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(Fonte:
Agência Brasil | Foto: site cprm.gov.br)
Uma expedição
do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) com a cooperação
da Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia da Terra
e do Mar (Jamstec) deixou pesquisadores mais perto de concluírem
que a Elevação do Alto Rio Grande, região mais
rasa localizada a cerca de 1,5 mil quilômetros da costa Sudeste
do país, é uma parte da Plataforma Continental Brasileira,
que se desprendeu e afundou com o movimento das placas tectônicas.
No dia
06/05, representantes da Jamstec, da Embaixada do Japão no
Brasil e do governo brasileiro se reuniram no Píer Mauá
para celebrar a cooperação entre os dois países
e para dar início à exposição.
As novas
conclusões foram obtidas a partir do apoio do submergível
japonês Shinkai 6500, capaz de chegar a 6,5 mil metros de
profundidade, e que foi usado para coletar material da região
do Alto Rio Grande. Por meio de dragagem, pesquisadores brasileiros
já tinham encontrado granito na região e agora confirmaram
a presença da rocha com os mergulhos possibilitados pelo
veículo. Menos denso que as rochas normalmente encontradas
no fundo do oceano, o granito está mais associado aos continentes.
O Pão de Açúcar, por exemplo, é feito
de granito.
"O
fato de haver um continente naquela região, nos abre outras
possibilidades. Até que ponto foi uma extensão de
São Paulo que se desgarrou e ficou para trás? Isso
nos leva a pensar no que fazer para a região. Não
só conhecer, mas requerer essa área", disse Roberto
Ventura, diretor de Geologia e Recursos Minerais do CPRM. Ele conta
que o Alto Rio Grande tem sido chamado de Atlântida no órgão,
em referência ao mitológico continente que teria afundado
no oceano.
O tamanho
do Alto Rio Grande ainda não foi definido com clareza, mas
Ventura estima que seja comparável ao estado de São
Paulo. O diretor conta que países como Rússia e França
já requereram áreas no Atlântico Sul, onde a
China também realiza pesquisas, o que torna o estudo estratégico
para o Brasil, que tem a maior costa do oceano. A longo prazo, segundo
o geólogo, a região pode se tornar um ponto de mineração
submarina, com a perspectiva de extração de ferro,
manganês e cobalto.
O Shinkai
6500 custou cerca de US$ 130 milhões ao governo japonês
e faz pesquisas em águas profundas desde 1991. Também
foram investidos US$ 100 milhões no navio Yokosuka, para
adequar a embarcação para transportar o submergível.
Hiroshi Kitazato, pesquisador japonês que coordenou os trabalhos
da Jamstec na expedição, destacou o interesse do país
asiático em pesquisar o oceano: "Essa é a região
que menos foi explorada no mundo inteiro. Então, acreditamos
que é muito importante pesquisá-la. Antes, o Shinkai
fez expedições mais próximas ao Japão,
no Índico e no Pacífico".
Roberto
Ventura conta que um submergível como o Shinkai e um navio
como o Yokosuka são tecnologias que "não podem
ser compradas em prateleiras", pois precisam ser desenvolvidas
e operadas por pessoal capacitado, condições de que
o Brasil ainda não dispõe. O pesquisador criticou
a burocracia a que estão submetidas pesquisas científicas,
que precisam de importações de peças. "O
nosso amadurecimento precisa ser na questão burocrática
também. Para a gente competir, do ponto de vista tecnológico,
em ciência, a gente precisa ser muito mais ágil",
destacou.
O pesquisador
do CPRM Eugênio Frazão esteve em um dos sete mergulhos
em grande profundidade. O pesquisador levou cerca de uma hora e
meia para atingir a profundidade de 4,2 mil metros. O mergulho durou
cerca de oito horas. Ele destaca que, além de rochas continentais,
foram encontradas espécies não conhecidas em situações
muito adversas, e até um coral com caraterísticas
específicas de águas profundas.
A expedição
Iatá-Piuna, navegando em águas profundas e escuras,
em tupi-guarani, teve início em 13 de abril, na Cidade do
Cabo, na África do Sul e percorreu, no primeiro trecho, a
Elevação do Rio Grande e a Cordilheira de São
Paulo. No segundo trecho, será explorado o Platô de
São Paulo. Seis pesquisadores brasileiros acompanham o navio
que depois de pesquisar o Atlântico Sul, segue para o Mar
do Caribe.
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