamori, do feudo
de Satsuma (atual província de Kagoshima) por intermédio
de Katsu. Com o apoio do senhor feudal de Satsuma, fundou, em Nagasaki,
o Regimento Mercantil Marítimo, Kameyama Shachu, dedicando-se à
atividade de comércio exterior.
Em 1866, intermediou
a aliança entre Satsuma (província de Kagoshima) e Chôshu
(província de Yamaguchi), duas forças poderosas antagônicas
que tentavam derrubar o xogunato Tokugawa. Juntamente com os companheiros
do Regimento, Ryôma conseguiu a proeza de unir duas forças
rivais, fazendo surgir a Aliança SatsumaChôshu (Sattyô-rengô).
Em 1867, ele
foi perdoado pelo crime de deserção pelo feudo de Tosa e
mudou o nome do Regimento para Kaientai, expandindo as suas atividades.
Ainda, juntamente
com Gotô Jôjirô, um importante súdito do feudo
de Tosa, lutou para a devolução do poder à família
imperial, pois ele tinha como ideal um país governado por um parlamento,
cuja autoridade máxima seria o imperador. Ele conseguiu convencer
o senhor feudal de Tosa, Yamanouchi Toyoshige (1827~1872), que, por sua
vez, conseguiu convencer o 15º e último xogum, Tokugawa Yoshinobu
a abdicar do seu poder.
A exemplo de
outros revolucionários, Ryôma sofreu vários atentados
e morreu aos 33 anos, vítima da espada inimiga, juntamente com
Nakaoka Shintarô (1838~1867) também de Tosa, com quem compartilhava
os mesmos ideais.
Kaientai
Regimento Mercantil Marítimo (1864~1868)
Fundada por
Sakamoto Ryôma, passou a chamar-se Kaientai após a sua incorporação
ao feudo de Tosa (província de Kôchi). Possuía disciplinas
próprias, e cada membro do Regimento era versado na arte da navegação,
uma atribuição definida. O regimento, além de batalhar
junto com o seu líder pela restauração do poder imperial,
desenvolveu ativamente a atividade mercantil, incomum para a época.
No início, passou por muitas dificuldades, devido ao acidente e
conseqüente naufrágio do navio de sua propriedade e outros
incidentes. Porém, aos poucos, foi consolidando as atividades mercantis,
comercializando armas e produtos do Ocidente.
Após
a morte de Sakamoto Ryôma, em 1867, devido à divisão
interna, as atividades do Regimento criado por ele, conhecido por suas
idéias inovadoras e admirado por muitos até hoje, foram
definhando, encerrando as suas atividades em abril de 1868, por ordem
do senhor feudal de Tosa.
A
banda Kaientai
Admirador dos
ideais de Kaientai, o cantor e artista Takeda Tetsuya, conhecido como
Kinpachi sensei de uma famosa telenovela, formou a banda Kaientai, juntamente
com os seus amigos, em 1971. Em dezembro de 1982, cada um partiu para
a carreira solo e, em 94, o grupo reuniu-se novamente. Uma das músicas
mais representativas de sua trajetória é Haha ni sasageru
barâdo (Balada dedicada à mamãe).
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