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15/05/2014 - Comunidade - NippoBrasil

O futuro da comunidade nikkei

Palestra realizada em 29/04/2014, no XIV Encontro Latino Americano de Ex-Bolsistas do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão, na Bolívia

Por Kiyoshi Harada*

O futuro da comunidade nikkei foi o tema discutido e debatido no XIV Encontro Latino-Americano de Ex-Bolsistas do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão, no dia 29 de março de 2014, na cidade de Santa Cruz da Serra, na Bolívia.

Proferi a palestra introdutória dividindo o tema em quatro etapas: (a) o que significa ser nikkei; (b) a construção de identidade nikkei e da comunidade nikkei; (c) a integração das comunidades nikkeis nas sociedades locais; e (d) a preservação da cultura japonesa com ênfase para o Brasil. Reproduzimos a seguir o resumo da palestra.

O que é ser nikkei

Nikkei significa japoneses e seus descendentes que vivem fora do Japão, formando um estilo de vida com características próprias, porém, inseridas no contexto das sociedades em que vivem. Atualmente, eles chegam até a sexta geração (isseis, nisseis, sanseis, yonseis, gosseis e rokuseis). Mas, para o efeito de nossa exposição "ser nikkei" significa "sentir-se nikkei" não bastando ostentar as características somáticas do povo japonês. Enquanto esse sentimento perdurar, dificilmente a comunidade nikkei findará, ainda que inserida e integrada na centrípeta sociedade local.

A construção da identidade nikkei e da comunidade nikkei.

A identidade nikkei se caracteriza como um discurso que vai se evoluindo à medida que surgem novas gerações. Daí ser a identidade fruto de uma construção dinâmica cultural. A cultura nikkei é a que resulta da mesclagem das características da cultura japonesa e da cultura local.

O discurso dos isseis era no sentido de "unir para conservar os costumes", sem se preocupar com a integração à comunidade local, pois eles vieram para fazer riquezas rápidas e retornar ao país de origem. Vieram como "dekasseguis," isto é, sair para ganhar dinheiro, como aconteceu a partir da década de 1990, quando os nisseis e sanseis passaram a se dirigir ao Japão em busca de maiores recursos financeiros.

A integração das comunidades nikkeis nas sociedades locais

Com o término da Grande Guerra, que arrasou a economia daquele país oriental e sepultou o sonho de retorno triunfante, esse discurso (dos isseis) sofreu mudança para: "Este é um bom lugar para formar família."

A partir daí, iniciou-se o esforço dos isseis para se integrar à sociedade local fazendo com que os seus filhos nisseis, principalmente os mais novos, frequentassem os cursos escolares até o nível superior.

A segunda geração ficou entre a cruz e a espada: de um lado, a pressão de família para manter os hábitos dos pais; e de outro lado, a pressão da sociedade local para assumir a identidade nacional. Mas foi nessa segunda geração, que aconteceu a construção de um novo discurso: "Devemos manter a tradição japonesa, assim como devemos nos integrar à sociedade local, pois somos brasileiros". Contudo, o discurso não foi unânime.

Alguns ficaram com o discurso dos isseis de antes da Guerra, assumindo a identidade japonesa e permanecendo em um círculo mais ou menos fechado, sem muita comunicação com os membros da sociedade local; outros se afastaram da comunidade nikkei, assumindo a identidade brasileira; e outros, ainda mantiveram as tradições japonesas, mas assimilaram hábitos e costumes da sociedade local e galgaram posições relevantes no cenário nacional, como empresários, servidores públicos, membros de Poderes, professores universitários, médicos, advogados, engenheiros, juristas, jornalistas etc. É esse conjunto de identidades diferentes que forma a chamada comunidade nikkei.

E aqui, é interessante notar que, o nissei ou sansei brasileiro quando vai ao Japão é considerado um brasileiro, enquanto que no Brasil ele é considerado japonês. É que lá o fator de distinção é a descendência sanguínea (jus sanguinis) ou cultural, enquanto que no Brasil são os tipos físicos que definem a categoria racial. Daí o velho hábito de nos chamar de "japonês". Porém sem o sentido pejorativo de antigamente, ligado à visão caricata de nossos ancestrais divulgada pela mídia de então. Trata-se de mera racionalização de linguagem.

A terceira geração, os sanseis, livres de qualquer pressão dos pais, assumiram posições que lhes pareceram melhores ou convenientes, mas por força da cultura atávica, mantiveram os valores da cultura japonesa. Salvo raríssimas exceções daqueles que rejeitaram por completo a identidade nikkei, por razões que não cabe analisar neste trabalho resumido. O crescente grau de miscigenação (calcula-se que na sexta geração haverá 100% de miscigenação) vai fazendo com que as características somáticas do nikkei desapareçam ao mesmo tempo em que a cultura japonesa passe a ser transmitida com intensidade cada vez menor aos descendentes.

A preservação da cultura japonesa com ênfase para o Brasil

A comunidade nikkei hoje é composta por várias gerações que se acham totalmente integradas à sociedade local, porém, os descendentes mantêm ainda os traços da cultura japonesa, mesmo porque muitos dos aspectos dessa cultura já estão arraigados nas sociedades locais. Alguns de seus traços característicos como a honestidade, lealdade, força de trabalho e preocupação com a educação dos filhos, entre outros, são reconhecidos pelas sociedades do mundo inteiro onde há presença considerável de nikkeis. Outrossim, a maioria dos países já incorporaram definitivamente determinados aspectos da cultura oriental, nas áreas de culinária, esportes, música, artes e dos desenhos animados (mangás).

No Brasil, nem mais cabe falar em "futuro da comunidade nikkei," pois ela não está mais em construção. Ela está irreversivelmente integrada na sociedade brasileira como um de seus segmentos sociais atuantes. A denominação adequada é comunidade nipo-brasileira.

Contudo, nem todos os países de imigração mais antiga que a brasileira alcançou o mesmo estágio de integração total a que chegou a comunidade nipo-brasileira. Países onde houve violenta repressão aos japoneses, como os Estados Unidos, o Canadá e o Peru afastaram a participação de seus descendentes da política, não permitindo, desta forma, uma completa integração à sociedade local, como aconteceu no Brasil, que em menos de cinquenta anos de imigração, já surgia um nikkei ocupando o Parlamento.

Conclusões do XIV Encontro

Nas discussões havidas nesse XIV Encontro Latino-Americano foram extraídas as seguintes conclusões:

1) Há uma preocupação comum das comunidades nikkeis dos países participantes na preservação e divulgação da cultura japonesa ao longo das gerações, mantendo todas elas o ensino da língua japonesa.

2) A integração das comunidades nikkeis nas respectivas sociedades locais não se fez e nem vem sendo feita de forma uniforme. A comunidade nikkei do Brasil alcançou plena integração à sociedade local, constituindo-se em atuante segmento nipo-brasileiro com a viva participação de seus membros no cenário nacional, contribuindo decisivamente para o fortalecimento da inteligência nacional.

3) A integração da comunidade nipo-brasileira é seguida de perto pela comunidade nipo-peruana onde desponta alguns de seus membros na política nacional, como os da família Fujimori (pai e filha), e em alguns setores da vida pública, notadamente na área jurídica.

4) As comunidades nikkeis da Argentina e Bolívia vêm mantendo certo distanciamento na área política sendo que na primeira delas não há nenhum envolvimento de seus membros na política, ou nos setores públicos. Na comunidade nikkei da Bolívia há apenas um deputado provincial, sem envolvimentos deles nos demais setores públicos.

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