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Opinião
- Edição 527 - Jornal NippoBrasil
Culturas empresariais
Paulo Yokota*
Nos intercâmbios
entre brasileiros e japoneses. ocorrem mal-entendidos que decorrem de
culturas empresariais distintas, mesmo que os envolvidos estejam com boa
vontade.
As dificuldades
começam com os idiomas. Eles são radicalmente diferentes
e as interpretações do que se fala em português e
em japonês, quando negligenciadas, são fontes de divergências.
O uso do inglês não resolve o problema.
Um exemplo
é o termo cooperação (cooperation em
inglês). O dicionário Houaiss informa que a palavra é
sinônimo de ajudar e colaborar. Seu uso pressupõe um relacionamento
entre desiguais, com a ação direcionada do mais desenvolvido
para os menos desenvolvidos. Na linguagem empresarial brasileira, no entanto,
entende-se cooperar como operar juntos, de igual para igual.
No japonês,
como as palavras são expressas por ideogramas, o sentido delas
é bastante preciso e está contido nas partes que compõem
os chamados kanjis. No português, isso acontece quando as palavras
têm origem no grego ou no latim, cuja etimologia ajuda a esclarecer
os seus significados.
Na linguagem
econômica de forma geral, quando se fala em cooperação,
entende-se que haverá financiamentos com juros subsidiados ou prazos
longos. Não é o caso do uso de recursos privados, que dependem
do mercado. A ajuda é possível quando o governo conta com
recursos assistenciais de país para país.
Uma discussão
ocorreu a partir da elaboração de um comunicado de uma reunião
da delegação empresarial brasileira com a do Nippon Keidanren,
a cúpula do setor privado daquele país. Os japoneses não
concordavam com a inclusão do termo cooperação
no texto do comunicado, por representarem uma entidade privada; os brasileiros,
por sua vez, encararam essa postura como um ato de intransigência
por parte deles. Os japoneses são mais precisos por influência
dos ideogramas, enquanto os brasileiros se satisfazem com o sentido geral
das decisões, acabando por permitir muitas interpretações.
O intercâmbio
bilateral entre o Brasil e o Japão volta a aumentar, ampliando-se
para regiões da Ásia e da América do Sul (e não
apenas entre um país de cada continente), incluindo projetos pequenos
e médios. Com a crise mundial, as sondagens aumentam em busca de
alternativas e espera-se que erros passados não sejam repetidos.
Com a globalização,
há uma evolução, em todos os países, dos conhecimentos
relacionados aos costumes no exterior, facilitando os intercâmbios.
Mas as dificuldades não devem ser subestimadas.
O uso de um
bom intérprete ajuda a reduzir dores de cabeça posteriores,
devendo-se evitar tradutores que só compreendem o básico
de cada idioma. O contexto cultural em que as palavras são colocadas
é muito importante e o bom intérprete deve pensar como a
outra parte vai entender o que foi colocado.

*É economista
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